O que é o Impairment Test e por que ele é obrigatório no Brasil
O impairment test (teste de recuperabilidade de ativos) é o procedimento contábil que verifica se o valor pelo qual um ativo está registrado no balanço é superior ao valor que a empresa conseguiria recuperar com seu uso ou venda. Quando isso ocorre, a empresa deve reconhecer uma perda por desvalorização (impairment loss) no resultado do período.
No Brasil, o teste é regulamentado pelo CPC 01 (R1) — Redução ao Valor Recuperável de Ativos, que é a versão brasileira do IAS 36 do IASB. A norma é obrigatória para todas as empresas que adotam as normas contábeis brasileiras convergidas com as IFRS, incluindo companhias abertas, grandes empresas e entidades reguladas. Para PMEs, a NBC TG 1001 traz versão simplificada.
Ponto crítico: o CPC 01 exige que o teste seja realizado ao menos uma vez por ano para ativos com vida útil indefinida (como goodwill e marcas) e sempre que houver indícios de desvalorização para os demais ativos. Ignorar essa obrigação pode resultar em balanços distorcidos, autuações da CVM e qualificações de auditoria.
Quais ativos estão sujeitos ao impairment test
O CPC 01 se aplica a praticamente todos os ativos não financeiros da empresa. Veja o escopo completo e as exceções:
| Tipo de Ativo | Sujeito ao CPC 01? | Frequência do Teste | Norma Específica |
|---|---|---|---|
| Imobilizado (máquinas, equipamentos, imóveis) | Sim | Quando houver indícios | CPC 01 + CPC 27 |
| Intangíveis com vida útil definida | Sim | Quando houver indícios | CPC 01 + CPC 04 |
| Intangíveis com vida útil indefinida (marcas, licenças) | Sim | Anualmente (obrigatório) | CPC 01 + CPC 04 |
| Goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura) | Sim | Anualmente (obrigatório) | CPC 01 + CPC 15 |
| Investimentos em controladas e coligadas | Sim | Quando houver indícios | CPC 01 + CPC 18 |
| Ativos biológicos (plantas produtoras) | Sim | Quando houver indícios | CPC 01 + CPC 29 |
| Estoques | Não — norma própria | — | CPC 16 (valor realizável líquido) |
| Ativos financeiros | Não — norma própria | — | CPC 48 (IFRS 9) |
| Ativos de imposto diferido | Não — norma própria | — | CPC 32 |
| Ativos de planos de benefícios a empregados | Não — norma própria | — | CPC 33 |
Indicadores de desvalorização: quando realizar o teste
Para ativos com vida útil definida, o CPC 01 exige que a empresa avalie ao final de cada período de reporte se há indícios de que um ativo possa ter sofrido desvalorização. Se houver qualquer indício, o teste deve ser realizado imediatamente. Os indicadores se dividem em externos e internos:
| Categoria | Indicador | Exemplo Prático |
|---|---|---|
| Externo | Queda significativa no valor de mercado do ativo | Imóvel industrial com valor de mercado 30% abaixo do valor contábil |
| Externo | Mudanças adversas no ambiente tecnológico, econômico ou legal | Nova regulamentação que torna equipamento obsoleto |
| Externo | Aumento nas taxas de juros de mercado | Alta da Selic que eleva a taxa de desconto e reduz o valor em uso |
| Externo | Valor de mercado da empresa inferior ao patrimônio líquido contábil | Ação negociada abaixo do book value por mais de 2 trimestres |
| Interno | Evidência de obsolescência ou dano físico | Equipamento com desgaste acelerado ou acidente que reduziu capacidade |
| Interno | Mudanças significativas no uso do ativo | Linha de produção paralisada ou ativo ocioso por mais de 12 meses |
| Interno | Desempenho econômico do ativo pior que o esperado | Fluxo de caixa gerado pelo ativo 40% abaixo do projetado no orçamento |
| Interno | Planos de descontinuação ou reestruturação | Decisão de fechar unidade de negócio que usa o ativo |
Conceito central: valor recuperável
O valor recuperável de um ativo é o maior entre dois valores: o valor justo líquido de despesas de venda (VJLV) e o valor em uso (VU). A lógica é simples: a empresa recupera o valor do ativo ou vendendo-o (VJLV) ou continuando a usá-lo (VU). O CPC 01 determina que se use o maior dos dois, pois representa a melhor alternativa econômica disponível.
