Saber que o CFOP 5551 é a venda de bem do ativo imobilizado é a parte fácil. O que trava a nota e gera autuação está nos outros campos: CST, indicador de destino, informações adicionais e a baixa do bem no mesmo mês. Abaixo, uma NF-e preenchida campo a campo, a comparação com 5102, 5552 e 6551 e os erros que mais aparecem em auditoria.
Exemplo de NF-e com CFOP 5551 preenchida campo a campo
Cenário ilustrativo: uma indústria de Campinas (SP), no Lucro Presumido, vende para uma transportadora de Jundiaí (SP) uma empilhadeira usada que estava no seu imobilizado havia cinco anos. Custo histórico de 200.000, depreciação acumulada de 165.000 e preço de venda de 50.000.
| Campo da NF-e | Tag no XML | Valor no exemplo | Por quê |
|---|---|---|---|
| Natureza da operação | natOp | Venda de bem do ativo imobilizado | Descreve a operação; não use "Venda de mercadoria" |
| Tipo de operação | tpNF | 1 (saída) | É uma saída do estabelecimento vendedor |
| Finalidade | finNFe | 1 (normal) | Devolução usaria 4 |
| Indicador de destino | idDest | 1 (operação interna) | Vendedor e comprador em SP; CFOP iniciado em 5 exige idDest 1 |
| CFOP do item | CFOP | 5551 | Venda de bem do ativo imobilizado na mesma UF |
| NCM | NCM | O NCM do bem | Use a classificação do próprio bem, a mesma do cadastro |
| Valor do item | vProd | sob consulta | Preço de venda, não o valor contábil |
| Origem | orig | 0 (nacional) | Conforme a origem do bem; importado usa 1 ou 2 |
| CST ICMS | CST | 41 (não tributada) | Saída de bem do imobilizado em regra sem ICMS |
| Base e valor do ICMS | vBC / vICMS | 0,00 | Sem destaque de imposto |
| CST IPI | CST | 53 (saída não tributada) | O vendedor não é industrial em relação a esse bem |
| CST PIS e COFINS | CST | 08 (operação sem incidência) | Receita de venda do imobilizado fora da base |
| Informações complementares | infCpl | Venda de bem do ativo imobilizado, patrimônio nº 001234, adquirido pela NF-e nº 12.345 de 10/03/2021. ICMS: não incidência, RICMS/SP, art. 7º, XIV. | Identifica o bem e a base legal; facilita a baixa e a defesa em fiscalização |
Na contabilidade, no mesmo mês da nota: baixa do custo de 200.000 e da depreciação acumulada de 165.000, entrada de 50.000 no caixa e ganho de capital de 15.000 (50.000 menos o valor contábil de 35.000). No Lucro Presumido, esse ganho é somado integralmente à base do IRPJ e da CSLL. Empresa do Simples Nacional usa CSOSN 400 no lugar do CST ICMS 41.
O CST 41 e o texto das informações complementares dependem do RICMS da UF do vendedor. Alguns estados condicionam a não incidência ao tempo de uso do bem. Confira o dispositivo do seu estado antes de parametrizar o ERP.
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CFOP 5551 x 5102 x 5552 x 6551: qual usar
Os quatro códigos são confundidos com frequência. O que separa um do outro é o que está saindo (mercadoria ou bem de uso), se a propriedade muda de dono e onde está o destinatário.
| CFOP | Descrição oficial | Quando usar | ICMS (em regra) | Efeito contábil |
|---|---|---|---|---|
| 5551 | Venda de bem do ativo imobilizado | Venda do bem de uso para comprador da mesma UF | Não incide (CST 41) | Baixa do bem e ganho ou perda de capital |
| 5102 | Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros | Revenda de mercadoria do estoque | Tributado conforme a mercadoria | Receita bruta e custo da mercadoria vendida |
| 5552 | Transferência de bem do ativo imobilizado | Envio do bem para outro estabelecimento da mesma empresa, mesma UF | Não incide na transferência entre estabelecimentos do mesmo titular (ADC 49; LC 204/2023) | Sem resultado; o bem muda de estabelecimento |
| 6551 | Venda de bem do ativo imobilizado | Venda do bem de uso para comprador de outra UF | Não incide (CST 41); sem DIFAL e sem ST | Baixa do bem e ganho ou perda de capital |
- 5551 x 5102: se o bem estava no imobilizado e foi usado na atividade, é 5551. Se foi comprado para revender e estava no estoque, é 5102. Usar 5102 na venda de imobilizado faz o ERP calcular ICMS e lançar receita bruta indevidamente.
- 5551 x 5552: venda para outra empresa, mesmo que do grupo e com CNPJ base diferente, é 5551. Envio para filial com o mesmo CNPJ base é 5552, sem venda.
- 5551 x 6551: a única diferença é a UF do comprador. Mesma UF, 5551 com idDest 1. Outra UF, 6551 com idDest 2.
