Inventário

Inventário de Ativos: objetivos, metodologia e como fazer (do conceito ao laudo NBC TG 27)

Inventário patrimonial é o levantamento físico, a identificação única e a conciliação contábil dos bens que formam o ativo imobilizado da empresa — máquinas, equipamentos, móveis, veículos, edificações e instalações. É a base de demonstrações financeiras confiáveis, da depreciação correta, das baixas regulares e da conformidade com o CPC 27 / NBC TG 27. Diferente do inventário de estoque (CPC 16), o inventário patrimonial trata do ativo de longa duração e sustenta auditoria, SPED e CIAP. Andre Gonçalves, sócio CPCON e contador registrado CRC-SP, reúne neste pilar o conceito, os objetivos, os métodos (RFID e plaqueamento), as etapas, a conciliação físico-contábil, as normas, a decisão de terceirizar vs. interno e a planilha técnica.

WJ
Andre Gonçalves, Sócio, VP Operações Brasil, Diretor Técnico e CFO
12 de Janeiro, 202620 min de leitura
Inventário de Ativos: Metodologia NBC TG 27, Métodos e Conformidade (Guia 2026)

O inventário patrimonial é o processo formal que comprova, com evidência física, quais bens uma empresa realmente possui, onde estão, em que estado e por quanto estão registrados na contabilidade. É a fundação prática sobre a qual repousa todo o tratamento contábil do ativo imobilizado — e, ainda assim, é uma das rotinas mais negligenciadas nas empresas brasileiras. Sem um inventário periódico e bem conduzido, o saldo do imobilizado deixa de representar a realidade: acumulam-se ativos fantasmas, bens não registrados, baixas pendentes e cadastros incorretos que distorcem o resultado, inflam o patrimônio e abrem ressalvas de auditoria. Este guia reúne, em um único lugar, o que é o inventário patrimonial, para que serve, quais métodos existem, como executá-lo passo a passo e quando vale terceirizar.

Resposta rápida — o que é inventário patrimonial? É o levantamento físico, a identificação única e a conciliação com a contabilidade dos bens que integram o ativo imobilizado de uma entidade (máquinas, equipamentos, móveis, veículos, edificações, instalações) — bens tangíveis com vida útil superior a 12 meses usados na operação. É a "fotografia" auditável do patrimônio físico, com base legal no CPC 27 / NBC TG 27 (entidades privadas), na NBC TSP 17 (setor público) e na Lei 6.404/1976, art. 179, IV. Não se confunde com o inventário de estoque, que trata de mercadorias e matéria-prima sob o CPC 16.

O que é inventário patrimonial: definição técnica

Inventário patrimonial — também chamado de inventário de ativos fixos ou inventário de bens patrimoniais — é o processo de levantamento físico, identificação e conciliação contábil dos bens que integram o ativo imobilizado de uma entidade: máquinas, equipamentos, móveis, veículos, edificações, instalações e quaisquer outros bens tangíveis com vida útil superior a 12 meses utilizados na operação. É a representação formal e auditável do patrimônio físico, fundamentada no CPC 27 / NBC TG 27 (entidades privadas), na NBC TSP 17 (setor público) e na Lei 6.404/1976, art. 179, IV. Para a distinção conceitual entre os bens envolvidos, veja O Que São Bens Patrimoniais e Como Classificá-los.

CaracterísticaInventário Patrimonial (CPC 27)Inventário de Estoque (CPC 16)
Bem inventariadoAtivo imobilizado: máquinas, móveis, veículos, edificaçõesEstoques: mercadorias, matéria-prima, produtos acabados
Norma aplicávelCPC 27 / NBC TG 27 / IAS 16CPC 16 / NBC TG 16 / IAS 2
Frequência típicaAnual completo + cíclico trimestral por setorPelo menos anual; mensal/diário em varejo
Vida útil dos bensMais de 12 meses (não circulante)Curto prazo (circulante, giro rápido)
Critério de mensuraçãoCusto histórico depreciado ou valor justoCusto médio, PEPS ou outros métodos do CPC 16
Identificação físicaPlaqueta única + tag RFID/QR Code permanenteCódigo de barras / SKU rotativo
SPED relevanteBloco G (CIAP, controle de crédito ICMS)Bloco H (estoque) + Bloco K (produção)

