Contabilidade

Ativo Não Circulante: Guia Completo com Exemplos

O ativo não circulante reúne os bens e direitos da empresa que não serão convertidos em caixa nos próximos 12 meses — geralmente, a parcela mais relevante do balanço de uma empresa industrial, imobiliária ou de infraestrutura. Classificar corretamente cada item entre Realizável a Longo Prazo, Investimentos, Imobilizado e Intangível é a base para demonstrações financeiras corretas, análise de solvência confiável e adequação a CPCs específicos.

WJ
Wendell Jeveaux, Consultoria Patrimonial
21 de Maio, 202616 min de leitura
Ativo Não Circulante: Classificação, Exemplos e Apresentação 2026

O ativo não circulante é o grupo de contas do balanço patrimonial que reúne bens e direitos com prazo de realização superior a 12 meses, ou que se mantêm na empresa por todo o seu ciclo operacional. Em empresas de capital intensivo — indústrias, mineradoras, concessionárias, agronegócio, infraestrutura — o ativo não circulante chega a representar 60% a 85% do ativo total. Em empresas de serviços e tecnologia, a participação é menor, mas ainda relevante: imóveis próprios, equipamentos, intangíveis (marcas, software, goodwill) e investimentos em coligadas formam parcela substancial do balanço.

A classificação correta do ativo não circulante é, ao mesmo tempo, exigência da Lei das Sociedades por Ações (6.404/76, com alterações dadas pela 11.638/07) e do CPC 26 (R1) — Apresentação das Demonstrações Contábeis, e elemento estratégico de análise financeira: investidores, analistas e credores usam a estrutura do ativo não circulante para avaliar capacidade de geração de caixa de longo prazo, exposição a impairment, qualidade dos investimentos e adequação da estrutura de capital. Um ativo classificado erroneamente pode distorcer indicadores como índice de liquidez geral, ROA, ROIC e DFC.

O que é ativo não circulante: definição legal e contábil

Ativo não circulante é o grupo de contas que reúne bens e direitos cujo prazo esperado de realização (conversão em caixa ou consumo) é superior a 12 meses da data do balanço, ou que se manterão na empresa permanentemente para suporte da atividade operacional. A base legal direta é o art. 178 da Lei 6.404/76, que organiza o ativo do balanço em duas grandes categorias: Ativo Circulante e Ativo Não Circulante — substituindo a estrutura anterior que falava em "Ativo Permanente" (terminologia revogada pela Lei 11.638/07).

O CPC 26 (R1), nos itens 60 a 76, define os critérios para essa segregação. Um ativo é classificado como circulante se atender a qualquer um destes critérios: (i) espera-se realizá-lo, vender ou consumi-lo no ciclo operacional normal; (ii) é mantido essencialmente para fins de negociação; (iii) espera-se realizá-lo até 12 meses após o balanço; ou (iv) é caixa ou equivalente de caixa sem restrição de uso. Tudo o que não atende a esses critérios é, por definição, não circulante. Em empresas com ciclos operacionais longos (estaleiros, construção pesada, mineração), o critério do ciclo operacional pode estender circulante além de 12 meses.

A linha divisória entre circulante e não circulante é o prazo de 12 meses (ou o ciclo operacional, se maior). Errar essa classificação distorce índices de liquidez, mascara endividamento real e gera ressalva de auditor — especialmente para itens fronteiriços como contas a receber de longo prazo, estoques de obra em andamento e tributos a recuperar.

Os quatro grupos do ativo não circulante (Lei 6.404/76, art. 178)

A lei brasileira segrega o ativo não circulante em quatro grupos específicos, cada um com regras próprias de mensuração e divulgação. Essa estrutura, embora particular ao Brasil, é compatível com a IAS 1 / CPC 26 (R1) que exige apenas a apresentação adequada e por classes — sem prescrever a estrutura formal de subgrupos.

