Conformidade

Ativo Imobilizado: O Que É, Classificação, Exemplos, Contabilização e Depreciação (CPC 27)

Ativo imobilizado mal classificado não é apenas erro contábil — é passivo fiscal, distorção de resultado e ponto de ressalva de auditor. Entender o conceito do CPC 27, os critérios de reconhecimento e mensuração, as regras de depreciação, valor residual e vida útil, a componentização, o tratamento de melhorias vs. manutenções, a baixa por alienação e o CFOP correto da venda é a base para demonstrações financeiras confiáveis e conformidade plena. Andre Gonçalves, sócio CPCON e contador registrado CRC-SP, reúne neste guia o conceito completo, exemplos práticos e o elo entre a contabilidade e o controle patrimonial físico.

WJ
Andre Gonçalves, Sócio, VP Operações Brasil, Diretor Técnico e CFO
31 de Março, 202622 min de leitura
Ativo Imobilizado: O Que É, Classificação e Exemplos (Guia CPC 27)

O ativo imobilizado é o grupo de contas do balanço que reúne os bens físicos (tangíveis) de longa duração que a empresa usa para operar — terrenos, edificações, máquinas, veículos, móveis, equipamentos e instalações — e que, nas empresas industriais, de infraestrutura e do agronegócio, costuma representar de 40% a 70% do ativo total. Este guia responde, de forma direta, o que é ativo imobilizado, como classificá-lo, quais são os exemplos por categoria e como contabilizar o seu reconhecimento, a sua depreciação e a sua baixa segundo o CPC 27 (equivalente à IAS 16).

Apesar de sua relevância, o ativo imobilizado é um dos grupos com maior incidência de erros nas demonstrações financeiras brasileiras: gastos reconhecidos indevidamente como ativo, depreciação calculada sobre base incorreta, vida útil desatualizada e — talvez o mais comum — ausência de conciliação patrimonial entre o que existe fisicamente e o que está registrado na contabilidade. Dominar o conceito e o CPC 27 é, portanto, competência essencial para contadores, analistas e gestores. Quando o bem não tem substância física — uma marca, um software, uma patente —, ele deixa de ser imobilizado e passa a ser ativo intangível (CPC 04); quando é um imóvel mantido para renda ou valorização, é propriedade para investimento (CPC 28); essas fronteiras são detalhadas mais adiante.

O que é ativo imobilizado?

O que é ativo imobilizado? É o conjunto de bens tangíveis (corpóreos) que a empresa mantém para uso na produção, no fornecimento de bens e serviços, na locação a terceiros ou em fins administrativos, e dos quais espera obter benefícios econômicos por mais de um período contábil (vida útil superior a 12 meses). Exemplos: terrenos, edificações, máquinas, veículos, móveis, equipamentos e computadores. Está no ativo não circulante do balanço patrimonial e é regido pelo CPC 27 (NBC TG 27 / IAS 16) e pelo art. 179, IV, da Lei 6.404/1976.

Em uma frase: ativo imobilizado é o patrimônio físico que a empresa usa para operar e não para revender. É justamente a substância física (ser corpóreo) e a destinação ao uso de longo prazo que o distinguem dos estoques (mantidos para venda), do ativo intangível (sem forma física) e do ativo circulante (curto prazo). As seções seguintes detalham a definição legal e contábil, os critérios de reconhecimento, a mensuração, a depreciação e as fronteiras com o intangível e a propriedade para investimento.

Definição legal e contábil do ativo imobilizado

O CPC 27 define ativo imobilizado como itens tangíveis que: (a) são mantidos para uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços, para aluguel a outros ou para fins administrativos; e (b) se espera utilizar por mais de um período contábil. Essa definição parece simples, mas cada elemento contém critérios que afetam o reconhecimento.

Elementos da Definição de Ativo Imobilizado

  1. 1"Tangível": o bem deve ter substância física — exclui marcas, patentes, softwares e outros intangíveis (esses são regidos pelo CPC 04 / IAS 38). Exceção: firmware necessário para que o hardware funcione pode ser capitalizado junto ao equipamento.
  2. 2"Mantido para uso": bens mantidos para venda no curso normal dos negócios são estoques (CPC 16), não ativo imobilizado. Imóvel que a empresa decide vender e está ativamente comercializando migra para "ativos não circulantes mantidos para venda" (CPC 31 / IFRS 5).
  3. 3"Mais de um período contábil": bens com vida útil inferior a 12 meses são geralmente reconhecidos como despesa imediata, não ativo. O CPC 27 admite uma "política de capitalização por materialidade" — abaixo de um threshold definido pela empresa (ex: R$ 5.000), o bem pode ser lançado diretamente como despesa mesmo que dure mais de um ano.
  4. 4Lei 6.404/1976 (Lei das S.A.), art. 179, IV: "Os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controles desses bens." — base legal do ativo imobilizado no Brasil.
  5. 5NBC TG 27 (CFC): pronunciamento do CFC que adota integralmente o CPC 27 — aplicável a todas as entidades, incluindo sociedades limitadas e empresas de médio porte que adotam as normas completas do CFC.

Em termos de posição no balanço, o ativo imobilizado é um subgrupo do ativo não circulante, ao lado de realizável a longo prazo, investimentos e intangível. Coloquialmente, "ativo imobilizado", "ativo fixo" e "imobilizado" são usados como sinônimos — embora "ativo fixo" seja a expressão de gestão e "ativo imobilizado" o termo técnico-contábil. Para a distinção conceitual, veja nosso guia O Que é Ativo Fixo.