A confusão entre os dois tipos é comum em empresas comerciais e industriais. Quando se fala em "inventário", o profissional precisa identificar de qual norma se trata — o tratamento contábil, fiscal, a tecnologia adequada e até o responsável são diferentes. Para o levantamento de bens permanentes (objeto deste guia), o termo correto e tecnicamente preciso é inventário patrimonial ou inventário de ativos fixos. Já a contagem de mercadorias é tratada no inventário de estoque.

Para que serve: os objetivos do inventário patrimonial

O inventário patrimonial não é uma formalidade burocrática — ele entrega valor concreto em quatro frentes: conformidade contábil, eficiência fiscal, gestão operacional e proteção do patrimônio. Compreender esses objetivos é o que separa o inventário feito "para o auditor não reclamar" do inventário que de fato corrige o balanço e gera economia.

  • <strong>Conformidade contábil (CPC 27 / NBC TG 27)</strong>: garante que o saldo do ativo imobilizado no balanço corresponda à realidade física, condição para uma opinião de auditoria sem ressalvas e para demonstrações financeiras confiáveis.
  • <strong>Depreciação correta</strong>: ativos sem cadastro físico estruturado têm vida útil, valor residual e base depreciável incorretos. O inventário corrige a base sobre a qual a <a href="/artigos/depreciacao-ativos-calculo-receita-federal">depreciação</a> é calculada, evitando distorção de resultado e de tributos.
  • <strong>Eficiência fiscal e SPED</strong>: a atualização do imobilizado alimenta corretamente o Bloco G do SPED Fiscal (CIAP — crédito de ICMS sobre ativo permanente em 48 parcelas), prevenindo autuações por crédito indevido.
  • <strong>Eliminação de ativos fantasmas</strong>: bens já sucateados, furtados ou vendidos sem baixa permanecem inflando o patrimônio e gerando depreciação indevida. O inventário identifica e regulariza cada um.
  • <strong>Base para seguro e garantias</strong>: um patrimônio inventariado e valorado corretamente embasa apólices de seguro adequadas e o uso de bens como garantia em operações financeiras.
  • <strong>Gestão e responsabilização</strong>: cada bem passa a ter localização, centro de custo e responsável definidos — essencial no setor público (Termo de Responsabilidade) e em empresas com múltiplas unidades.
  • <strong>Suporte a fusões, aquisições e avaliações</strong>: due diligence e operações societárias (CPC 15) dependem de um levantamento patrimonial confiável para apurar o valor dos bens.

Empresas auditadas que não realizam inventário periódico correm risco de ressalvas nos relatórios de auditoria e de inconsistências no SPED Fiscal, com impacto direto no balanço patrimonial e na carga tributária.

Tipos de inventário patrimonial

Existe mais de uma forma de organizar um inventário patrimonial, conforme o objetivo, o porte e o momento da empresa. A escolha do tipo certo define o esforço, o custo e a periodicidade. Para o detalhamento e exemplos de cada classificação, veja Tipos de Inventário: Classificação, Aplicação e Exemplos.

  • <strong>Inventário inicial</strong> — levantamento completo realizado no início de uma operação ou quando não há cadastro confiável de imobilizado. Base para construir o ativo imobilizado do zero.
  • <strong>Inventário anual (geral)</strong> — levantamento completo de todos os bens da empresa, normalmente exigido pela auditoria externa. Acontece próximo ao encerramento do exercício.
  • <strong>Inventário cíclico (rotativo)</strong> — divisão do acervo em setores e levantamento setor a setor ao longo do ano. Mantém atualização contínua sem grande esforço pontual. Recomendado por auditores Big Four para grandes empresas.
  • <strong>Inventário de fusão / aquisição</strong> — feito antes ou logo após operação societária para apurar o valor patrimonial dos bens absorvidos (CPC 15 — Combinação de Negócios) ou para due diligence.
  • <strong>Inventário de encerramento</strong> — quando há cisão, dissolução ou liquidação. Confronta os bens da empresa para apuração dos haveres dos sócios.
  • <strong>Inventário do setor público</strong> — regido pela NBC TSP 17 e Lei 4.320/1964, art. 94. Anual obrigatório para a administração pública direta, autarquias, fundações e estatais. Aprofunde em <a href="/artigos/inventario-de-bens-patrimoniais-publicos">Inventário de Bens Patrimoniais Públicos</a>.