- 5551 x 5949: o 5949 é residual e só vale quando não existe código próprio. Venda de imobilizado tem código próprio.
| Cenário | CFOP | idDest | Observação |
|---|---|---|---|
| Vendedor em SP, comprador em SP | 5551 | 1 (interna) | Venda intraestadual padrão |
| Vendedor em SP, comprador no RJ | 6551 | 2 (interestadual) | Sem DIFAL, porque não há ICMS a diferenciar |
| Vendedor em MG, comprador em MG | 5551 | 1 (interna) | Venda intraestadual padrão |
| Matriz em SP, filial em SP (mesmo CNPJ base) | 5552 | 1 (interna) | Não é venda, é transferência |
| Empresa em SP vende ao comprador da Argentina | 7551 | 3 (exterior) | Exportação do bem usado |
A tabela com todos os códigos do imobilizado (compra 1551, 2551 e 3551; transferência 5552, 6552 e 2552; devolução 1553 e 6553) está no guia de CFOP do ativo imobilizado. O detalhe da venda interestadual está no guia do CFOP 6551.
O que é o CFOP 5551 e quando usar
CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) é o código que identifica a natureza de cada operação na nota fiscal. O primeiro dígito indica o destino: 5 para operações dentro do estado, 6 para outra UF e 7 para o exterior. O CFOP 5551 tem a descrição oficial "Venda de bem do ativo imobilizado" e vale quando o vendedor e o comprador estão na mesma UF e o bem estava registrado no imobilizado (CPC 27 / NBC TG 27).
As condições são cumulativas: há venda (não transferência, doação ou empréstimo); o bem estava no imobilizado, e não no estoque para revenda; e comprador e vendedor estão na mesma UF. Para o IRPJ, bens de até 1.200 por unidade ou com vida útil de até um ano podem ser lançados direto como despesa (art. 313 do RIR/2018); acima disso, ou conforme a política contábil da empresa, o bem vai para o imobilizado.
- Renovação de frota: a empresa vende picapes com quatro anos de uso para uma concessionária do mesmo estado.
- Substituição de equipamento industrial: uma prensa antiga é vendida para um revendedor local.
- Desmobilização: uma filial encerra a atividade e vende móveis e equipamentos para outra empresa do mesmo estado.
- Obsolescência: notebooks substituídos são vendidos para uma revenda de usados local.
Quando NÃO usar o CFOP 5551
- Comprador em outro estado: use 6551.
- Transferência entre filiais da mesma empresa: use 5552 (mesma UF) ou 6552 (outra UF).
- Doação do bem, sem preço: use o código próprio de remessa em doação conforme o caso.
- Bem que nunca esteve no imobilizado, e sim no estoque: use o CFOP de venda de mercadoria.
- Envio para conserto (5915), comodato (5908) ou uso fora do estabelecimento (5554): não há venda.
Erros comuns na NF-e com CFOP 5551
7 erros que geram rejeição, autuação ou retrabalho
- Tributar como mercadoria: emitir com CST ICMS 00 e recolher imposto que não era devido.
- Esquecer a baixa contábil: a nota sai, o dinheiro entra e o bem continua no imobilizado, depreciando.
- Usar 5949 ("outra saída") por comodidade, expondo a operação a questionamento fiscal.
- Usar 5551 quando o comprador é de outra UF (o correto é 6551) ou informar idDest incompatível com o CFOP: a SEFAZ rejeita a nota.
- Vender com 5551 um bem que nunca foi imobilizado: sem registro contábil, a operação pode ser reclassificada como venda de mercadoria.
- Não emitir nota porque a venda é esporádica: toda saída com transferência de propriedade exige NF-e.
- Lançar o valor da venda como receita operacional: o resultado da venda do imobilizado é ganho ou perda de capital.
Como contabilizar a venda com CFOP 5551
A venda do imobilizado não é receita operacional: é apuração de ganho ou perda de capital. Os lançamentos acontecem no mesmo período da emissão da nota.
- 1Baixa do bem: débito em Depreciação Acumulada e crédito em Imobilizado pelo valor da depreciação; débito em uma conta de resultado de baixa de imobilizado e crédito em Imobilizado pelo valor contábil restante.
- 2Recebimento: débito em Caixa, Banco ou Clientes contra uma conta de Outras Receitas (não Receita Bruta).
- 3Resultado: a diferença entre o valor recebido e o valor contábil é ganho de capital (se positiva) ou perda de capital (se negativa).
No exemplo da empilhadeira, o ganho de 15.000 entra na base do IRPJ e da CSLL. No Lucro Real, IRPJ de 15%, adicional de 10% sobre o que exceder 240.000 por ano, e CSLL de 9%. No Lucro Presumido, o ganho de capital é somado integralmente à base, fora do percentual de presunção.
