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Ativo biológico e valor justo: o que o CPC 29 exige na avaliação

Uma máquina entra no balanço pelo custo e é depreciada. Um boi, uma lavoura de soja ou uma floresta de eucalipto, não: eles crescem, se reproduzem e mudam de valor a cada safra. Por isso o CPC 29 exige que os ativos biológicos sejam medidos a valor justo, com as variações reconhecidas no resultado. Andre Gonçalves, sócio CPCON e contador CRC-SP, explica o conceito, a fronteira com o CPC 27 (plantas portadoras) e como se avalia rebanho, lavoura e floresta a valor justo.

WJ
Andre Gonçalves, Sócio, VP Operações Brasil, Diretor Técnico e CFO
25 de Agosto, 20268 min de leitura
Ativo Biológico e Valor Justo: O Que o CPC 29 Exige

Uma máquina entra no balanço pelo custo e é depreciada ao longo do tempo. Um boi, uma lavoura de soja ou uma floresta de eucalipto, não. Eles crescem, engordam, se reproduzem e mudam de valor a cada safra. Por isso a contabilidade trata esses bens de forma própria: o CPC 29 exige que os ativos biológicos sejam medidos a valor justo, e não pelo custo histórico.

Resposta rápida: pelo CPC 29 (alinhado à IAS 41), o ativo biológico (o animal ou a planta vivos) é medido pelo valor justo menos as despesas de venda, tanto no reconhecimento inicial quanto a cada balanço. As variações vão para o resultado do exercício. A exceção é quando o valor justo não pode ser medido de forma confiável, quando se admite o custo. As plantas portadoras (videira, cafezal, pomar) são tratadas pelo CPC 27, e não pelo CPC 29.

Para uma empresa do agronegócio, isso não é um detalhe técnico. É o que define o valor do maior grupo de ativos do balanço, a base para crédito rural, para o laudo de garantia e para a decisão de venda. Um ativo biológico mal avaliado distorce o patrimônio inteiro.

O que é ativo biológico e produto agrícola

O CPC 29, alinhado à norma internacional IAS 41, trata de dois conceitos ligados:

  • <strong>Ativo biológico:</strong> o animal ou a planta vivos. O boi no pasto, a lavoura em formação, a floresta em pé.
  • <strong>Produto agrícola:</strong> o produto colhido do ativo biológico. A carne, o grão de soja, a madeira, o leite no momento da ordenha.

A lógica é que esses bens passam por uma transformação biológica (crescimento, degeneração, produção e reprodução) que altera seu valor de forma contínua. Registrar apenas o custo esconderia essa mudança e daria um retrato falso do patrimônio.

Por que o CPC 29 exige valor justo, não o custo

A regra central é que o ativo biológico seja mensurado pelo valor justo menos as despesas de venda, tanto no reconhecimento inicial quanto a cada data de balanço. As variações desse valor vão direto para o resultado do exercício. Ou seja: se o rebanho engorda ou a floresta cresce, esse ganho aparece no resultado antes mesmo da venda.

A exceção que existe: quando o valor justo não pode ser mensurado de forma confiável, por ausência de mercado ativo e de outras referências, o CPC 29 admite mensurar o ativo pelo custo menos depreciação e perdas. É uma exceção, não a regra, e precisa ser justificada.

Plantas portadoras: a fronteira com o CPC 27

Nem toda planta é ativo biológico do CPC 29. As plantas portadoras, aquelas que produzem por vários anos e não são elas mesmas vendidas, como a videira, o cafezal, o pomar ou a seringueira, passaram a ser tratadas como ativo imobilizado, pelo CPC 27. Já o fruto que nasce delas, a uva, o café, a laranja, continua sendo produto agrícola do CPC 29.

Essa fronteira é uma das principais fontes de erro. Classificar mal a planta portadora leva a mensurar pelo critério errado e a distorcer tanto o resultado quanto o imobilizado.

No agronegócio, avaliar mal o rebanho ou a lavoura não muda uma linha do balanço. Muda o resultado inteiro do exercício.

Como se mede o valor justo de um ativo biológico

A mensuração segue a hierarquia de valor justo do CPC 46 / IFRS 13, do dado mais objetivo para o mais estimado:

  • <strong>Preço de mercado ativo:</strong> quando existe cotação para o ativo em seu estado atual, por exemplo, a arroba do boi gordo ou o preço da saca.
  • <strong>Referências de mercado ajustadas:</strong> preço de ativos semelhantes, ajustado por idade, peso, qualidade ou estágio da cultura.
  • <strong>Fluxo de caixa descontado:</strong> quando não há mercado direto, projeta-se a produção futura e traz-se a valor presente, com premissas documentadas.

Em todos os casos, o que a auditoria e o credor esperam é um laudo técnico, com metodologia reconhecida, premissas rastreáveis e um inventário confiável do que existe fisicamente. Sem saber quantas cabeças há no pasto ou quantos hectares estão em produção, não há valor justo que se sustente.

Como a CPCON apoia empresas do agronegócio

A avaliação de ativos biológicos une duas competências que a CPCON reúne há três décadas: o inventário físico rigoroso e o laudo de avaliação a valor justo. Na prática, isso significa contar e identificar o rebanho ou mapear as áreas em produção, e então mensurar esse patrimônio pela metodologia que o CPC 29 exige, de forma defensável perante a auditoria, os bancos e o Fisco.

O resultado é um balanço que reflete o valor real do que vive e cresce na operação, e um laudo que sustenta decisões de crédito, garantia e venda.

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Perguntas Frequentes

O que é ativo biológico segundo o CPC 29?
É o animal ou a planta vivos, como o rebanho, a lavoura ou a floresta em pé. O produto colhido desses ativos, como a carne, o grão ou a madeira, é o produto agrícola. Ambos são tratados pelo CPC 29, alinhado à IAS 41.
Por que o ativo biológico é avaliado a valor justo e não pelo custo?
Porque ele passa por transformação biológica contínua (cresce, engorda, produz) que muda seu valor. O CPC 29 exige mensurar pelo valor justo menos as despesas de venda, com as variações reconhecidas no resultado do exercício, para refletir essa mudança.
Toda planta é ativo biológico do CPC 29?
Não. As plantas portadoras, que produzem por vários anos sem serem vendidas (videira, cafezal, pomar), são tratadas como ativo imobilizado pelo CPC 27. Apenas o fruto que elas geram continua sendo produto agrícola do CPC 29.
Como se calcula o valor justo de um rebanho ou lavoura?
Pela hierarquia do CPC 46: preço de mercado ativo quando existe (arroba do boi, saca), referências de ativos semelhantes ajustadas, ou fluxo de caixa descontado quando não há mercado direto. Em todos os casos, é preciso um laudo técnico e um inventário físico confiável.

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Andre Gonçalves

Andre Gonçalves

Sócio, VP Operações Brasil, Diretor Técnico e CFO | Grupo CPCON

Contador Registrado CRC-SP

Sócio do Grupo CPCON, Vice-Presidente de Operações CPCON Brasil, Diretor Técnico e CFO. Contador registrado CRC-SP, responsável tecnicamente pelos serviços de gestão patrimonial, avaliação de ativos, depreciação e conformidade contábil da CPCON em projetos no Brasil e exterior.

Nota de transparência: Este artigo reflete a experiência prática da equipe CPCON. Recomendamos validar decisões contábeis e fiscais com seu auditor ou contador responsável.

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