Ativos tangíveis são bens com existência física que a empresa controla (imóveis, máquinas, veículos, estoques); ativos intangíveis são recursos sem substância física, identificáveis e controlados, dos quais se esperam benefícios econômicos futuros (marcas, patentes, software, licenças, goodwill). A distinção entre bens tangíveis e intangíveis não é semântica: define o pronunciamento contábil aplicável (CPC 27, 28, 16 e 29 para tangíveis; CPC 04 para intangíveis), a forma de baixar o valor ao longo do tempo (depreciação para tangíveis, amortização para intangíveis de vida útil definida), a vida útil (sempre definida nos tangíveis, exceto terrenos; definida ou indefinida nos intangíveis) e o regime de impairment. Classificar errado propaga erro por toda a demonstração financeira e expõe a empresa em auditoria e fiscalização. Este guia consolida o conceito, as diferenças, os exemplos por setor, a avaliação de marcas e goodwill e o passo a passo de classificação.
1. O que são ativos: a base conceitual
Sob a estrutura conceitual do CPC 00 R2 (alinhada ao IFRS Conceptual Framework de 2018), um ativo é um recurso econômico presente controlado pela entidade como resultado de eventos passados, do qual se espera a geração de benefícios econômicos futuros. Antes de separar tangível de intangível, vale fixar os três grandes blocos em que os ativos se dividem por sua natureza:
| Tipo de ativo | Característica | Exemplos |
|---|---|---|
| Ativos tangíveis | Possuem existência física, são palpáveis | Imóveis, máquinas, veículos, estoques, rebanhos |
| Ativos intangíveis | Sem substância física, identificáveis e controlados | Marcas, patentes, software, licenças, goodwill |
| Ativos financeiros | Direitos contratuais de receber caixa ou outro ativo | Caixa, contas a receber, aplicações, ações, debêntures |
Este guia trata dos dois primeiros — tangíveis e intangíveis —, que juntos formam o patrimônio operacional da empresa e são o objeto do controle patrimonial. Os ativos financeiros (direitos contratuais regidos pelos CPC 38, 39 e 40) têm lógica própria e ficam fora do escopo. Para o lugar de cada um na estrutura das demonstrações, ver ativo e passivo no balanço patrimonial.
2. O que são bens tangíveis
Bens tangíveis são ativos com existência física, palpáveis, controlados pela empresa e capazes de gerar benefícios econômicos futuros. São o patrimônio "que se pode tocar": o imóvel da sede, a máquina na linha de produção, o veículo da frota, o estoque no armazém. O conjunto dos tangíveis se desdobra em quatro subcategorias contábeis, cada uma com seu pronunciamento e seu tratamento:
| Categoria de ativo tangível | Norma | O que é | Exemplos |
|---|---|---|---|
| Imobilizado | CPC 27 | Bens de uso operacional próprio, vida útil > 12 meses | Imóveis de uso próprio, máquinas, veículos, móveis, TI |
| Propriedade para Investimento | CPC 28 | Imóveis mantidos para aluguel ou valorização | Prédios alugados a terceiros, terrenos para valorizar |
| Estoques | CPC 16 | Bens para venda ou consumo na produção | Mercadorias, matérias-primas, produtos acabados |
| Ativos Biológicos | CPC 29 | Animais e plantas vivos | Rebanhos, lavouras perenes, florestas plantadas |
O ativo imobilizado é, de longe, a categoria mais relevante de bem tangível na maioria das empresas: regido pelo CPC 27, abrange terrenos, edificações, máquinas, equipamentos, veículos, móveis, instalações e computadores mantidos para uso na produção, no fornecimento de bens e serviços, no aluguel a terceiros ou em fins administrativos, com expectativa de uso por mais de um período. As demais categorias — propriedade para investimento (CPC 28), estoques (CPC 16) e ativos biológicos (CPC 29) — também são tangíveis, mas seguem regras de mensuração próprias. Para o conceito completo de cada uma, com mensuração inicial, depreciação e impairment, consulte o nosso guia específico de ativos tangíveis e gestão patrimonial.