SubgrupoO que contémCPC aplicávelMensuração
Realizável a Longo Prazo (RLP)Direitos com vencimento >12 meses: empréstimos a coligadas, depósitos judiciais, tributos a recuperar de LP, contas a receber de LPCPC 48 (instrumentos financeiros), CPC 12 (ajuste a VP)Valor justo ou custo amortizado
InvestimentosParticipações em coligadas/controladas, propriedades para investimento (não operacionais), outras participações permanentesCPC 18 (R2), CPC 28, CPC 36Equivalência patrimonial ou valor justo
ImobilizadoBens tangíveis para uso operacional: terrenos, edificações, máquinas, veículos, móveis, instalações, obras em andamento, ativo de direito de uso (ROU)CPC 27, CPC 06 (R2)Custo histórico menos depreciação acumulada e impairment
IntangívelBens sem substância física: marcas, patentes, software, carteira de clientes, contratos, goodwillCPC 04 (R1), CPC 15 (R1)Custo menos amortização acumulada e impairment

Notas explicativas devem detalhar cada subgrupo por classe de ativo (não apenas pelo total). Auditores das Big Four cobram especificamente: (i) movimentação completa do imobilizado e intangível (saldo inicial + adições + baixas + depreciação − impairment = saldo final); (ii) composição do realizável a longo prazo com vencimentos por faixa; (iii) método de mensuração de investimentos (equivalência vs valor justo); (iv) políticas contábeis aplicadas em cada classe.

Realizável a Longo Prazo: o que entra e o que NÃO entra

O Realizável a Longo Prazo (RLP) é o grupo onde mais ocorre confusão prática. Conceitualmente, reúne créditos e direitos com prazo de recebimento ou exigibilidade superior a 12 meses. Os exemplos mais comuns no Brasil ilustram bem o critério.

  • Contas a receber de longo prazo — vendas a prazo superiores a 12 meses (raras em comércio mas comuns em construção civil, equipamentos industriais, software/SaaS com contratos plurianuais). Atenção: a parcela que vence em até 12 meses deve ser reclassificada para circulante a cada data-base.
  • Empréstimos a coligadas, controladas ou diretores — mútuos formalizados com prazo de pagamento superior a 12 meses. Sob o CPC 48, devem ser ajustados a valor presente se a taxa for inferior à de mercado.
  • Depósitos judiciais — valores depositados em juízo aguardando decisão. Mesmo se houver expectativa de retorno em prazo incerto, geralmente são classificados em RLP devido à incerteza temporal.
  • Tributos a recuperar — créditos de PIS/COFINS, ICMS, IRPJ/CSLL de longo prazo. A parcela com expectativa de uso em até 12 meses deve estar no circulante.
  • IR diferido ativo (créditos tributários) — regulado pelo CPC 32. Reconhecido quando há expectativa razoável de geração de lucros tributáveis futuros para uso do crédito.
  • Adiantamentos a fornecedores de longo prazo — pagamentos antecipados por bens ou serviços a serem recebidos em prazo superior a 12 meses (comum em compras de máquinas importadas com lead time longo).
  • Despesas antecipadas de LP — assinaturas e licenças com vigência superior a 12 meses (porção referente a período após 12 meses).

O que NÃO entra em RLP, embora seja erro comum: contas a receber operacionais de curto prazo (vai pro circulante), aplicações financeiras de liquidez imediata (circulante, mesmo que com vencimento futuro), estoques (sempre circulantes salvo exceções de ciclo operacional longo).

Investimentos: o subgrupo que confunde com Imobilizado

O subgrupo Investimentos do ativo não circulante reúne participações societárias permanentes (não destinadas à venda no curto prazo) e propriedades destinadas a obter rendimentos ou ganho de capital (não usadas operacionalmente pela empresa). É frequentemente confundido com o Imobilizado, mas o critério distintivo é claro: investimentos NÃO são usados na operação da empresa.