Normas: o que dizem o CPC 27 e a NBC TG 27 sobre o controle de ativos

A NBC TG 27 (equivalente ao CPC 27 e ao IAS 16 internacional) determina que o ativo imobilizado seja reconhecido, mensurado e divulgado de forma a refletir fielmente sua vida útil, valor residual e método de depreciação. Para isso, é indispensável manter um cadastro atualizado com identificação física de cada bem — e é exatamente o inventário patrimonial que sustenta essa exigência na prática. Sem ele, a norma vira letra morta: não há como provar a existência, a localização nem a condição dos bens divulgados no balanço.

  • Identificação única de cada ativo (plaqueta, tag RFID ou QR Code).
  • Registro de localização física e responsável pelo bem.
  • Controle de vida útil e valor residual conforme NBC TG 27.
  • Conciliação periódica entre o físico e o contábil.
  • Documentação de baixas, transferências e incorporações.

Empresas de pequeno e médio porte que adotam a contabilidade simplificada seguem a NBC TG 1000/1001 (ITG 1000), mas o controle patrimonial continua obrigatório. No setor público, somam-se a NBC TSP 17 e a Lei 4.320/1964. Em todos os casos, o inventário é o instrumento que dá efetividade às normas — e o ponto de partida para a auditoria patrimonial.

Métodos e tecnologias de inventário: RFID, QR Code e plaqueamento

O método de coleta define a velocidade, a precisão e o custo do inventário — e, mais importante, se o cadastro permanecerá vivo entre as contagens. A base de qualquer método é o plaqueamento (a identificação física única de cada bem); sobre ela, escolhe-se a tecnologia de leitura. A tendência em grandes acervos é o RFID, que lê centenas de etiquetas por segundo sem linha de visada direta.

TecnologiaVelocidadePrecisãoCusto InicialIdeal para
Manual (planilha)Muito lenta70–80%BaixoEmpresas com menos de 500 ativos
QR Code / Código de BarrasModerada90–95%Baixo-médioPMEs e médias empresas
RFID UHF PassivoAlta99%+MédioGrandes empresas e indústrias
RFID Ativo + IoTTempo real99,9%AltoAtivos críticos e de alto valor

O plaqueamento é a etapa que torna o inventário auditável: cada bem recebe uma plaqueta permanente (em alumínio, poliéster ou com chip RFID embutido) com um identificador único, resistente ao ambiente de operação. O RFID UHF passivo permite ler até 200 tags por segundo a 3–5 metros de distância, reduzindo o tempo de contagem em até 90% frente ao processo manual e eliminando erros de digitação. Para ativos críticos e de alto valor, o RFID ativo com IoT e plataformas de CMMS com RFID/IoT mantêm rastreamento em tempo real. Aprofunde no Guia Completo de RFID para Inventário de Ativos e nos tipos e normas de plaqueta em Placas de Identificação Patrimonial.

Como fazer um inventário patrimonial: metodologia em 7 etapas

A metodologia abaixo é a mesma que estrutura o controle patrimonial e atende às exigências da NBC TG 27. Cada etapa gera evidência documental — o que torna o resultado defensável perante auditoria.