| Conceito | Definição | Como Calcular | Quando Usar |
|---|---|---|---|
| Valor Justo Líquido de Despesas de Venda (VJLV) | Preço que seria recebido na venda do ativo em transação ordenada, menos custos de venda | Preço de mercado − comissões − custos de desmontagem − impostos sobre ganho | Quando há mercado ativo para o ativo ou transações comparáveis recentes |
| Valor em Uso (VU) | Valor presente dos fluxos de caixa futuros esperados do uso contínuo do ativo | VPL dos fluxos de caixa projetados, descontados pela taxa que reflete o risco do ativo | Quando o ativo é essencial para a operação e não há intenção de venda |
| Valor Recuperável | O maior entre VJLV e VU | max(VJLV, VU) | Sempre — é o valor que define se há impairment |
| Valor Contábil (VC) | Valor pelo qual o ativo está registrado no balanço | Custo histórico − depreciação acumulada − perdas anteriores | Base de comparação com o valor recuperável |
| Perda por Impairment | Diferença quando VC > Valor Recuperável | VC − Valor Recuperável | Reconhecida no resultado quando VC > VR |
Passo a passo: como realizar o impairment test
O processo de impairment test envolve seis etapas principais, desde a identificação dos ativos até o registro contábil da perda. Veja o fluxo completo:
Metodologia Completa do Impairment Test (CPC 01 / IAS 36)
- 1Identificar os ativos sujeitos ao teste: levantar todos os ativos imobilizados, intangíveis e investimentos, verificando se há indícios de desvalorização ou se o teste é obrigatório (goodwill, intangíveis com vida útil indefinida).
- 2Definir a Unidade Geradora de Caixa (UGC): quando não for possível estimar o valor recuperável de um ativo individualmente, agrupá-lo na menor UGC que gera entradas de caixa independentes.
- 3Calcular o Valor Contábil (VC): apurar o valor líquido contábil do ativo ou da UGC (custo histórico menos depreciação acumulada e perdas anteriores de impairment).
- 4Calcular o Valor Justo Líquido de Despesas de Venda (VJLV): pesquisar preços de mercado para ativos comparáveis, deduzindo custos estimados de venda (comissões, desmontagem, impostos sobre ganho de capital).
- 5Calcular o Valor em Uso (VU): projetar os fluxos de caixa futuros esperados do ativo ou UGC e descontá-los pela taxa de desconto adequada (WACC ou taxa livre de risco ajustada ao risco do ativo).
- 6Determinar o Valor Recuperável: selecionar o maior entre VJLV e VU.
- 7Comparar Valor Contábil com Valor Recuperável: se VC > VR, há perda por impairment; se VC ≤ VR, não há perda a reconhecer.
- 8Reconhecer a perda por impairment: registrar a diferença (VC − VR) como despesa no resultado do período, reduzindo o valor contábil do ativo.
- 9Alocar a perda na UGC: se o teste foi feito na UGC, alocar a perda primeiro ao goodwill e depois proporcionalmente aos demais ativos da UGC.
- 10Revisar a vida útil e a taxa de depreciação: após o reconhecimento da perda, revisar se a vida útil e o método de depreciação ainda são adequados.
- 11Divulgar nas notas explicativas: informar os eventos que levaram ao reconhecimento da perda, o valor recuperável, a metodologia utilizada e as premissas-chave.
- 12Avaliar reversão em períodos futuros: verificar anualmente se as condições que geraram a perda se alteraram (exceto para goodwill — a reversão de impairment de goodwill é vedada pelo CPC 01).
Unidade Geradora de Caixa (UGC): quando e como usar
Na maioria dos casos práticos, não é possível estimar o valor recuperável de um ativo isoladamente, pois ele não gera fluxos de caixa independentes. Nesses casos, o CPC 01 exige que o teste seja realizado na Unidade Geradora de Caixa (UGC) — o menor grupo de ativos que gera entradas de caixa independentes das demais unidades da empresa.