  • Participações em coligadas (>10% e <50% do capital votante) — mensuração pelo método de equivalência patrimonial (CPC 18 R2). O valor contábil acompanha a evolução do PL da investida proporcionalmente.
  • Participações em controladas (>50%) — em demonstrações individuais, equivalência patrimonial. Em demonstrações consolidadas, a controlada é consolidada linha a linha (CPC 36 R3).
  • Outras participações permanentes — empresas com menos de 10% do capital, sem influência significativa. Mensuração a valor justo (CPC 48).
  • Propriedade para investimento (CPC 28) — imóveis mantidos para auferir aluguel ou valorização, NÃO para uso próprio. Política de mensuração: custo (depreciação como imobilizado) ou valor justo (ganhos/perdas no resultado).
  • Obras de arte, antiguidades, joias — mantidas como reserva de valor, sem uso operacional. Valor justo geralmente.
  • Outros investimentos não classificáveis — ouro físico, criptomoedas mantidas longo prazo (em regulamentação no Brasil), royalties de longo prazo recebíveis.

Imobilizado: o coração do ativo não circulante na indústria

O Imobilizado é o subgrupo mais material do ativo não circulante na maioria das empresas — frequentemente entre 30% e 60% do ativo total em indústrias e infraestrutura. Reúne todos os bens tangíveis utilizados na operação com vida útil superior a 12 meses, conforme CPC 27 (R1).

  • Terrenos — vida útil indefinida, não sofrem depreciação. Devem ser segregados do valor do imóvel quando há edificação no mesmo terreno (sem segregação, depreciação seria sobre base errada).
  • Edificações — vida útil tipicamente de 25 a 50 anos. Inclui galpões, escritórios próprios, fábricas, lojas, centros de distribuição. Depreciação linear é a regra.
  • Máquinas, equipamentos e instalações industriais — vida útil entre 5 e 20 anos. Sob o CPC 27, componentes significativos com vidas úteis diferentes devem ser depreciados separadamente (componentização).
  • Veículos — vida útil de 5 anos (leves) a 10 anos (pesados). Frota corporativa, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas (tratores, colheitadeiras).
  • Móveis, utensílios e equipamentos de informática — 5 a 10 anos. Mobiliário, computadores, impressoras, equipamentos de TI.
  • Obras em andamento — bens em construção ou montagem. NÃO depreciam até a entrada em operação. Quando o ativo entra em uso, é transferido para a classe definitiva e inicia depreciação.
  • Ativo de direito de uso (ROU) — desde 2019, todo contrato de arrendamento (>12 meses) gera um ROU no imobilizado (CPC 06 R2). Depreciado pelo prazo do contrato ou vida útil do ativo, o menor.

Intangível: o subgrupo de maior crescimento

O subgrupo Intangível reúne ativos não monetários sem substância física que geram benefícios econômicos futuros. Regulado pelo CPC 04 (R1) — equivalente à IAS 38, é o subgrupo de maior crescimento nos balanços brasileiros, refletindo a transformação para economia do conhecimento e a relevância crescente de marcas, software, patentes e relacionamento com clientes.

Intangível típicoVida útil característicaComo entra no balanço
Software comprado de terceiros5 anos (geralmente)Custo de aquisição
Software desenvolvido internamente5-10 anosCustos da fase de desenvolvimento (não pesquisa)
Marcas adquiridasIndefinida (com teste anual de impairment)Custo de aquisição ou valor justo em PPA
PatentesVida legal restante (até 20 anos)Custo de aquisição ou desenvolvimento
Carteira de clientes adquirida5-15 anos (taxa de attrition)Valor justo em PPA (CPC 15)
Contratos com clientes (de aquisição)Prazo do contratoValor justo em PPA
Goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade)Vida indefinida — não amortizaDiferença entre preço pago e valor justo dos ativos identificáveis em combinação de negócios
Direitos autorais e propriedade intelectualVida legal ou econômicaCusto de aquisição ou desenvolvimento

Crucial: o CPC 04 (R1) proíbe a contabilização de intangíveis gerados internamente em três categorias específicas — marcas, listas de clientes e títulos de publicação. Eles só entram no balanço se forem ADQUIRIDOS de terceiros ou se gerados em combinação de negócios. Isso explica porque uma empresa como a Coca-Cola tem o valor de sua marca no balanço da Coca-Cola México (adquirida em 2003), mas a marca matriz não aparece nas demonstrações da The Coca-Cola Company.