Critérios de reconhecimento

O reconhecimento de um item como ativo imobilizado exige o atendimento simultâneo de dois critérios estabelecidos pelo CPC 27: é provável que benefícios econômicos futuros fluirão para a entidade em razão do item; e o custo do item pode ser mensurado de forma confiável. Esses critérios parecem objetivos, mas sua aplicação exige julgamento profissional.

SituaçãoReconhecimento corretoFundamento CPC 27
Compra de máquina para produçãoAtivo imobilizado, pelo custo total de aquisição incluindo frete, instalação e testesParágrafo 16: custo inclui todos os desembolsos necessários para colocar o ativo em condição de uso
Reforma que aumenta vida útil do bemCapitalizado como adição ao ativoParágrafo 10: reconhecer como ativo quando gera benefícios futuros além dos originalmente estimados
Manutenção preventiva periódicaDespesa do período (custeio)Parágrafo 11: gastos para manter o bem em condições de uso são despesa operacional
Peças de reposição críticas estocadas para equipamento específicoAtivo imobilizado quando esperado uso por mais de 1 anoParágrafo 8: peças sobressalentes e equipamentos auxiliares qualificam como ativo imobilizado
Obrigação de desmontagem (ARO)Capitalizado junto ao ativo com contrapartida em provisãoParágrafo 16(c): inclui estimativa de desmontagem, remoção e restauração do local
Bem adquirido a prazo com juros implícitosCapitalizá-lo pelo valor presente; juros reconhecidos como despesa financeira ao longo do tempoParágrafo 23: quando o pagamento é diferido além dos termos normais de crédito

Mensuração inicial e mensuração subsequente

Depois de decidir QUE um item é ativo imobilizado (reconhecimento), a próxima pergunta é POR QUANTO ele entra no balanço (mensuração inicial) e como seu valor evolui ao longo do tempo (mensuração subsequente). O CPC 27 estabelece regras precisas para ambas — e é justamente aqui que muitos erros de base depreciável nascem.

Mensuração inicial: o que entra no custo do ativo

  • COMPÕEM o custo (capitalizam): preço de compra (líquido de descontos e abatimentos comerciais), impostos não recuperáveis sobre a aquisição (ex: IPI quando não creditável, ICMS quando não gera CIAP), frete, seguro de transporte, instalação, montagem, custos de testes de funcionamento e honorários profissionais diretamente atribuíveis (engenharia de instalação, por exemplo).
  • COMPÕEM o custo em casos específicos: estimativa inicial dos custos de desmontagem, remoção do item e restauração do local (ARO — Asset Retirement Obligation), e os custos de empréstimos (juros) durante a construção de ativos qualificáveis, conforme CPC 20 (IAS 23).
  • NÃO compõem o custo (são despesa): custos de abertura de nova instalação, custos de introdução de novo produto/serviço (publicidade e promoção), custos administrativos e indiretos gerais, custos de treinamento de pessoal, e perdas operacionais iniciais incorridas antes do ativo atingir o desempenho planejado.
  • Bem construído internamente: o custo segue os mesmos princípios de um ativo comprado — soma de materiais, mão de obra direta e custos diretamente atribuíveis, excluindo lucro interno e desperdícios anormais de material, mão de obra ou outros recursos (CPC 27, par. 22).
  • Permuta de ativos: quando um ativo é adquirido em troca de outro, mensura-se pelo valor justo, salvo se a transação carecer de substância comercial ou o valor justo não for mensurável de forma confiável — caso em que se usa o valor contábil do ativo cedido (CPC 27, par. 24).

Mensuração subsequente: custo vs. reavaliação

Após o reconhecimento inicial, a entidade escolhe — como política contábil aplicável a toda uma classe de ativos — entre dois modelos: (1) Modelo de custo: o ativo é mantido pelo custo menos depreciação acumulada e menos perdas por impairment acumuladas (este é o modelo predominante no Brasil). (2) Modelo de reavaliação: o ativo é mantido pelo valor justo na data da reavaliação menos depreciação e impairment subsequentes — com as variações registradas em Outros Resultados Abrangentes (reserva de reavaliação no patrimônio líquido), não no resultado do exercício. Importante: no Brasil, a reavaliação espontânea de ativos foi vedada para fins societários pela Lei 11.638/2007 quanto a saldos novos, embora o conceito permaneça no CPC 27 e seja aplicável em ambientes IFRS plenos. Para o tratamento detalhado, veja Reavaliação Patrimonial de Ativos Tangíveis. Em qualquer dos modelos, quando o valor contábil supera o valor recuperável, aplica-se o teste de impairment (CPC 01 / IAS 36).

Classificação por natureza e função

A classificação do ativo imobilizado por natureza e função impacta a depreciação (diferentes taxas para diferentes tipos), a divulgação nas notas explicativas e o controle patrimonial. O CPC 27 exige divulgação por "classe" — conjunto de ativos de natureza e uso semelhantes na operação da entidade.