3. O que são bens intangíveis
Bens intangíveis são ativos não monetários sem substância física, identificáveis e controlados pela empresa, dos quais se esperam benefícios econômicos futuros. A definição é do CPC 04 R1 (equivalente à IAS 38). O ponto sensível dos intangíveis não é a ausência de física — é a exigência de três critérios cumulativos para que possam ser reconhecidos como ativo no balanço:
- Identificabilidade — o intangível é separável (pode ser vendido, licenciado ou transferido de forma autônoma) ou decorre de direito contratual ou legal (uma patente, uma licença, um contrato). Isso o distingue do goodwill, que não é separável.
- Controle — a empresa tem poder de obter os benefícios futuros do recurso e de restringir o acesso de terceiros a eles (tipicamente por direito legal: registro de marca, patente, direito autoral, cláusula contratual).
- Mensuração confiável — o custo do intangível pode ser medido com confiabilidade. É por esse critério que marcas e carteiras de clientes geradas internamente NÃO vão ao balanço (custo não isolável), mas as adquiridas sim.
A consequência prática é importante: a empresa que constrói uma marca forte ao longo de décadas não a registra como ativo, porque o custo se confunde com a operação inteira; mas se ela compra outra empresa e, junto, a marca dessa empresa, essa marca adquirida é reconhecida pelo valor justo. É a assimetria entre intangível gerado internamente (vedado) e intangível adquirido (reconhecido) que explica por que tantas empresas valem, no mercado, muito mais do que o seu patrimônio contábil. A gestão e a mensuração desse valor invisível são o tema do nosso guia de gestão de ativos intangíveis.
Tipos de ativos intangíveis
- Marcas e nomes comerciais — registradas no INPI, podem ter vida útil indefinida (não amortizam, sofrem impairment) enquanto a empresa pretender renovar o registro e a marca gerar benefícios.
- Patentes e tecnologia — direito de exploração exclusiva por prazo legal definido; amortizadas ao longo da vida útil (vigência da patente).
- Software — adquirido ou desenvolvido internamente (custos da fase de desenvolvimento capitalizáveis; pesquisa é despesa); geralmente amortizado.
- Licenças, concessões e franquias — direitos de uso ou exploração por prazo contratual; amortizados pelo prazo do contrato.
- Direitos autorais e propriedade intelectual — obras, conteúdos, fórmulas, know-how protegido.
- Carteira de clientes adquirida — relacionamento com clientes obtido em combinação de negócios; amortizada pela vida útil estimada da relação.
- Fundo de comércio e ponto comercial — direito sobre o ponto e a clientela a ele associada.
- Goodwill (ágio por rentabilidade futura) — reconhecido apenas em combinações de negócios; vida útil indefinida, não amortiza, impairment anual.
4. Diferença entre ativos tangíveis e intangíveis
A diferença entre ativo tangível e intangível começa na existência física, mas se ramifica por todo o tratamento contábil. A tabela abaixo consolida, lado a lado, os aspectos que mudam — e é a referência prática para classificar e tratar cada bem:
| Aspecto | Ativos Tangíveis | Ativos Intangíveis |
|---|---|---|
| Existência física | Sim — palpáveis | Não — sem substância física |
| Pronunciamento principal | CPC 27, CPC 28, CPC 16, CPC 29 | CPC 04 R1 (IAS 38) |
| Critério de reconhecimento | Controle + benefício econômico esperado | Identificável + controlado + mensurável |
| Baixa do valor no tempo | Depreciação | Amortização (vida útil definida) ou nenhuma (indefinida) |
| Vida útil | Sempre definida (exceto terrenos) | Definida (amortiza) ou indefinida (impairment) |
| Impairment recorrente | Apenas quando há indicativos de perda | Anual obrigatório para indefinidos e goodwill (CPC 01 §10) |
| Reavaliação / valor justo | Modelo permitido (CPC 27/28) | Reavaliação só com mercado ativo (raríssimo) |
| Gerado internamente | Capitalizado pelo custo de construção | Em regra vedado (marca, carteira, goodwill internos) |
| Exemplos típicos | Imóveis, máquinas, veículos, estoques | Marcas, patentes, software, licenças, goodwill |
Duas linhas dessa tabela merecem destaque por serem as mais cobradas em prova e as que mais geram erro na prática: a baixa do valor no tempo (depreciação × amortização, tratada na seção 6) e a vida útil definida × indefinida (tratada na seção 7). Para a comparação entre o imobilizado tangível e o intangível, em profundidade, ver também o que é ativo intangível e a diferença para o imobilizado.