| Situação | Nível do Teste | Exemplo | Observação |
|---|---|---|---|
| Ativo gera fluxos independentes | Ativo individual | Imóvel alugado para terceiros | Teste direto no ativo |
| Ativo integrado à operação | UGC | Linha de produção completa | Menor grupo com fluxos independentes |
| Goodwill alocado a segmento | UGC ou grupo de UGCs | Divisão de negócios adquirida | Nível máximo: segmento operacional |
| Ativo corporativo (sede, TI central) | UGC + alocação proporcional | Servidor central de TI | Alocar proporcionalmente às UGCs beneficiadas |
| Empresa com operação única | Empresa como um todo | PME com uma única linha de negócio | Toda a empresa é a UGC |
Como calcular o Valor em Uso (VU): projeção de fluxos de caixa
O cálculo do Valor em Uso é a etapa mais técnica e subjetiva do impairment test. O CPC 01 estabelece requisitos específicos para as projeções de fluxo de caixa e para a taxa de desconto. Veja as principais regras:
| Elemento | Regra do CPC 01 | Boa Prática |
|---|---|---|
| Horizonte de projeção | Máximo de 5 anos (exceto se justificado) | Usar orçamento aprovado pela administração para os primeiros 5 anos |
| Taxa de crescimento na perpetuidade | Não pode exceder a taxa de crescimento de longo prazo do setor | Usar taxa conservadora (2%–4% para o Brasil) |
| Fluxos de caixa incluídos | Entradas e saídas operacionais do ativo/UGC | Excluir fluxos de financiamento e impostos sobre o lucro |
| Fluxos de caixa excluídos | Reestruturações futuras não comprometidas, melhorias futuras | Usar condições atuais do ativo, não melhorias planejadas |
| Taxa de desconto | Taxa antes de impostos que reflita o risco específico do ativo | WACC pré-imposto ajustado ao risco do ativo ou da UGC |
| Moeda | Mesma moeda dos fluxos de caixa projetados | Consistência entre fluxos e taxa de desconto |
| Sensibilidade | Divulgar premissas-chave e análise de sensibilidade | Testar variações de ±10% nas premissas principais |
Exemplo prático: impairment test em uma linha de produção
Para ilustrar a aplicação do CPC 01, considere uma indústria com uma linha de produção que apresentou queda de 35% na receita nos últimos 12 meses devido à entrada de concorrente com tecnologia superior. Os dados são:
| Dado | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Valor contábil da UGC (linha de produção) | R$ 8.500.000 | Balanço patrimonial |
| Valor justo de mercado dos equipamentos | R$ 4.200.000 | Laudo de avaliação de mercado |
| Custos estimados de desmontagem e venda | R$ 380.000 | Orçamento de empresa especializada |
| VJLV (Valor Justo Líquido de Despesas de Venda) | R$ 3.820.000 | R$ 4.200.000 − R$ 380.000 |
| Fluxo de caixa projetado — Ano 1 | R$ 1.200.000 | Orçamento aprovado pela diretoria |
| Fluxo de caixa projetado — Ano 2 | R$ 1.350.000 | Orçamento aprovado pela diretoria |
| Fluxo de caixa projetado — Ano 3 | R$ 1.450.000 | Orçamento aprovado pela diretoria |
| Fluxo de caixa projetado — Ano 4 | R$ 1.500.000 | Orçamento aprovado pela diretoria |
| Fluxo de caixa projetado — Ano 5 | R$ 1.550.000 | Orçamento aprovado pela diretoria |
| Taxa de crescimento na perpetuidade | 3,0% | Taxa de crescimento do setor |
| Taxa de desconto (WACC pré-imposto) | 14,5% | Calculada pelo departamento financeiro |
| Valor em Uso (VPL dos fluxos + perpetuidade) | R$ 6.180.000 | Calculado pelo modelo de DCF |
| Valor Recuperável (maior entre VJLV e VU) | R$ 6.180.000 | max(R$ 3.820.000, R$ 6.180.000) |
| Perda por Impairment | R$ 2.320.000 | R$ 8.500.000 − R$ 6.180.000 |
Neste exemplo, a empresa deve reconhecer uma perda por impairment de R$ 2.320.000 no resultado do período, reduzindo o valor contábil da UGC de R$ 8.500.000 para R$ 6.180.000. O lançamento contábil é: débito em "Perda por Redução ao Valor Recuperável" (resultado) e crédito em "Redução ao Valor Recuperável Acumulada" (ativo).