  • Terrenos: vida útil indefinida, não sofrem depreciação. Terrenos adquiridos para construção futura são ativo imobilizado; terrenos mantidos para valorização futura são propriedade para investimento (CPC 28). Importante: quando imóvel é adquirido com edificação, o custo deve ser segregado entre terreno (não depreciável) e edificação (depreciável), sem essa segregação, a empresa deprecia o terreno indevidamente.
  • Edificações e benfeitorias: vida útil de 25 a 50 anos (taxa de depreciação de 2% a 4% ao ano pela Receita Federal). Inclui edifícios, galpões, silos, torres, pontes e estruturas similares. Benfeitorias em imóveis de terceiros são depreciadas pelo menor entre a vida útil da benfeitoria e o prazo do contrato de locação.
  • Máquinas e equipamentos: vida útil variável de 5 a 20 anos (10% a 20% ao ano). Inclui equipamentos de produção, linha de processo, geradores, compressores e equipamentos industriais em geral. A depreciação por componentes é obrigatória quando partes relevantes têm vida útil diferente (ex: motor vs. estrutura de um equipamento).
  • Veículos: vida útil de 5 anos para veículos leves (20% ao ano) e 4 a 10 anos para veículos pesados (10% a 25%). Inclui automóveis, caminhões, tratores, aeronaves e embarcações. Veículos objeto de leasing financeiro são reconhecidos no ativo imobilizado do arrendatário (CPC 06-R2 / IFRS 16).
  • Móveis, utensílios e instalações: vida útil de 10 a 20 anos (5% a 10% ao ano). Inclui mobiliário de escritório, equipamentos de informática (5 anos / 20% ao ano), sistemas de climatização e instalações hidráulicas e elétricas.
  • Obras em andamento (ativo em construção): imóvel ou ativo em construção é registrado em conta específica "Construções em Andamento" até a conclusão, quando é transferido para a categoria definitiva e inicia a depreciação. Não sofre depreciação enquanto não está disponível para uso.

Depreciação: métodos e taxas

A depreciação é a alocação sistemática do custo depreciável de um ativo ao longo de sua vida útil. O custo depreciável é o custo de aquisição menos o valor residual — a quantia estimada que a entidade obteria pela alienação do ativo ao final de sua vida útil. A escolha do método de depreciação deve refletir o padrão esperado de consumo dos benefícios econômicos futuros do ativo. Para o passo a passo do cálculo e o confronto contábil vs. fiscal, veja Depreciação de Ativos: Cálculo Correto Conforme a Receita Federal.

MétodoComo funcionaMelhor aplicaçãoAceito pela Receita Federal?
Linha reta (quotas constantes)Depreciação igual em todos os períodos: (Custo − Valor residual) ÷ Vida útil em anosAtivos com desgaste uniforme ao longo do tempo: edificações, móveis, veículosSim — método padrão da Receita Federal
Saldo decrescente (taxa constante sobre o valor líquido)Taxa fixa aplicada sobre o valor contábil líquido do período anterior — depreciação maior nos primeiros anosAtivos com maior utilidade no início da vida (tecnologia, equipamentos de alta precisão)Sim, com taxa limitada ao dobro da taxa linear
Unidades produzidas (quota variável)Depreciação proporcional à utilização real: (Custo − V. residual) × Produção do período ÷ Produção total estimadaAtivos cujo desgaste é função da utilização: máquinas de corte, veículos (km), motores (horas)Sim, para fins contábeis — mas requer controle de utilização documentado
Horas de serviçoVariante do método de unidades produzidas usando horas de trabalho como baseEquipamentos pesados, aeronaves, equipamentos de energiaSim — exige horímetro ou sistema de controle de horas
Depreciação por componentes (CPC 27)Cada parte significativa com vida útil diferente é depreciada separadamenteAeronaves (motor vs. fuselagem), navios, plantas industriais com componentes de diferentes durabilidadesSim para fins contábeis — mas pode divergir da depreciação fiscal

Quando começa e quando para a depreciação? A depreciação inicia quando o ativo está disponível para uso — isto é, no local e nas condições necessárias para operar como pretendido pela administração — e não quando começa a ser efetivamente utilizado. Ela só cessa na baixa do ativo ou quando ele é classificado como mantido para venda (CPC 31). Ativo parado, ocioso ou aguardando uso continua depreciando (CPC 27, par. 55).

Valor residual e vida útil: as duas estimativas que definem a depreciação

A despesa de depreciação de cada período depende de duas estimativas que o CPC 27 obriga a revisar pelo menos ao fim de cada exercício: o valor residual e a vida útil. Erros ou desatualização nessas estimativas distorcem o resultado, o EBITDA e a base de cálculo de tributos — e são uma das causas mais frequentes de ressalva de auditoria no imobilizado.

Valor residual

O valor residual é a estimativa do valor que a entidade obteria hoje com a alienação do ativo, líquido dos custos de venda, supondo que o ativo já tivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida útil. Ele é deduzido do custo para formar a base depreciável: Base depreciável = Custo − Valor residual. Se o valor residual estimado for igual ou superior ao valor contábil, a despesa de depreciação é zero até que volte a ser inferior. Muitas empresas adotam valor residual zero por conservadorismo — aceitável quando documentado como política. Para ativos de alto valor (aeronaves, navios, imóveis), o valor residual costuma ser material e deve ser estimado por mercado. O tratamento técnico completo, com métodos de cálculo e a revisão anual obrigatória, está em Valor Residual de Ativos Imobilizados (CPC 27).