5. Exemplos de ativos tangíveis e intangíveis por setor
A teoria fixa melhor com exemplos reais. O tipo de ativo que domina o balanço varia conforme o setor — e essa variação é, ela própria, uma informação sobre o modelo de negócio. A tabela abaixo mostra, por setor, os tangíveis e os intangíveis típicos:
| Setor | Ativos tangíveis típicos | Ativos intangíveis típicos |
|---|---|---|
| Indústria / Manufatura | Plantas, máquinas, linhas de produção, estoques | Patentes de processo, software industrial, marcas |
| Energia e Infraestrutura | Usinas, redes, subestações, equipamentos | Concessões, licenças ambientais, direitos de exploração |
| Varejo | Lojas, estoques, mobiliário, equipamentos de TI | Marca, ponto comercial, software de e-commerce, base de clientes |
| Tecnologia / Software | Servidores, equipamentos, escritórios | Software, propriedade intelectual, patentes, marca |
| Bens de Consumo de Marca | Fábricas, centros de distribuição, frota | Marcas (o ativo mais valioso), fórmulas, goodwill |
| Saúde / Hospitais | Equipamentos médicos, imóveis, instalações | Acreditações, software clínico, marca, carteira |
| Agronegócio | Terras, máquinas agrícolas, rebanhos, lavouras | Marcas, certificações, know-how genético |
| Serviços Profissionais | Escritórios, equipamentos de TI | Marca, capital intelectual, carteira de clientes, goodwill |
O contraste entre as pontas é didático: uma siderúrgica concentra valor em tangíveis (alto-forno, laminação, estoques de aço), enquanto uma fabricante de bebidas de marca pode ter, no seu intangível, mais valor do que em todas as suas fábricas somadas — a marca é o ativo. Empresas de tecnologia levam isso ao extremo: o ativo principal é o software e a propriedade intelectual. Saber onde está o valor orienta tanto o controle físico (crítico para tangíveis) quanto a avaliação patrimonial e o valuation (crítico para intangíveis).
6. Depreciação × amortização: como o valor é baixado
Depreciação e amortização são, no fundo, o mesmo mecanismo: a alocação sistemática do custo de um ativo ao resultado, ao longo de sua vida útil, à medida que seus benefícios econômicos são consumidos. O que muda é a natureza do ativo a que cada termo se aplica:
| Mecanismo | Aplica-se a | Norma | Métodos comuns |
|---|---|---|---|
| Depreciação | Ativos tangíveis (imobilizado) | CPC 27 | Linha reta, unidades produzidas, saldo decrescente |
| Amortização | Intangíveis de vida útil definida | CPC 04 | Linha reta (padrão), conforme padrão de consumo |
| Exaustão | Recursos minerais e florestais | CPC 29 / IFRS 6 | Em função das unidades extraídas/colhidas |
| Nenhuma (só impairment) | Intangíveis de vida útil indefinida e goodwill | CPC 01 | Teste de recuperabilidade anual obrigatório |
Tanto o CPC 27 (§60-62) quanto o CPC 04 exigem que o método escolhido reflita o padrão esperado de consumo dos benefícios econômicos do ativo — não é livre escolha. A linha reta é a mais usada em ambos. Para o cálculo passo a passo, com exemplos numéricos, veja depreciação: o que é e como calcular e os métodos de cálculo da depreciação; para a relação entre depreciação contábil e fiscal, contabilidade e depreciação.