Tributação do CFOP 5551: ICMS, PIS, COFINS e IPI
ICMS: não incidência em regra
O ICMS incide sobre a circulação de mercadorias, e o bem de uso não é mercadoria. Os regulamentos estaduais tratam a saída do imobilizado como não incidência; em São Paulo, o art. 7º, inciso XIV, do RICMS/2000 (Decreto 45.490/2000). O CST usual é o 41. Não incidência é diferente de isenção: na primeira o fato gerador não ocorre; na segunda ele ocorre, mas a lei dispensa o pagamento.
PIS e COFINS
A receita da venda de bem do imobilizado fica fora da base no regime cumulativo (Lei 9.718/98, art. 3º, § 2º) e no não cumulativo (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, art. 1º, § 3º). Na nota, CST 08. No não cumulativo, verifique os créditos tomados na compra do bem. Detalhes em PIS/COFINS na venda de ativo imobilizado.
IPI e Simples Nacional
Quando o vendedor não é industrial em relação ao bem, não há IPI: CST 53. No Simples Nacional, a venda de imobilizado não entra na receita bruta do DAS (CSOSN 400), e o eventual ganho de capital é tributado à parte, em DARF próprio.
Como configurar o CFOP 5551 no ERP (SAP e Protheus)
Parametrização errada no ERP é a origem mais comum dos problemas com o CFOP 5551. Os pontos de atenção são parecidos nos dois sistemas.
SAP (S/4HANA e ECC)
- 1Determinação do CFOP no customizing da localização Brasil, combinando tipo de operação (venda de imobilizado), destino (mesma UF) e tipo de item (ativo, não material de revenda).
- 2Leis fiscais (tax laws): ICMS sem cálculo (CST 41), IPI não tributado (CST 53) e PIS/COFINS sem incidência (CST 08).
- 3Integração com o Asset Accounting (FI-AA): a venda deve baixar o ativo com resultado de ganho ou perda, por exemplo pela transação F-92 (baixa com venda a cliente) ou ABAON (venda sem cliente).
- 4Transmissão da NF-e pela solução de nota fiscal eletrônica homologada.
Protheus (TOTVS)
- 1Cadastro de um TES (Tipo de Entrada e Saída, rotina MATA080) vinculado ao CFOP 5551.
- 2No TES: ICMS, IPI e PIS/COFINS sem cálculo, com os CST correspondentes.
- 3Produto vendido identificado como bem do ativo no cadastro.
- 4Baixa do bem no módulo Ativo Fixo (SIGAATF) no mesmo período da nota, com lançamento contábil de baixa.
Nos dois sistemas, a baixa do ativo é o passo mais esquecido. A NF-e sai correta, mas o bem continua no imobilizado, gerando depreciação fantasma e divergência entre físico e contábil no fechamento.
Por que o CFOP 5551 depende da gestão de ativos
- 1A baixa exige saber exatamente qual bem está sendo vendido, com número de patrimônio, valor contábil e depreciação acumulada. Base desatualizada significa baixa errada.
- 2Depois da venda, o bem precisa sair do controle físico (plaqueta, localização) e do contábil. Sem inventário recorrente, sobram bens vendidos que ainda aparecem nos controles.
- 3O ganho ou a perda de capital depende da depreciação correta. Vida útil só pela tabela genérica distorce o resultado.
A avaliação de ativos e o inventário patrimonial, apoiado por tecnologia como o RFID UHF, mantêm a base limpa para que cada venda com CFOP 5551 tenha a baixa correspondente. Para o conceito de ativo imobilizado segundo o CPC 27, veja o guia conceitual; para todos os códigos em um só lugar, a tabela de CFOP do ativo imobilizado.
Como a CPCON apoia a venda e a baixa de imobilizado
- Avaliação dos bens a vender, com laudo aderente ao CPC 27 / NBC TG 27.
- Conciliação físico-contábil prévia: o bem existe, está identificado e tem registro contábil consistente.
- Revisão da depreciação acumulada e da vida útil, para o ganho ou a perda de capital saírem corretos.
- Apoio à classificação fiscal (CFOP, CST) junto com a equipe contábil-fiscal do cliente.
- Atualização do controle patrimonial após a venda, incluindo retirada de etiquetas RFID quando houver.
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Perguntas Frequentes
O que é o CFOP 5551?
Como preencher a NF-e com CFOP 5551?
CFOP 5551 paga ICMS?
Qual a diferença entre CFOP 5551 e 5102?
Qual a diferença entre CFOP 5551 e 5552?
Qual a diferença entre CFOP 5551 e 6551?
Posso usar CFOP 5551 em empresa do Simples Nacional?
O que acontece se eu emitir NF-e com CFOP 5551 e o bem nunca foi imobilizado?
Venda de ativo imobilizado paga imposto de renda?
Qual a alíquota aplicável ao CFOP 5551?
Preciso emitir nota fiscal ao vender um equipamento usado de baixo valor?
Qual o procedimento contábil da venda de imobilizado, passo a passo?
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Nota de transparência: Este artigo reflete a experiência prática da equipe CPCON. Recomendamos validar decisões contábeis e fiscais com seu auditor ou contador responsável.
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