Vida útil

  • Conceito: vida útil é o período durante o qual a entidade espera utilizar o ativo OU a quantidade de produção/unidades que espera obter dele. É uma estimativa de gestão (uso esperado pela própria empresa), não necessariamente a vida física total do bem.
  • Fatores a considerar (CPC 27, par. 56): uso esperado (capacidade e produção física), desgaste físico esperado (turnos de operação, programa de manutenção), obsolescência técnica e comercial, e limites legais ou contratuais de uso (ex: prazo de uma licença ou concessão).
  • Vida útil contábil ≠ vida útil fiscal: a Receita Federal publica taxas mínimas de depreciação aceitas (IN RFB 1.700/2017, Anexo III). A empresa pode adotar vida útil contábil diferente quando justificada por laudo técnico — gerando divergência entre depreciação societária e fiscal, controlada via e-Lalur/e-Lacs (adições/exclusões).
  • Revisão obrigatória: tanto a vida útil quanto o valor residual e o método de depreciação devem ser revisados pelo menos ao final de cada exercício. Mudanças são tratadas prospectivamente, como mudança de estimativa contábil (CPC 23), e não retroativamente.

Componentização do ativo imobilizado

A componentização (component approach) é a exigência do CPC 27 (par. 43-47) de depreciar separadamente cada parte significativa de um item do ativo imobilizado cujo custo seja relevante em relação ao custo total do item. Em vez de depreciar uma aeronave como um bloco único, separam-se motor, trem de pouso e fuselagem — cada um com sua vida útil e seu cronograma de revisão. O efeito prático é uma depreciação que reflete melhor o consumo real dos benefícios e evita ganhos/perdas distorcidos na troca de componentes.

Quando e como aplicar a componentização

  • Critério de relevância: separa-se o componente quando seu custo é significativo em relação ao custo total — na prática, costuma-se adotar um limiar de 10% a 20% do valor do ativo, sempre sujeito a julgamento profissional.
  • Edificações: segregar estrutura (40-50 anos), instalações elétricas (20-25 anos), instalações hidráulicas (15-20 anos), elevadores (15-20 anos) e cobertura (10-15 anos). Cada classe deprecia ao seu ritmo.
  • Equipamentos industriais e veículos pesados: separar motor/conjunto motriz (revisão periódica) da estrutura, quando têm vidas úteis materialmente distintas.
  • Troca de componente: ao substituir um componente, baixa-se o valor contábil residual do antigo e capitaliza-se o novo — sem inflar o ativo nem distorcer o resultado.
  • Pré-requisito operacional: a componentização exige que o cadastro patrimonial reconheça os componentes como itens controláveis. Por isso ela começa no inventário físico técnico, não na planilha contábil. Veja o serviço de Componentização de Ativos e o artigo Componentização de Ativos Imobilizados (CPC 27).

Aprofunde em Componentização de Ativos Imobilizados conforme o CPC 27 e conheça o serviço de componentização da CPCON, que estrutura o cadastro por componentes a partir do levantamento físico.

Manutenções vs. melhorias: tratamento contábil

Um dos erros mais comuns no ativo imobilizado é confundir gastos que devem ser capitalizados (reconhecidos como ativo) com gastos que devem ser expensados (lançados como despesa no resultado). Esse erro tem impacto direto no EBITDA, no resultado do exercício e na base de cálculo do IRPJ/CSLL.

Critérios para Capitalizar ou Expensar Gastos com Ativos

  • CAPITALIZAR — Melhorias que aumentam capacidade ou extendem vida útil: a substituição de um motor de 100 CV por um de 150 CV aumenta a capacidade produtiva — o custo do motor novo deve ser capitalizado (e o custo contábil do motor antigo, baixado). A extensão da vida útil de 5 para 8 anos por reforma estrutural também justifica capitalização.
  • CAPITALIZAR — Grandes revisões (overhaul) em aviação, naval e industrial: revisões gerais que condicionam a continuidade operacional do ativo são capitalizadas e depreciadas até a próxima revisão. O CPC 27 (par. 14) trata essa situação explicitamente — a revisão é como um ativo separado dentro do bem principal.
  • EXPENSAR — Manutenção preventiva e corretiva rotineira: trocar filtros, lubrificar rolamentos, substituir peças de desgaste normal — são despesas operacionais. Não adicionam capacidade nem estendem vida útil além da estimada originalmente.
  • EXPENSAR — Reparos por uso normal: conserto de equipamento que falhou por desgaste esperado — despesa do período. Se o reparo o faz funcionar como novo mas sem superar as especificações originais, é manutenção.
  • Teste prático: faça duas perguntas — (1) O gasto aumentou a capacidade produtiva além da original? (2) O gasto estendeu a vida útil além da estimada originalmente? Se a resposta for "sim" a qualquer uma, capitalize. Se "não" a ambas, espense.
  • Impacto fiscal de capitalizar indevidamente: gastos expensados indevidamente aumentam a despesa operacional e reduzem o lucro tributável (benefício fiscal imediato, mas passivo potencial). Gastos capitalizados indevidamente inflam o ativo e a depreciação futura — gerando discrepância na base depreciável aceita pela Receita Federal.