O erro de classificação mais caro nessa fronteira é tratar como tangível (e depreciar) o que é intangível, ou amortizar um intangível de vida útil indefinida que deveria apenas sofrer impairment. Os dois distorcem o resultado: o primeiro pode aplicar taxa e método errados; o segundo reduz lucro indevidamente ao amortizar um ativo que a norma manda manter pelo custo. A revisão da vida útil — definida ou indefinida — é obrigatória pelo menos ao fim de cada exercício (CPC 27 §51 para tangíveis; CPC 04 para intangíveis).
7. Vida útil definida e indefinida
A vida útil é o período durante o qual se espera que o ativo gere benefícios econômicos para a empresa. A distinção entre vida útil definida e indefinida é o que separa, no tratamento de longo prazo, um intangível amortizável de um intangível submetido a impairment:
| Característica | Vida útil definida | Vida útil indefinida |
|---|---|---|
| Significado | Período limitado e estimável de benefícios | Sem limite previsível (não significa infinita) |
| Tratamento | Depreciação (tangível) ou amortização (intangível) | Não deprecia nem amortiza |
| Controle do valor | Baixa sistemática + impairment se houver indício | Teste de impairment anual obrigatório |
| Exemplos tangíveis | Máquinas, veículos, edificações, equipamentos | Terrenos (única exceção tangível clássica) |
| Exemplos intangíveis | Patentes, licenças, software, carteira de clientes | Marcas consolidadas, goodwill |
| Revisão obrigatória | Revisar prazo, método e valor residual por exercício | Reavaliar a cada exercício se ainda é indefinida |
Atenção a "indefinida": ela não quer dizer eterna. A empresa deve reavaliar, a cada exercício, se a premissa de vida útil indefinida ainda se sustenta — se passar a ser definida (por exemplo, decisão de descontinuar uma marca), inicia-se a amortização prospectivamente, e a mudança é tratada como alteração de estimativa contábil. A revisão de vida útil dos tangíveis está detalhada em revisão de vida útil de ativos fixos (CPC 27).
8. Goodwill e avaliação de marcas e intangíveis
Entre os intangíveis, o goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura) é o caso mais sensível. Ele surge em combinações de negócios (CPC 15 R1): quando uma empresa adquire outra por valor superior ao valor justo dos seus ativos líquidos identificáveis, a diferença é o goodwill — o valor das sinergias, da reputação, da carteira de clientes e do capital humano que não podem ser reconhecidos isoladamente. Suas regras são próprias:
- Só existe quando adquirido — goodwill gerado internamente é vedado (CPC 04 §48). A empresa não pode reconhecer o "valor da sua própria reputação".
- Vida útil indefinida — não é amortizado.
- Impairment anual obrigatório — submetido a teste de recuperabilidade ao menos uma vez por ano, na unidade geradora de caixa a que foi alocado (CPC 01).
- Perda irreversível — uma vez reconhecida a perda por impairment do goodwill, ela não pode ser revertida em períodos seguintes, mesmo que o valor recupere.
A mensuração do goodwill e dos demais intangíveis adquiridos é feita no PPA (Purchase Price Allocation): o preço pago é alocado entre os ativos e passivos identificáveis a valor justo, e o resíduo é o goodwill. Esse exercício — e a avaliação isolada de marcas, patentes e carteiras — exige metodologia técnica e laudo independente. As três abordagens usuais são a da renda (com o royalty relief como método dominante para marcas), a de mercado e a de custo. O serviço de avaliação de marcas da CPCON mensura o valor de marcas para PPA, licenciamento, garantia e reestruturação societária; a avaliação de ativos cobre o conjunto de intangíveis e tangíveis a valor justo.
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9. Como classificar um ativo: passo a passo
Na prática, a dúvida raramente é filosófica — é "este bem específico, onde entra?". O roteiro abaixo resolve a classificação de qualquer ativo entre tangível e intangível e, dentro de cada um, na subcategoria correta:
- 11. Onde está o valor? Se o valor econômico reside em um bem físico (a máquina, o imóvel, o veículo), o ativo é tangível. Se reside em um direito ou recurso sem substância (a marca, o software, a licença, a patente), é intangível.
- 22. Cuidado com ativos mistos. Um software gravado em um servidor é intangível (o valor está no código, não no disco). Já o firmware indissociável de uma máquina que não opera sem ele integra o imobilizado (tangível). Decida pela substância predominante do valor.