Passo a Passo do Inventário de Ativos Fixos

  1. 1Planejamento: definição de escopo, equipe, cronograma e tecnologia de coleta (RFID, QR Code ou manual).
  2. 2Extração do cadastro contábil: exportação do imobilizado do ERP para base de referência.
  3. 3Levantamento físico: coleta em campo com identificação, localização e estado de conservação de cada ativo.
  4. 4Conciliação: cruzamento dos dados físicos com o cadastro contábil, identificando sobras, faltas e divergências.
  5. 5Tratamento de divergências: análise e regularização de ativos não localizados, fantasmas e incorporações pendentes.
  6. 6Atualização do cadastro: correção do imobilizado no ERP com os dados validados.
  7. 7Emissão de laudo: relatório técnico com metodologia, resultados e recomendações para auditoria.

Conciliação contábil-física: o coração do inventário

O levantamento físico, sozinho, não tem valor contábil — o que transforma uma contagem em inventário patrimonial é a conciliação: o cruzamento dos bens encontrados em campo contra o cadastro do imobilizado registrado no ERP. É nessa etapa que os erros do balanço aparecem e são tratados. Sem conciliação periódica, o saldo do imobilizado deixa de representar a realidade. Veja a metodologia completa em Cotejamento Contábil e Conciliação Patrimonial.

O que a falta de conciliação físico-contábil provoca no imobilizado

  • Ativos fantasmas: bens registrados na contabilidade que não existem mais fisicamente (sucateados, furtados, vendidos sem baixa). Geram depreciação indevida e inflam o patrimônio.
  • Ativos não registrados: bens que existem e operam, mas nunca foram capitalizados — subavaliando o ativo e distorcendo a base de seguros e de garantias.
  • Dados cadastrais incorretos: plaqueta, localização, centro de custo, vida útil ou valor errados — comprometendo a depreciação por classe e a divulgação por nota explicativa.
  • Baixas pendentes: ativos já fora de uso ainda registrados com valor contábil, postergando perdas que distorcem o resultado de períodos futuros.
  • Impossibilidade de componentizar: sem cadastro físico estruturado por componentes, a depreciação por componentes exigida pelo CPC 27 fica inviável na prática.

O resultado de uma conciliação bem feita são quatro listas acionáveis: faltas (na contabilidade, sem físico → candidatos a baixa), sobras (físicos sem registro → candidatos a incorporação), divergências de dados (localização, responsável, valor) e itens conformes. Cada divergência deve ser investigada antes de qualquer baixa — um ativo "não localizado" pode estar em manutenção, comodato ou trânsito entre unidades. Conheça os 4 erros mais comuns no inventário de bens patrimoniais que comprometem essa etapa.

Erros comuns no inventário de ativos fixos

Erros Comuns a Evitar

  • Realizar o inventário sem extração prévia do cadastro contábil, impossibilitando a conciliação.
  • Não identificar fisicamente os ativos com plaqueta ou tag antes do levantamento.
  • Ignorar ativos em manutenção, comodato ou em trânsito entre unidades.
  • Não registrar o estado de conservação dos bens durante o levantamento.
  • Deixar divergências sem tratamento após o inventário, perpetuando inconsistências.
  • Não emitir laudo técnico, comprometendo a validade para auditoria.
  • Realizar inventário apenas uma vez ao ano sem controles intermediários.

Boas práticas para um inventário eficiente

Boas Práticas

  • Realizar inventário cíclico por setor ao longo do ano, em vez de um único inventário anual.
  • Utilizar tecnologia RFID ou QR Code para eliminar erros de digitação.
  • Envolver o setor contábil desde o planejamento para garantir a conciliação.
  • Fotografar ativos com estado de conservação comprometido para embasar baixas.
  • Manter o cadastro de localização atualizado após cada movimentação de ativo.
  • Integrar o sistema de inventário ao ERP para atualização automática do imobilizado.
  • Emitir relatório de divergências com prazo de regularização definido.