Baixa e alienação do ativo imobilizado

Um item do ativo imobilizado deve ser baixado (desreconhecido) quando é alienado (vendido, doado, permutado) ou quando não se espera nenhum benefício econômico futuro de seu uso ou alienação — por exemplo, sucateamento, perda total por sinistro ou obsolescência definitiva. A baixa é tão importante quanto o reconhecimento: ativos que deveriam ter sido baixados e permanecem no balanço (os chamados "ativos fantasmas") inflam o patrimônio, geram depreciação indevida e distorcem indicadores.

  • Apuração do resultado da baixa: ganho ou perda = valor líquido recebido na alienação (preço − custos de venda) menos o valor contábil líquido do ativo (custo − depreciação acumulada − impairment). O resultado é reconhecido no resultado do exercício, em "outras receitas/despesas operacionais" — e NÃO como receita de vendas (CPC 27, par. 68).
  • Lançamento típico de venda: debita-se Caixa/Clientes pelo valor recebido; debita-se Depreciação Acumulada (zerando-a para aquele bem); credita-se a conta do Ativo Imobilizado pelo custo; e a diferença vai a ganho ou perda na alienação.
  • Baixa por sucateamento ou sinistro: quando não há valor de venda, o valor contábil líquido remanescente é integralmente reconhecido como perda. Em sinistros, eventual indenização de seguro é reconhecida separadamente quando se torna recebível.
  • Cessação da depreciação: a depreciação cessa na data da baixa (ou da reclassificação para mantido para venda, o que ocorrer primeiro). Depreciar um ativo já baixado é erro comum em sistemas mal parametrizados.
  • Aspecto fiscal e fiscal-tributário: a venda de bem do imobilizado tem CFOP próprio e tratamento de ICMS específico (em regra, não incidência) — detalhado na seção seguinte.

A causa-raiz de baixas pendentes é quase sempre a falta de conciliação físico-contábil. O artigo Ativos Fantasmas: Como Identificar e Eliminar detalha como localizar e regularizar esses itens.

CFOP do ativo imobilizado: 5551, 5949 e baixa contábil

A venda de bens do ativo imobilizado tem código fiscal próprio no CFOP — diferente da venda de mercadorias. O CFOP correto evita autuação por reclassificação tributária e garante que a operação seja tratada conforme a natureza do bem (não circulante, sem incidência de ICMS na maioria dos casos).

CFOPQuando usarTributação típicaObservação técnica
5.551Venda de bem do ativo imobilizado para destinatário no MESMO estadoICMS não incide (operação isenta); PIS/COFINS não incide no lucro real cumulativoLei Kandir art. 3º, IV — exclusão expressa do ICMS na venda de ativo imobilizado
6.551Venda de bem do ativo imobilizado para destinatário em OUTRO estado (interestadual)Mesmas regras do 5.551, com diferencial de alíquota (DIFAL) se cabívelAtenção: alguns estados exigem informação adicional na NF-e (CST 41 ou 50)
5.949 / 6.949Outras saídas não especificadas (doação, baixa por sinistro, transferência entre filiais)Varia conforme natureza — operação avulsa, pode haver retençãoUsar apenas quando 5.551/6.551 não couber
1.551 / 2.551Entrada de bem do ativo imobilizado (compra de fornecedor PJ)CIAP gera direito a crédito de ICMS em 48 parcelas (1/48 ao mês)Lei Complementar 87/96 art. 20 §5º

Erro comum: empresa configura no ERP o produto como "mercadoria" e a venda sai com CFOP 5.102 (revenda) em vez de 5.551. Resultado: incidência indevida de ICMS, distorção do resultado e exposição em fiscalização. A baixa contábil do ativo (débito de depreciação acumulada, crédito do imobilizado, contrapartida em "outras receitas/despesas" pela diferença entre valor contábil e valor de venda) precisa ocorrer no mesmo período. Para o guia detalhado dessa operação, consulte 👉 CFOP 5551: Guia Completo da Venda de Ativo Imobilizado e o panorama dos códigos em CFOP na Venda de Ativo Imobilizado.

Ativo imobilizado vs. ativo intangível (CPC 04)

A distinção entre ativo imobilizado (CPC 27) e ativo intangível (CPC 04 / IAS 38) é a primeira pergunta que define o tratamento contábil. Ambos são ativos não circulantes de longa duração, mas a substância física é o divisor — e tem implicações em depreciação vs. amortização, vida útil indefinida vs. definida, e teste de impairment.

CritérioAtivo Imobilizado (CPC 27)Ativo Intangível (CPC 04 / IAS 38)
Substância físicaTangível — bem corpóreo com presença materialIntangível — sem substância física (marcas, patentes, software)
Norma aplicávelCPC 27 / IAS 16 / NBC TG 27CPC 04 / IAS 38 / NBC TG 04
Mensuração subsequenteCusto OU reavaliação (CPC 27 par. 29)Custo OU reavaliação (CPC 04 par. 72), mas reavaliação exige mercado ativo
Depreciação / amortizaçãoDepreciação sistemática ao longo da vida útilAmortização — só para intangíveis de vida útil DEFINIDA. Vida indefinida (ex: marca) não amortiza, mas faz impairment anual obrigatório
Vida útil indefinida possível?Apenas terrenos (não deprecia)Sim — marcas, fundo de comércio (goodwill), licenças permanentes
Exemplos típicosMáquinas, veículos, edificações, móveis, equipamentos de informática (hardware)Software, marcas, patentes, licenças, listas de clientes, goodwill, gastos com desenvolvimento (P&D capitalizado)
Caso de fronteira: firmwareCapitalizado junto ao hardware quando essencial para operaçãoSoftware autônomo (Windows, ERP) é intangível separado