Impairment de goodwill: regras especiais
O goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura) tem tratamento especial no CPC 01. Por não gerar fluxos de caixa independentes, o goodwill deve ser alocado às UGCs ou grupos de UGCs que se beneficiam das sinergias da combinação de negócios. O teste de impairment do goodwill tem características únicas:
| Característica | Regra CPC 01 | Impacto Prático |
|---|---|---|
| Frequência do teste | Anualmente — obrigatório, independente de indícios | Não pode ser postergado mesmo sem sinais de desvalorização |
| Nível do teste | UGC ou grupo de UGCs que recebeu a alocação do goodwill | Pode ser testado no nível do segmento operacional |
| Reversão de perda | Vedada pelo CPC 01 — perda de goodwill é permanente | Diferente dos demais ativos, onde reversão é permitida |
| Alocação da perda | Primeiro ao goodwill, depois proporcionalmente aos demais ativos da UGC | Goodwill é o primeiro a absorver perdas |
| Divulgação | Premissas-chave, taxa de desconto, taxa de crescimento, análise de sensibilidade | Exigência de divulgação mais detalhada que outros ativos |
| Teste simplificado | Permitido se valor recuperável claramente superior ao contábil | Documentar a avaliação qualitativa que suporta a dispensa do teste quantitativo |
Precisa de laudo de impairment test para o seu balanço?
A CPCON realiza laudos de avaliação patrimonial e impairment test com metodologia aceita pelas Big Four e pela CVM, em conformidade com CPC 01 e IAS 36.
Solicitar Laudo de Impairment30 anos de história · 4.500 projetos realizados · Laudos aceitos por auditores independentes
Taxa de desconto no impairment test: como calcular corretamente
A taxa de desconto é um dos elementos mais críticos e controversos do impairment test. O CPC 01 exige que a taxa reflita o valor do dinheiro no tempo e os riscos específicos do ativo ou da UGC, e que seja calculada antes dos impostos (pré-imposto). Na prática, a maioria das empresas parte do WACC pós-imposto e o converte para pré-imposto.
| Componente | Descrição | Referência de Mercado (Brasil, 2026) |
|---|---|---|
| Taxa livre de risco | Rendimento de título soberano de longo prazo | NTN-B 2035: ~6,5% a.a. (IPCA + spread) |
| Prêmio de risco de mercado | Retorno adicional exigido pelo mercado acionário | 5,0%–7,0% a.a. (estimativa para o Brasil) |
| Beta do setor | Sensibilidade do ativo ao risco sistemático do mercado | Varia por setor: 0,7 (utilities) a 1,5 (tecnologia) |
| Prêmio de risco país | Risco adicional do Brasil vs. mercado desenvolvido | CDS Brasil 5 anos: ~2,0%–2,5% a.a. |
| Custo de capital próprio (Ke) | Taxa livre de risco + beta × prêmio de risco + risco país | Estimativa: 14%–18% a.a. (varia por setor) |
| Custo de dívida (Kd) | Taxa média ponderada dos empréstimos da empresa | CDI + spread: ~12%–16% a.a. |
| WACC pós-imposto | Média ponderada de Ke e Kd (pós-IR/CSLL) | Estimativa: 12%–16% a.a. |
| WACC pré-imposto (para CPC 01) | WACC pós-imposto ÷ (1 − alíquota efetiva de IR/CSLL) | Estimativa: 16%–22% a.a. (alíquota ~34%) |
Atenção: a taxa de desconto deve ser específica para o ativo ou UGC testado, não a taxa geral da empresa. Ativos com risco diferente do risco médio da empresa (ex.: ativo em mercado emergente, ativo com tecnologia obsoleta) exigem ajuste adicional na taxa.
Reversão de perda por impairment: quando é permitida
O CPC 01 permite a reversão de perdas por impairment reconhecidas em períodos anteriores, desde que haja evidência de que as condições que geraram a perda se alteraram. A reversão é limitada ao valor contábil que o ativo teria se a perda nunca tivesse sido reconhecida (ou seja, o valor contábil líquido de depreciação normal). A exceção é o goodwill: a reversão de impairment de goodwill é expressamente vedada.