Apresentação no balanço patrimonial: ordem e estrutura

A apresentação do ativo não circulante segue convenção contábil estabelecida no Brasil pela Lei 6.404/76 e respaldada pelo CPC 26 (R1). A ordem dos subgrupos é fixa: Realizável a Longo Prazo, Investimentos, Imobilizado, Intangível. Dentro de cada subgrupo, os itens são geralmente apresentados em ordem decrescente de liquidez ou em classes técnicas reconhecíveis.

Em demonstrações comparativas (mínimo de dois períodos exigidos pelo CPC 26), as linhas devem manter classificação consistente. Reclassificações entre subgrupos exigem apresentação retroativa e divulgação em nota explicativa explicando a natureza, motivo e impacto.

Exemplos práticos por setor

O perfil do ativo não circulante varia drasticamente entre setores. Esses exemplos ilustram como a composição reflete o modelo de negócio.

SetorComposição típica do ANCFoco analítico
Indústria pesada (siderúrgica, papel)70% Imobilizado, 10% Intangível, 10% Investimentos, 10% RLPVida útil, taxa de utilização, impairment dos ativos produtivos
Varejo de moda40% Imobilizado (ROU lojas), 30% Intangível (marca, software), 20% RLP (depósitos), 10% InvestimentosROI por loja, vida útil das benfeitorias
Mineração80% Imobilizado (jazidas, equipamentos), 10% Intangível (direitos), 5% Investimentos, 5% RLPReservas minerais provadas, vida útil das minas
Tecnologia/SaaS20% Imobilizado (servidores, escritórios), 50% Intangível (software, goodwill), 20% Investimentos, 10% RLPCusto de desenvolvimento capitalizado, impairment do goodwill
Construção civil50% Imobilizado (máquinas), 20% RLP (contas a receber LP), 20% Estoques (terrenos), 10% InvestimentosTributos a recuperar, ciclo operacional longo
Bancos20% Imobilizado (agências), 60% RLP (operações de crédito LP), 15% Investimentos, 5% IntangívelProvisão para perdas (PCLD), classificação de operações de crédito
Concessionárias (energia, rodovias)85% Imobilizado (infraestrutura concedida), 10% Intangível (direito de concessão), 5% RLPCPC 17 (concessões), reavaliação periódica

Mensuração e baixa de itens do ativo não circulante

A mensuração de itens do ativo não circulante segue o CPC específico de cada classe, mas há princípios comuns. Inicialmente, todo item é mensurado pelo custo de aquisição (ou valor justo em alguns casos como PPA em combinação de negócios). Subsequentemente, vem a redução por depreciação, amortização ou impairment conforme a natureza.

  • Depreciação — aplicável ao imobilizado tangível com vida útil definida (exceto terrenos). Métodos aceitos: linha reta (mais comum), saldo decrescente, unidades produzidas, horas de serviço.
  • Amortização — aplicável a intangíveis com vida útil definida. Linear é a regra geral. Intangíveis de vida indefinida (marcas, goodwill) NÃO amortizam, mas exigem teste anual de impairment.
  • Impairment (CPC 01) — exigido sempre que há indicadores de perda (queda de demanda, obsolescência, mudanças de regulação) e anualmente para goodwill, intangíveis de vida indefinida e intangíveis não disponíveis para uso. O valor recuperável é o maior entre valor em uso (DCF) e valor justo menos custo de venda.
  • Baixa por alienação — desreconhecimento contábil quando o ativo é vendido, sucateado ou doado. Ganho/perda é a diferença entre o valor recebido (ou zero, em descarte) e o valor contábil líquido.
  • Reclassificação para mantido para venda (CPC 31 / IFRS 5) — quando a venda é altamente provável em até 12 meses, o ativo migra para o circulante e é mensurado pelo menor entre valor contábil e valor justo menos custo de venda. Para de depreciar nesse momento.