KPIs para monitorar a qualidade do inventário

KPIs Sugeridos

Taxa de acuracidade do inventário (meta: &gt;98%)
Percentual de ativos não localizados (%)
Número de ativos fantasmas identificados
Tempo médio de conciliação contábil pós-inventário
Percentual de divergências regularizadas no prazo
Número de ressalvas de auditoria relacionadas ao imobilizado
Cobertura do inventário cíclico (% do acervo inventariado por trimestre)

Planilha de inventário patrimonial: campos obrigatórios

Existem várias planilhas grátis circulando na internet (Excel, Word, Google Sheets), mas nem todas atendem ao mínimo técnico exigido para auditoria NBC TG 27. Uma planilha de inventário patrimonial bem construída deve conter, no mínimo, os campos abaixo. Templates Excel/Word gratuitos com modelo CPCON podem ser solicitados via contato (sem custo, sem cadastro), mas a recomendação técnica é migrar de planilha para software dedicado quando o acervo passar de 500 itens.

CampoTipoObrigatório?Observação técnica
Plaqueta / Tag IDTexto únicoSimIdentificador físico permanente do bem (RFID, QR Code ou plaqueta numérica)
Descrição do bemTextoSimDetalhada o suficiente para distinguir bens similares (marca, modelo, nº de série)
Conta contábilCódigoSimConta do plano de contas que registra o bem (ex: 1.2.3.01.01 — Máquinas)
LocalizaçãoTexto hierárquicoSimUnidade > Setor > Sala (3 níveis mínimos)
Centro de custoCódigoSimPara apuração de depreciação por centro
ResponsávelPessoaSimTermo de Responsabilidade — obrigatório no setor público (Lei 4.320/64)
Estado de conservaçãoEnum (NOVO / BOM / REGULAR / RUIM / SUCATA)SimBaliza decisões de baixa, manutenção e reavaliação
Data de aquisiçãoDataSimMarco inicial da depreciação
Valor de aquisiçãoMoedaSimCusto histórico (CPC 27 par. 16)
Depreciação acumuladaMoedaSimApurada pela contabilidade, atualizada mês a mês
Vida útil estimadaInteiro (anos)SimConforme IN RFB 1.700/17 ou estimativa técnica documentada
Foto do bemImagemRecomendadoComprovação visual — fundamental para bens em mau estado

Exemplo prático: inventário patrimonial passo a passo em uma empresa industrial

Imagine uma indústria têxtil com matriz em São Paulo e duas filiais (Joinville e Recife), aproximadamente 1.800 itens entre máquinas de costura, prensas, computadores, móveis, veículos e instalações. A meta: completar o inventário em 30 dias com acuracidade superior a 98% e laudo final aceito pela auditoria.

  • <strong>Semana 1 — Planejamento e extração contábil</strong>: time de inventário definido (1 coordenador + 4 operadores RFID por unidade), reunião kick-off com setor contábil, extração da base de imobilizado do ERP (ex: SAP S/4HANA, TOTVS Protheus, Oracle EBS) com filtro deleted_at IS NULL e situação ATIVO. Total inicial: 1.847 itens.
  • <strong>Semana 2 — Pré-etiquetagem</strong>: equipe percorre as 3 unidades plaquetando bens sem identificação. RFID UHF passivo é a tecnologia escolhida — leitor lê até 200 tags/segundo a 3-5m de distância. Bens sucateados ou não localizáveis em pré-varredura ficam para tratamento.
  • <strong>Semana 3 — Levantamento físico em campo</strong>: leitor RFID coleta tag + foto + posição GPS + responsável (assinatura digital). 1.654 itens lidos no campo. Diferença com cadastro: 193 itens (10,4% do acervo).
  • <strong>Semana 4 — Conciliação + tratamento</strong>: cruzamento físico × contábil identifica: 78 ativos fantasmas (registrados, sem físico — vão para baixa), 47 ativos não cadastrados (físicos sem registro — vão para incorporação), 68 com dados desatualizados (localização, responsável, vida útil), e 12 com discrepância de valor ou classificação. Laudo técnico emitido com metodologia, fotos georreferenciadas e plano de regularização contábil. Acuracidade final do inventário: 98,3%.