- 33. Atende aos critérios de ativo? Para intangível, confirme identificabilidade, controle e mensuração confiável. Se faltar algum (caso típico de marca gerada internamente), o gasto vira despesa, não ativo. Para tangível, confirme controle e benefício econômico esperado.
- 44. Defina a subcategoria e o CPC. Tangível: imobilizado (CPC 27), propriedade para investimento (CPC 28), estoque (CPC 16) ou ativo biológico (CPC 29), segundo o uso pretendido. Intangível: CPC 04, identificando a espécie (marca, patente, software, licença, goodwill).
- 55. Determine a vida útil e o regime de baixa. Definida → depreciação (tangível) ou amortização (intangível). Indefinida → sem baixa sistemática, com impairment anual (terrenos, marcas consolidadas, goodwill).
- 66. Documente em política patrimonial. Registre o critério de classificação, a subcategoria, a vida útil e o método. É a documentação que sustenta o tratamento perante auditoria e fiscalização — e que evita reclassificações de última hora no fechamento.
Esse roteiro só se sustenta, porém, se a empresa souber o que de fato possui. A classificação contábil pressupõe controle físico efetivo dos bens — sem inventário e identificação, não há como saber quais ativos existem, onde estão e em que uso. Para os tangíveis, esse controle se faz com inventário patrimonial e etiquetagem (código de barras ou RFID); para os intangíveis, com um registro estruturado de marcas, contratos, licenças e patentes. A ponte entre a classificação correta e a realidade física é o tema do nosso guia de RFID para inventário de ativos.
10. Impairment: comum a tangíveis e intangíveis
Tanto tangíveis quanto intangíveis estão sujeitos ao teste de recuperabilidade do CPC 01 R1 (Redução ao Valor Recuperável de Ativos): nenhum ativo pode permanecer no balanço por valor maior que o seu valor recuperável (o maior entre o valor em uso e o valor justo menos custo de venda). O que muda entre os dois é a frequência obrigatória do teste:
| Situação | Quando testar impairment |
|---|---|
| Tangíveis (imobilizado, PPI ao custo) | Apenas quando há indício de perda (mercado, obsolescência, dano) |
| Intangíveis de vida útil definida | Apenas quando há indício de perda |
| Intangíveis de vida útil indefinida | Anual obrigatório, independentemente de indício (CPC 01 §10) |
| Goodwill | Anual obrigatório, na unidade geradora de caixa; perda irreversível |
| Intangíveis ainda não disponíveis para uso | Anual obrigatório (em desenvolvimento) |
Para empresas de capital intensivo (energia, telecom, indústria, logística), o teste anual de impairment dos tangíveis, mesmo sem indício claro, é prática consagrada — a evidência da revisão protege em auditoria e em fiscalização. O detalhamento metodológico (unidade geradora de caixa, WACC pré-imposto, valor em uso) está em impairment de ativos (CPC 01 / IAS 36).
11. Impactos tributários da classificação
A classificação como tangível ou intangível — e a subcategoria escolhida — tem efeitos fiscais relevantes, sobretudo no Lucro Real:
IRPJ e CSLL
A depreciação de imobilizado (tangível) e a amortização de intangíveis de vida útil definida podem ser dedutíveis na apuração de IRPJ e CSLL no Lucro Real, respeitados os limites das taxas previstas na legislação. Diferenças entre a depreciação/amortização contábil e a fiscal são ajustadas na e-Lalur. A correta classificação e a revisão de vida útil determinam quanto a empresa pode deduzir — ver depreciação conforme a Receita Federal.
Créditos sobre o ativo (CIAP e Reforma Tributária)
O CIAP — crédito de ICMS sobre aquisição de imobilizado — aplica-se exclusivamente a bens tangíveis classificados como Imobilizado (CPC 27); bem classificado como estoque, ou um intangível, não dá direito a CIAP. Com a Reforma Tributária do Consumo (LC 214/2025), o regime transitório mantém o CIAP para créditos legados e introduz crédito amplo de IBS/CBS sobre novas aquisições de bens do ativo — apropriáveis no momento da compra para bens corretamente classificados. A relação entre imobilizado tangível e a apuração fiscal está em ativos fixos e reforma tributária.