| Situação | Reversão Permitida? | Limite da Reversão | Registro Contábil |
|---|---|---|---|
| Ativo imobilizado com perda anterior | Sim — se condições melhoraram | Valor contábil sem a perda (líquido de depreciação) | Crédito no resultado (receita de reversão) |
| Intangível com vida útil definida | Sim — se condições melhoraram | Valor contábil sem a perda (líquido de amortização) | Crédito no resultado (receita de reversão) |
| Intangível com vida útil indefinida | Sim — se condições melhoraram | Valor contábil sem a perda | Crédito no resultado (receita de reversão) |
| Goodwill | Não — vedado pelo CPC 01 | — | Não aplicável |
| UGC com goodwill alocado | Parcialmente — apenas para ativos não-goodwill | Limitado ao valor contábil sem a perda de cada ativo | Crédito no resultado para ativos não-goodwill |
Divulgação em notas explicativas: o que o CPC 01 exige
O CPC 01 tem exigências detalhadas de divulgação em notas explicativas. A falta de divulgação adequada é uma das principais causas de qualificação de auditoria e de questionamentos da CVM. Veja o que deve ser divulgado:
| Situação | O que Divulgar | Nível de Detalhe |
|---|---|---|
| Perda por impairment reconhecida | Valor da perda, ativo/UGC afetado, evento que gerou a perda, valor recuperável e metodologia | Por ativo ou UGC material |
| Reversão de perda reconhecida | Valor da reversão, ativo/UGC, evento que gerou a reversão, novo valor contábil | Por ativo ou UGC material |
| Goodwill e intangíveis com vida útil indefinida | Premissas-chave, taxa de desconto, taxa de crescimento, análise de sensibilidade | Obrigatório mesmo sem perda |
| UGC com goodwill alocado | Valor do goodwill alocado, valor contábil da UGC, valor recuperável, metodologia | Por UGC ou grupo de UGCs |
| Análise de sensibilidade | Variação razoável nas premissas que zeraria a margem de segurança | Obrigatório para UGCs com goodwill |
| Ativos sem perda mas com margem estreita | Divulgar se variação razoável nas premissas levaria a perda | Recomendado pelo CPC 01 |
Impairment test e a Reforma Tributária: conexão com IBS/CBS
A Reforma Tributária (LC 214/2025) introduz mudanças que podem gerar novos indícios de impairment para determinados ativos. A transição para o IBS/CBS altera a base depreciável, o fluxo de caixa esperado e o valor de mercado de alguns ativos. Veja as principais conexões:
| Impacto da Reforma Tributária | Conexão com Impairment | Ação Necessária |
|---|---|---|
| Crédito imediato de IBS/CBS sobre novos ativos | Reduz o custo líquido de aquisição → base depreciável menor | Revisar o valor contábil de ativos adquiridos a partir de 2027 |
| Extinção gradual do ICMS (2029–2032) | Ativos com crédito de CIAP residual podem ter valor recuperável alterado | Revisar o valor dos créditos de CIAP no ativo circulante |
| Mudança na carga tributária efetiva por setor | Setores com alíquota IBS/CBS maior que ICMS+PIS/COFINS podem ter fluxo de caixa reduzido | Atualizar as projeções de fluxo de caixa nas UGCs afetadas |
| Regimes especiais extintos ou alterados | Empresas que perderam benefícios fiscais podem ter ativos desvalorizados | Verificar se há indícios de impairment nos ativos das unidades afetadas |
| Mudança na base depreciável (CPC 27) | Ativos com base depreciável reduzida geram menos despesa de depreciação | Revisar o valor em uso das UGCs com ativos adquiridos a partir de 2027 |
Erros comuns no impairment test
Erros Críticos a Evitar no Impairment Test (CPC 01 / IAS 36)
- Não realizar o teste anual obrigatório para goodwill e intangíveis com vida útil indefinida, mesmo sem indícios de desvalorização.
- Usar taxa de desconto pós-imposto em vez de pré-imposto, como exige o CPC 01, subestimando a taxa e inflando o valor em uso.
- Incluir fluxos de caixa de melhorias futuras não comprometidas nas projeções, violando o CPC 01 e inflando o valor em uso.
- Não definir corretamente a UGC, agrupando ativos que não geram fluxos de caixa independentes ou separando ativos interdependentes.
- Usar taxa de crescimento na perpetuidade acima da taxa de crescimento de longo prazo do setor, inflando artificialmente o valor em uso.
- Não alocar o goodwill às UGCs corretas, realizando o teste no nível errado e perdendo a comparabilidade com períodos anteriores.
- Reverter perda de impairment de goodwill, o que é expressamente vedado pelo CPC 01.
- Não divulgar adequadamente as premissas-chave e a análise de sensibilidade nas notas explicativas, gerando qualificação de auditoria.
- Realizar o teste apenas quando há pressão de auditores, sem processo interno estruturado de monitoramento de indícios.
- Não revisar a vida útil e a taxa de depreciação após o reconhecimento da perda, mantendo parâmetros inconsistentes com o novo valor contábil.