Reclassificação circulante ↔ não circulante a cada data-base

Talvez o ponto operacional mais sensível: a cada data-base do balanço, todos os créditos do RLP devem ser revisados para verificar se há parcelas vencíveis em até 12 meses — que devem ser reclassificadas para o ativo circulante. Da mesma forma, contas a receber inicialmente classificadas como circulantes mas que foram renegociadas para prazos superiores a 12 meses devem migrar para o RLP.

Esquecer essa reclassificação é o erro mais comum em empresas de menor porte e tem efeito direto em indicadores: o índice de liquidez geral parece pior do que é (porque o numerador subestima ativos próximos do vencimento) e o índice de liquidez corrente parece melhor do que é (porque ativos longos contam como se fossem curtos). Auditores das Big Four sempre conferem essa reclassificação no fechamento anual.

Diferenças entre ativo circulante e ativo não circulante

AspectoAtivo CirculanteAtivo Não Circulante
Prazo de realização≤ 12 meses ou no ciclo operacional> 12 meses ou permanente
Composição típicaCaixa, contas a receber, estoques, despesas antecipadasBens de uso operacional, intangíveis, investimentos permanentes
Mensuração predominanteValor justo ou realizável líquidoCusto histórico ajustado
Movimentação esperadaAlta — rotaciona no ciclo operacionalBaixa — permanece por anos
Indicadores afetadosLiquidez corrente, liquidez seca, capital de giroLiquidez geral, ROA, ROIC, índice de imobilização
CPCs aplicáveisCPC 16 (estoques), CPC 12 (AVP), CPC 48 (instrumentos)CPC 27, CPC 28, CPC 04, CPC 01, CPC 06 R2
Risco de impairmentBaixo — exceto contas a receber duvidosasAlto — exposição contínua a perdas de valor recuperável

Impacto na análise financeira

A estrutura do ativo não circulante afeta diretamente diversos indicadores usados por analistas, investidores e credores. Erros de classificação distorcem esses indicadores e podem levar a decisões equivocadas sobre concessão de crédito, aquisição da empresa ou política de dividendos.

  • Índice de Liquidez Geral = (Ativo Circulante + Realizável a Longo Prazo) ÷ (Passivo Circulante + Passivo Não Circulante). Mede capacidade de pagar todas as obrigações com todos os ativos realizáveis.
  • Índice de Imobilização do Patrimônio Líquido = Imobilizado ÷ Patrimônio Líquido. Mostra quanto do capital próprio está aplicado em ativos de baixa liquidez. Valores acima de 80% sinalizam dependência de capital de terceiros para giro.
  • Retorno sobre Ativos (ROA) = Lucro Líquido ÷ Ativo Total. Quanto maior o ativo não circulante sem geração de lucro proporcional, pior o ROA. Sinaliza eventual necessidade de impairment ou alienação de ativos improdutivos.
  • Retorno sobre Capital Investido (ROIC) = NOPAT ÷ Capital Investido (Imobilizado + Intangível + Capital de Giro). Combina rentabilidade operacional com produtividade do capital.
  • Giro do Ativo = Receita Líquida ÷ Ativo Total. Mede produtividade do investimento total. Setores com alto ANC (concessionárias) têm giro naturalmente baixo; setores de serviços têm giro alto.
  • Cobertura de juros e capacidade de endividamento — credores usam o ativo não circulante como base para análise de garantias reais e capacidade de absorver dívida de longo prazo.

Estruture seu ativo não circulante com conformidade técnica e laudo aceito por auditoria

A CPCON realiza diagnóstico patrimonial completo, conciliação físico-contábil, segregação correta entre subgrupos do ANC, mensuração CPC/IFRS e preparação para auditoria — com 30 anos de experiência e equipe Big Four-trained.