Atenção ao P&D: gastos de pesquisa são SEMPRE expensados (CPC 04 par. 54). Apenas gastos de desenvolvimento podem ser capitalizados como intangível, e somente quando os 6 critérios do CPC 04 par. 57 são atendidos cumulativamente (viabilidade técnica, intenção de concluir, capacidade de usar/vender, geração de benefícios futuros, recursos para concluir, mensuração confiável do gasto). Empresas que capitalizam P&D sem documentar esses critérios geram ressalvas em auditoria. Para entender a outra ponta dessa fronteira, comece por O Que é Ativo Intangível e aprofunde no tratamento normativo em Ativo Intangível segundo o CPC 04 / IAS 38.

Ativo imobilizado vs. propriedade para investimento (CPC 28)

O CPC 28 (IAS 40) trata de uma categoria específica: propriedade para investimento — imóveis (terrenos, edifícios, ou partes deles) mantidos para auferir aluguel ou para valorização do capital, e não para uso na operação da entidade. A confusão entre essa classe e o ativo imobilizado é comum em empresas com portfólio imobiliário misto.

Situação do imóvelClassificação corretaNorma
Galpão usado como fábrica da própria empresaAtivo ImobilizadoCPC 27
Edifício comercial alugado para terceiros (renda de aluguel)Propriedade para InvestimentoCPC 28
Terreno mantido para valorização (sem uso atual definido)Propriedade para InvestimentoCPC 28
Imóvel usado parcialmente pela empresa e parcialmente alugado (uso misto)Segregar — parte como Imobilizado, parte como Propriedade para Investimento, se as partes puderem ser vendidas separadamente. Caso contrário, classificar pelo uso predominanteCPC 28 par. 10
Imóvel construído pela própria empresa para alugar futuramenteImobilizado em construção até a conclusão; reclassificar para Propriedade para Investimento quando ficar disponível para aluguelCPC 28 par. 57
Imóvel em construção para uso próprio futuroAtivo Imobilizado em construçãoCPC 27

A diferença-chave: o CPC 28 permite duas políticas — modelo do custo (igual ao CPC 27) OU modelo do valor justo (mark-to-market periódico, com variações no resultado, sem depreciação). A escolha é por POLÍTICA CONTÁBIL e aplica-se a TODAS as propriedades para investimento da entidade. Já o CPC 27 permite modelo do custo OU reavaliação, mas a reavaliação vai pra outros resultados abrangentes (OCI), não resultado do exercício. Reclassificações entre as duas categorias têm regras específicas — uma propriedade que deixa de ser alugada e passa a ser usada pela empresa migra do CPC 28 pro CPC 27, com base no valor justo da data da reclassificação.

Controle patrimonial e inventário físico: a base que sustenta o ativo imobilizado contábil

Toda a teoria do CPC 27 depende de um pré-requisito prático: saber, com certeza, quais bens a empresa possui, onde estão, em que estado e quanto valem. Esse é o papel do controle patrimonial e do inventário físico de ativos fixos. O procedimento técnico que confronta o saldo contábil com a contagem física — apontando sobras, faltas e divergências de cadastro — é a conciliação patrimonial (cotejamento contábil). Sem conciliação físico-contábil periódica, o saldo do imobilizado deixa de representar a realidade — e os erros se acumulam.

O que a falta de conciliação físico-contábil provoca no imobilizado

  • Ativos fantasmas: bens registrados na contabilidade que não existem mais fisicamente (sucateados, furtados, vendidos sem baixa). Geram depreciação indevida e inflam o patrimônio.
  • Ativos não registrados: bens que existem e operam, mas nunca foram capitalizados — subavaliando o ativo e distorcendo a base de seguros e de garantias.
  • Dados cadastrais incorretos: placa, localização, centro de custo, vida útil ou valor errados — comprometendo a depreciação por classe e a divulgação por nota explicativa.
  • Baixas pendentes: ativos já fora de uso ainda registrados com valor contábil, postergando perdas que distorcem o resultado de períodos futuros.
  • Impossibilidade de componentizar: sem cadastro físico estruturado por componentes, a depreciação por componentes exigida pelo CPC 27 fica inviável na prática.

A solução é um inventário técnico com etiquetagem e conciliação. Tecnologias de identificação automática — como RFID e, em ambientes industriais, plataformas de CMMS com RFID/IoT — reduzem drasticamente o tempo de inventário e mantêm o cadastro vivo entre contagens; o ponto de partida para escolher o equipamento de leitura está no guia de leitor RFID. Para o valor dos bens, o serviço de avaliação de ativos entrega base de custo e valor justo em conformidade com as normas. O resultado é um ativo imobilizado auditável, com depreciação correta e sem ativos fantasmas.

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A CPCON realiza inventário físico completo, identifica ativos não registrados, baixas pendentes e erros de classificação — entregando uma base de ativo imobilizado em conformidade com CPC 27, pronta para auditoria e para alimentar corretamente a depreciação.