12. Como a CPCON apoia a classificação e o controle de ativos
A CPCON atua na camada que torna a classificação contábil confiável — unindo a competência contábil (CPC 04, 16, 27, 28, 29 e 01) à execução de campo e à avaliação técnica:
Frente CPCON — classificação, controle e avaliação de ativos
- Inventário físico completo dos ativos tangíveis com etiquetagem RFID UHF ou código de barras — identificação única, localização e estado de cada bem.
- Conciliação física-contábil — confronto entre o que existe fisicamente e o que está registrado, com tratamento de ativos fantasmas e bens sem registro.
- Revisão da classificação contábil de cada ativo — tangível vs intangível e, nos tangíveis, imobilizado vs estoque vs propriedade para investimento.
- Avaliação de intangíveis e marcas — valor justo de marcas, patentes, carteiras e goodwill por royalty relief, fluxo de caixa descontado e PPA, com laudo independente.
- Cálculo de valor justo ou valor recuperável de tangíveis para teste de impairment ou reavaliação periódica.
- Componentização de bens complexos (CPC 27 §43-47) e revisão de vidas úteis e taxas — tangíveis e intangíveis.
- Documentação em política patrimonial, manual de procedimentos e laudos — defesa em auditoria externa e fiscalização.
O controle de ativos tangíveis é o objeto dos serviços de inventário de ativos fixos e consultoria patrimonial da CPCON, frequentemente combinados ao RFID para escala; a mensuração dos intangíveis é coberta pela avaliação de marcas e pela avaliação de ativos. Para aprofundar cada conceito, consulte os guias específicos: ativos tangíveis (CPC 27/28/16/29), ativo intangível: o que é (CPC 04), ativo imobilizado, o que são bens patrimoniais e o que é passivo para o outro lado do balanço.
13. Conclusão
A separação entre ativos tangíveis e intangíveis é uma das classificações fundadoras da contabilidade patrimonial. Ela começa na existência física, mas decide o pronunciamento aplicável, a forma de baixar o valor (depreciação para tangíveis, amortização para intangíveis de vida útil definida), a vida útil (definida ou indefinida) e o regime de impairment. Classificar corretamente cada bem — e documentar esse critério — é o que sustenta demonstrações financeiras confiáveis, apuração fiscal correta e aprovação do balanço sem ressalvas.
Mas a classificação só vale sobre uma base verdadeira: os tangíveis precisam de inventário e controle físico; os intangíveis, de registro estruturado e avaliação técnica. A CPCON apoia as duas frentes — do inventário patrimonial à avaliação de marcas e intangíveis — para que o patrimônio, físico e invisível, esteja corretamente classificado, mensurado e refletido na contabilidade.
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Perguntas Frequentes
O que são bens tangíveis e intangíveis?
Qual a diferença entre ativo tangível e intangível?
O que são bens tangíveis?
O que são bens intangíveis?
Quais são os exemplos de ativos tangíveis e intangíveis?
Qual a diferença entre depreciação e amortização?
Qual a diferença entre ativo tangível e ativo imobilizado?
Vida útil definida e indefinida: o que significa?
O que é goodwill (ágio) e como é tratado contabilmente?
Como classificar um ativo como tangível ou intangível?
Software é ativo tangível ou intangível?
Como avaliar o valor de uma marca ou de um ativo intangível?
Quais ativos NÃO são depreciados nem amortizados?
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Sócio do Grupo CPCON, Vice-Presidente de Operações CPCON Brasil, Diretor Técnico e CFO. Contador registrado CRC-SP, responsável tecnicamente pelos serviços de gestão patrimonial, avaliação de ativos, depreciação e conformidade contábil da CPCON em projetos no Brasil e exterior.
Nota de transparência: Este artigo reflete a experiência prática da equipe CPCON. Recomendamos validar decisões contábeis e fiscais com seu auditor ou contador responsável.
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