Solicitar Diagnóstico Patrimonial

Equipe ex-Big 4 · Laudos aceitos por PwC, Deloitte, KPMG e EY · 4.500 projetos realizados

Perguntas Frequentes

O que é ativo não circulante?
Ativo não circulante é o grupo de contas do balanço patrimonial que reúne bens e direitos com prazo de realização superior a 12 meses, ou que se mantêm na empresa permanentemente para suporte da atividade operacional. Inclui quatro subgrupos pela Lei 6.404/76 (art. 178): Realizável a Longo Prazo, Investimentos, Imobilizado e Intangível. A base regulatória técnica é o CPC 26 (R1), itens 60 a 76, que define quando um ativo é circulante (qualquer um dos critérios: realização no ciclo operacional, mantido para negociação, realizável em até 12 meses, ou caixa/equivalente sem restrição) — todo o restante é não circulante.
Quais são os 4 subgrupos do ativo não circulante?
Os quatro subgrupos do ativo não circulante são: (1) Realizável a Longo Prazo (RLP) — direitos com vencimento superior a 12 meses, como empréstimos a coligadas, depósitos judiciais, IR diferido, contas a receber de longo prazo; (2) Investimentos — participações societárias permanentes em coligadas/controladas, propriedades para investimento (CPC 28), obras de arte; (3) Imobilizado — bens tangíveis de uso operacional como terrenos, edificações, máquinas, veículos, móveis, ativo de direito de uso (ROU) sob o CPC 06 R2; (4) Intangível — ativos sem substância física como marcas, patentes, software, carteira de clientes, contratos, goodwill. Cada subgrupo segue um CPC específico para mensuração e divulgação.
Qual a diferença entre ativo circulante e ativo não circulante?
A linha divisória é o prazo de 12 meses (ou ciclo operacional, se maior). Ativo circulante: realizável em até 12 meses (caixa, contas a receber operacionais, estoques, despesas antecipadas, aplicações financeiras de liquidez imediata). Ativo não circulante: prazo de realização superior a 12 meses ou uso permanente (imobilizado, intangível, investimentos, RLP). Em termos de mensuração, circulante tende a ser valor justo ou realizável líquido; não circulante tende a custo histórico ajustado por depreciação/amortização/impairment. Em termos de rotação, o circulante gira no ciclo operacional, o não circulante permanece por anos. A classificação errada distorce índices de liquidez e indicadores como ROA, ROIC e índice de imobilização.
O que é Realizável a Longo Prazo?
O Realizável a Longo Prazo (RLP) é o primeiro subgrupo do ativo não circulante. Reúne direitos da empresa com prazo de recebimento superior a 12 meses contados da data do balanço. Itens típicos: contas a receber de longo prazo (vendas plurianuais), empréstimos a coligadas e controladas com prazo superior a 1 ano, depósitos judiciais aguardando decisão, tributos a recuperar (PIS/COFINS, ICMS, IRPJ/CSLL) de longo prazo, créditos tributários (IR diferido ativo do CPC 32), adiantamentos a fornecedores de bens com lead time longo, despesas antecipadas referentes a período superior a 12 meses. A cada data-base, parcelas que passaram para vencimento em até 12 meses devem ser reclassificadas para o ativo circulante — esquecer isso é o erro contábil mais comum no RLP.
Imóvel próprio entra no Imobilizado ou em Investimentos?
Depende da finalidade do uso. Se o imóvel é utilizado nas operações da empresa (fábrica, escritório, loja, centro de distribuição), entra no Imobilizado e segue o CPC 27 (R1) — mensurado pelo custo histórico menos depreciação. Se o imóvel é mantido para auferir aluguel de terceiros ou para valorização do capital (sem uso operacional próprio), entra no subgrupo Investimentos como propriedade para investimento, regida pelo CPC 28. A política de mensuração subsequente do CPC 28 pode ser custo (igual ao CPC 27) ou valor justo (ganhos/perdas no resultado, sem depreciação) — a escolha vincula todas as propriedades para investimento da entidade. Imóveis de uso misto (parte operacional, parte alugada a terceiros) devem ser segregados quando possível, ou classificados pelo uso predominante.
Goodwill sofre depreciação ou amortização?
Não. Goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura) é classificado como intangível de vida útil indefinida e NÃO sofre amortização, conforme CPC 04 (R1). Em vez disso, é submetido obrigatoriamente a teste anual de impairment (recuperabilidade) regulado pelo CPC 01 (R1), além de teste sempre que surgirem indicadores de perda. Se o valor recuperável da unidade geradora de caixa (UGC) que contém o goodwill ficar abaixo do valor contábil, a perda é reconhecida imediatamente no resultado e NÃO pode ser revertida em períodos posteriores (irreversibilidade específica do goodwill, diferente de outros impairments). Goodwill é tipicamente reconhecido em combinação de negócios (CPC 15 R1) como a diferença entre o preço pago e o valor justo dos ativos identificáveis menos passivos assumidos.
Valor Mínimo para Ativo Imobilizado: Regras 2026
Contabilidade