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Perguntas Frequentes

O que é considerado ativo imobilizado?
Bens tangíveis de uso operacional permanente (com vida útil superior a 12 meses), como imóveis, máquinas, veículos, móveis e equipamentos, conforme o CPC 27 (item 6). São registrados pelo custo de aquisição/produção e mantidos para uso na operação, não para venda. Veja também nosso guia complementar: [/artigos/o-que-e-ativo-fixo-conceitos-e-exemplos](/artigos/o-que-e-ativo-fixo-conceitos-e-exemplos).
O que é ativo imobilizado na contabilidade?
Na contabilidade, ativo imobilizado é o grupo do ativo não circulante que reúne os bens corpóreos (tangíveis) destinados à manutenção das atividades da empresa, conforme o art. 179, IV, da Lei 6.404/1976 e o CPC 27 (NBC TG 27 / IAS 16). Esses bens são reconhecidos pelo custo, depreciados ao longo da vida útil (exceto terrenos) e divulgados por classe nas notas explicativas. Diferem do ativo circulante (curto prazo), do intangível (sem substância física, CPC 04) e da propriedade para investimento (mantida para aluguel ou valorização, CPC 28).
Como saber se é ativo imobilizado ou material de uso e consumo?
Se o bem gera benefício econômico por mais de 12 meses e não é vendido no ciclo operacional normal, é ativo imobilizado (capitaliza no balanço). Se é consumido rapidamente, gera benefício imediato ou é insumo de revenda, é material de uso e consumo (despesa do período). A política de capitalização por materialidade do CPC 27 permite lançar diretamente como despesa bens de baixo valor mesmo durando mais de 1 ano — o threshold típico no Brasil fica entre R$ 1.200 e R$ 5.000.
Qual o valor mínimo para registrar como ativo imobilizado?
Para fins fiscais (IRPJ), a Lei 14.789/2023 fixou R$ 1.200 como valor mínimo de capitalização — abaixo disso, pode ser despesa direta. Contabilmente (CPC 27), não há valor legal mínimo: a empresa define sua política de capitalização por materialidade, comumente entre R$ 1.000 e R$ 5.000. Essa política deve ser documentada, consistente e divulgada em nota explicativa.
Qual é a diferença entre ativo imobilizado e ativo intangível?
Ativo imobilizado é regido pelo CPC 27 e compreende bens com substância física (tangíveis) — máquinas, veículos, edificações, terrenos. Ativo intangível é regido pelo CPC 04 (IAS 38) e compreende ativos sem substância física — marcas, patentes, softwares, carteiras de clientes, licenças. O firmware de um equipamento (software necessário para operar o hardware) é uma exceção tratada no CPC 04, que permite sua capitalização junto ao hardware correspondente.
Como é feita a mensuração inicial do ativo imobilizado?
O ativo imobilizado entra no balanço pelo custo, que inclui o preço de compra (líquido de descontos), impostos não recuperáveis, frete, seguro de transporte, instalação, montagem e testes de funcionamento, além de honorários diretamente atribuíveis e, quando aplicável, a estimativa de custos de desmontagem/restauração (ARO) e os juros de empréstimos durante a construção de ativos qualificáveis (CPC 20). NÃO compõem o custo: treinamento de pessoal, publicidade do novo produto, custos administrativos gerais e perdas operacionais iniciais — todos despesa do período (CPC 27, par. 16-22).
Como calcular o valor residual de um ativo imobilizado?
O valor residual é a estimativa do valor que a entidade obteria pela alienação do ativo, após deduzir os custos estimados de alienação, como se o ativo já tivesse a idade e condições esperadas ao final de sua vida útil. Ele reduz a base depreciável (Base = Custo − Valor residual). Na prática, muitas empresas adotam valor residual zero para simplificação — conservador e geralmente aceito pela auditoria desde que documentado como política contábil. Para ativos de alto valor (aeronaves, navios, imóveis comerciais), o valor residual pode ser significativo e deve ser estimado com base em mercado, e revisado pelo menos ao fim de cada exercício (CPC 27, par. 51).
O que é a depreciação por componentes e quando é obrigatória?
A depreciação por componentes (component approach) é exigida pelo CPC 27 (par. 43) quando partes significativas de um item do ativo imobilizado têm vida útil diferente da vida útil do ativo como um todo. "Significativo" é determinado pelo julgamento profissional, geralmente componentes que representam mais de 10–20% do custo total do ativo. Exemplo clássico: aeronave com motor (revisão a cada 5 anos), trem de pouso (10 anos) e fuselagem (30 anos), cada componente deprecia separadamente. Para edificações, é comum segregar: estrutura (50 anos), instalações elétricas (25 anos), instalações hidráulicas (20 anos) e cobertura (15 anos).
Como é feita a baixa de um ativo imobilizado?
A baixa (desreconhecimento) ocorre na alienação do bem (venda, doação, permuta) ou quando não se espera mais benefício econômico de seu uso ou alienação (sucateamento, sinistro, obsolescência definitiva). Na venda, o resultado é a diferença entre o valor líquido recebido e o valor contábil líquido (custo − depreciação acumulada − impairment), reconhecida em "outras receitas/despesas operacionais" — e não como receita de vendas (CPC 27, par. 68). A depreciação cessa na data da baixa. Ativos que deveriam ter sido baixados e permanecem no balanço são "ativos fantasmas" e distorcem o patrimônio.