Boas práticas para o impairment test
Boas Práticas para Conduzir o Impairment Test com Qualidade
- Estabelecer processo formal e documentado de monitoramento de indícios de impairment, revisado trimestralmente pela equipe contábil.
- Definir e documentar as UGCs no início do exercício, antes de qualquer teste, garantindo consistência entre períodos.
- Usar orçamentos aprovados pela administração como base para as projeções de fluxo de caixa, com evidência de aprovação formal.
- Calcular a taxa de desconto com metodologia documentada e revisada anualmente, preferencialmente com apoio de especialista em avaliação.
- Realizar análise de sensibilidade nas premissas-chave (taxa de desconto, taxa de crescimento, receita projetada) e documentar os resultados.
- Contratar laudo de avaliação independente para ativos materiais ou UGCs com goodwill significativo, especialmente em anos de pressão de resultado.
- Integrar o processo de impairment test com o planejamento estratégico e o orçamento anual, usando as mesmas premissas macroeconômicas.
- Manter inventário patrimonial atualizado para garantir que o valor contábil dos ativos reflita a realidade física e operacional.
- Documentar formalmente a decisão de não realizar o teste quantitativo (quando aplicável o teste simplificado), com evidências da avaliação qualitativa.
- Treinar a equipe contábil e financeira para identificar indícios de impairment no dia a dia, não apenas no fechamento anual.
KPIs para monitorar o processo de impairment test
KPIs Sugeridos para Gestão do Processo de Impairment Test
Como a CPCON apoia o impairment test
Com 30 anos de história e 4.500 projetos realizados em avaliação e gestão de ativos, o Grupo CPCON oferece suporte completo para o processo de impairment test, desde o inventário patrimonial até a emissão do laudo de avaliação aceito por auditores independentes e pela CVM.
- Inventário patrimonial completo para garantir que o valor contábil dos ativos reflita a realidade física e operacional.
- Laudos de avaliação patrimonial (valor justo e valor em uso) em conformidade com CPC 01, CPC 46, IAS 36 e IFRS 13.
- Cálculo do Valor em Uso com modelo de DCF documentado, premissas justificadas e análise de sensibilidade.
- Definição e documentação das UGCs, com alocação de goodwill e ativos corporativos.
- Suporte à divulgação em notas explicativas, garantindo conformidade com as exigências do CPC 01.
- Revisão do processo de impairment test existente, identificando gaps e oportunidades de melhoria.
- Treinamento das equipes contábil e financeira em CPC 01 / IAS 36 e melhores práticas de mercado.
Nossos laudos são aceitos pelas principais firmas de auditoria independente (Big Four e mid-tier) e pela CVM, e seguem as normas ABNT NBR 14653, CPC 46 (IFRS 13) e IAS 36. Entre em contato para conhecer os modelos de engajamento disponíveis.
Sua empresa está com o impairment test em dia?
Evite qualificações de auditoria e distorções no balanço. A CPCON realiza laudos de impairment test com metodologia robusta e aceita pelos principais auditores do mercado.
Falar com Especialista em Impairment30 anos de história · 4.500 projetos realizados · Sem compromisso
Perguntas Frequentes
O que é o impairment test e quem é obrigado a realizá-lo?
Com que frequência o impairment test deve ser realizado?
O que é o valor recuperável e como ele é calculado?
O que é uma Unidade Geradora de Caixa (UGC)?
A perda por impairment pode ser revertida em períodos futuros?
Qual taxa de desconto usar no cálculo do Valor em Uso?
O que deve ser divulgado nas notas explicativas sobre o impairment test?
Como a Reforma Tributária (IBS/CBS) afeta o impairment test?
A CPCON emite laudos de impairment test aceitos por auditores?
Qual a diferença entre impairment test e depreciação?
Wendell Jeveaux
CEO | Grupo CPCON
Com 30 anos de história à frente do Grupo CPCON, Wendell Jeveaux lidera projetos de gestão de ativos, RFID e consultoria patrimonial para grandes empresas no Brasil, México e EUA. Responsável por mais de 4.500 projetos realizados em diversas indústrias.
Nota de transparência: Este artigo reflete a experiência prática da equipe CPCON. Recomendamos validar decisões contábeis e fiscais com seu auditor ou contador responsável.
Precisa de Apoio Especializado?
30 anos de história e 4.500 projetos realizados a serviço da sua empresa.