Valor Mínimo para Ativo Imobilizado: Regras 2026

O valor mínimo para capitalização de ativo imobilizado é uma decisão de política contábil que impacta balanço, resultado e tributos. Entenda os critérios do CPC 27, veja faixas praticadas no mercado e saiba como definir o threshold ideal para sua empresa.

Ler artigo
Custo das Mercadorias Vendidas (CMV): precisão contábil
Contabilidade

Custo das Mercadorias Vendidas (CMV): precisão contábil

O CMV é o principal componente da demonstração de resultado e o indicador mais direto da eficiência operacional de uma empresa comercial ou industrial. Um erro de 1% no CMV de uma varejista com R$ 5 bilhões de receita representa R$ 50 milhões de impacto na margem bruta, com efeito em cascata no EBITDA, no IRPJ e no CSLL.

Ler artigo
Nota fiscal de serviço: o que é, como emitir e evitar erros
Contabilidade

Nota fiscal de serviço: o que é, como emitir e evitar erros

NFS-e errada não é só multa, é retrabalho contábil, glosas em contratos corporativos e risco de responsabilidade solidária do tomador de serviço. Entender o que vai na nota, quando o ISS é retido e como registrar o serviço no ativo do tomador é o que diferencia gestão fiscal proativa de apagamento de incêndio.

Ler artigo
Ativo Imobilizado: O Que É, Classificação e Exemplos 2026
Conformidade

Ativo Imobilizado: O Que É, Classificação e Exemplos 2026

Ativo imobilizado mal classificado não é apenas erro contábil — é passivo fiscal, distorção de resultado e ponto de ressalva de auditor. Entender o conceito do CPC 27, os critérios de reconhecimento, as regras de depreciação, o tratamento de melhorias vs. manutenções e o CFOP correto da venda é a base para demonstrações financeiras confiáveis e conformidade plena.

Ler artigo
Tipos de Inventário: Classificação, Aplicação e Exemplos 2026
Gestão Patrimonial

Tipos de Inventário: Classificação, Aplicação e Exemplos 2026

Inventário não é tarefa única — é família de processos contábeis e operacionais com objetivos distintos. Conhecer cada tipo de inventário (físico, contábil, ABC, rotativo, anual, MRO, hospitalar, intermitente, permanente, parcial) permite à empresa escolher o método certo para cada classe de ativo ou estoque, reduzir custos de contagem e aumentar a confiabilidade dos saldos contábeis.

Ler artigo
Ajuste de Avaliação Patrimonial: Como Contabilizar
Contabilidade

Ajuste de Avaliação Patrimonial: Como Contabilizar

O Ajuste de Avaliação Patrimonial (AAP) é a contrapartida no patrimônio líquido das variações de valor justo de ativos e passivos. Saber quando e como contabilizá-lo é essencial para demonstrações financeiras em conformidade com as normas CPC.

Ler artigo
WJ

Wendell Jeveaux

Consultoria Patrimonial | Grupo CPCON

Com 30 anos de história à frente do Grupo CPCON, Wendell Jeveaux lidera projetos de gestão de ativos, RFID e consultoria patrimonial para grandes empresas no Brasil, México e EUA. Responsável por mais de 4.500 projetos realizados em diversas indústrias.

Nota de transparência: Este artigo reflete a experiência prática da equipe CPCON. Recomendamos validar decisões contábeis e fiscais com seu auditor ou contador responsável.

Precisa de Apoio Especializado?

30 anos de história e 4.500 projetos realizados a serviço da sua empresa.

Ativo Não Circulante: Classificação, Exemplos e Apresentação 2026