Leasing e arrendamento entram no ativo imobilizado?
Depende do tipo de leasing. Com o CPC 06-R2 (IFRS 16, vigente desde 2019 no Brasil), praticamente todos os arrendamentos com prazo superior a 12 meses são reconhecidos como ativo de direito de uso (ROU — Right of Use Asset) no balanço do arrendatário, com a contrapartida em passivo de arrendamento. Isso inclui contratos de aluguel de imóveis, leasing de veículos e equipamentos. As exceções são: arrendamentos de curto prazo (≤12 meses) e ativos de baixo valor (≤US$ 5.000 novos, por convenção do IASB). O ativo de direito de uso é depreciado ao longo do prazo do contrato ou da vida útil do ativo — o menor.
Como o inventário físico se relaciona com o ativo imobilizado contábil?
O inventário físico é a base de dados que alimenta o ativo imobilizado contábil — e a fonte de identificação dos seus erros. Sem conciliação físico-contábil regular, o ativo imobilizado acumula: ativos fantasmas (registrados na contabilidade mas inexistentes fisicamente), ativos não registrados (existem fisicamente mas nunca foram capitalizados), ativos com dados errados (placa, localização, vida útil, valor) e baixas pendentes (ativos sucateados ainda registrados com valor contábil). A CPCON realiza a conciliação completa — identificando e corrigindo cada uma dessas inconsistências com laudo técnico aceito pela auditoria.
Qual o tratamento contábil de subsídios governamentais para aquisição de ativos?
O CPC 07 (IAS 20) trata os subsídios governamentais. Para ativos imobilizados, há dois métodos permitidos: (1) Subvenção deduzida do custo do ativo — o ativo é registrado pelo valor líquido (custo menos subvenção), reduzindo a base depreciável e, consequentemente, a despesa de depreciação futura; (2) Subvenção como receita diferida — registrada no passivo e reconhecida como receita ao longo da vida útil do ativo, na mesma proporção da depreciação. A escolha do método deve ser aplicada consistentemente. Programas como FINAME, BNDES e incentivos fiscais estaduais são comuns no Brasil e exigem esse tratamento.
Qual CFOP usar na venda de ativo imobilizado?
O CFOP 5.551 é usado quando a venda do ativo imobilizado é destinada a comprador no mesmo estado. O CFOP 6.551 cobre vendas interestaduais. Em ambos os casos, a operação não sofre incidência de ICMS (Lei Kandir art. 3º, IV) nem PIS/COFINS no regime cumulativo do lucro real. O erro mais comum é configurar o produto no ERP como mercadoria de revenda — saindo com CFOP 5.102 e tributação indevida. A baixa contábil do ativo (depreciação acumulada + valor líquido contra "outras receitas/despesas") precisa ocorrer no mesmo período da nota. Detalhamento completo em nosso guia específico: /artigos/cfop-5551-guia-completo.
Como diferenciar ativo imobilizado de propriedade para investimento (CPC 28)?
A diferença é o uso pretendido do bem. Ativo imobilizado (CPC 27) é mantido para uso na produção, fornecimento de bens/serviços ou administração da própria empresa. Propriedade para investimento (CPC 28) é mantida para obter renda de aluguel ou para valorização do capital, sem uso operacional pela entidade. Exemplo: galpão usado como fábrica = imobilizado; edifício comercial alugado a terceiros = propriedade para investimento. Imóveis de uso misto são segregados se possível, ou classificados pelo uso predominante. O CPC 28 permite duas políticas de mensuração subsequente: custo (igual ao CPC 27) ou valor justo (mark-to-market periódico, sem depreciação) — a escolha vincula todas as propriedades para investimento da entidade.
Quais são os exemplos mais comuns de ativo imobilizado nas empresas brasileiras?
Os exemplos clássicos por categoria: (1) Terrenos — lotes urbanos, áreas rurais para operação, terrenos para construção; (2) Edificações — galpões industriais, escritórios próprios, fábricas, lojas, centros de distribuição; (3) Máquinas e equipamentos industriais — linhas de produção, prensas, fornos, equipamentos de processo, geradores; (4) Veículos — frota leve (carros, utilitários), pesada (caminhões, ônibus, tratores), aeronaves, embarcações; (5) Móveis e utensílios — mobiliário de escritório, divisórias, armários; (6) Computadores e periféricos — desktops, notebooks, servidores, impressoras (hardware); (7) Instalações — sistemas de ar-condicionado, redes elétricas, hidráulicas, prevenção de incêndio; (8) Benfeitorias em imóveis de terceiros — reformas, divisões, melhorias estruturais. Cada classe tem vida útil e taxa de depreciação distintas conforme IN RFB 1.700/17 e CPC 27.
Andre Gonçalves

Andre Gonçalves

Sócio, VP Operações Brasil, Diretor Técnico e CFO | Grupo CPCON

Contador Registrado CRC-SP

Sócio do Grupo CPCON, Vice-Presidente de Operações CPCON Brasil, Diretor Técnico e CFO. Contador registrado CRC-SP, responsável tecnicamente pelos serviços de gestão patrimonial, avaliação de ativos, depreciação e conformidade contábil da CPCON em projetos no Brasil e exterior.

Nota de transparência: Este artigo reflete a experiência prática da equipe CPCON. Recomendamos validar decisões contábeis e fiscais com seu auditor ou contador responsável.

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