O ROI típico desse tipo de projeto: redução de 60-80% no tempo de auditoria do imobilizado (o auditor consome o laudo CPCON direto, sem precisar revalidar fisicamente), eliminação das ressalvas em demonstrações financeiras, e regularização do Bloco G do SPED Fiscal — o que evita autuações por crédito indevido de ICMS sobre ativo permanente (CIAP).

Terceirizar ou fazer internamente: como decidir

A decisão entre conduzir o inventário com equipe própria ou contratar um especialista depende do porte do acervo, da disponibilidade de tecnologia, da necessidade de laudo independente e do custo de oportunidade da equipe interna. Não há resposta única — mas há critérios objetivos.

CritérioInventário internoInventário terceirizado (especialista)
Porte idealAté ~500 itens, uma única unidade500+ itens, múltiplas unidades ou alto valor
TecnologiaDepende de investimento próprio em leitores/softwareInclusa (RFID, coletores, software de conciliação)
VelocidadeMais lenta — equipe acumula com a rotinaAlta — time dedicado e treinado em campo
Independência do laudoBaixa — pode ser questionado pela auditoriaAlta — laudo de terceiro reforça a evidência
Conhecimento normativoLimitado à equipe contábil internaEspecializado em CPC 27 / NBC TG 27 e SPED
CustoAparentemente menor, mas consome horas internasPrevisível por projeto, com ROI em redução de auditoria

Regra prática: para acervos pequenos e localizados, o inventário interno com plaqueta sequencial e planilha estruturada resolve. A partir de 500 itens, múltiplas unidades, exigência de laudo independente para auditoria ou necessidade de regularizar anos de inconsistências, a terceirização com tecnologia RFID se paga — tanto na velocidade quanto na qualidade da evidência. Para apoio na estruturação da política patrimonial, veja a consultoria patrimonial da CPCON; para o valor justo dos bens, o serviço de avaliação de ativos.

Precisa realizar o inventário patrimonial da sua empresa?

A CPCON executa o inventário patrimonial completo — levantamento físico com RFID e QR Code, conciliação contábil-física, identificação de ativos fantasmas e baixas pendentes, e laudo técnico para auditoria em conformidade com CPC 27 / NBC TG 27.

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Com 30 anos de história e 4.500 projetos realizados, o Grupo CPCON desenvolveu uma metodologia proprietária de inventário de ativos fixos que combina tecnologia RFID, QR Code e processos auditáveis. Atuamos em empresas de todos os portes — de PMEs a multinacionais com dezenas de unidades — sempre entregando um ativo imobilizado conciliado, auditável e sem ativos fantasmas.

  • Levantamento físico com RFID ou QR Code em campo.
  • Conciliação automática com o imobilizado do ERP.
  • Laudo técnico com metodologia e resultados para auditoria.
  • Conformidade com NBC TG 27, CPC 27 e SPED Fiscal.
  • Relatório de recomendações para regularização de divergências.

Perguntas Frequentes

O que é inventário patrimonial?
Inventário patrimonial é o levantamento físico, a identificação única e a conciliação contábil dos bens que integram o ativo imobilizado de uma entidade — máquinas, equipamentos, móveis, veículos, edificações e instalações com vida útil superior a 12 meses usados na operação. É a representação formal e auditável do patrimônio físico, com base legal no CPC 27 / NBC TG 27 (entidades privadas), na NBC TSP 17 (setor público) e na Lei 6.404/1976, art. 179, IV. Difere do inventário de estoque, que trata de mercadorias e matéria-prima sob o CPC 16.
Para que serve o inventário patrimonial?
Serve a quatro objetivos: (1) conformidade contábil — alinhar o saldo do imobilizado à realidade física, condição para auditoria sem ressalvas; (2) depreciação correta — corrigir a base depreciável, a vida útil e o valor residual; (3) eficiência fiscal — alimentar corretamente o Bloco G do SPED (CIAP), evitando autuações por crédito indevido de ICMS; (4) proteção do patrimônio — eliminar ativos fantasmas, embasar seguros e garantias, e atribuir localização e responsável a cada bem. Também sustenta due diligence e operações societárias (CPC 15).
Como fazer um inventário patrimonial passo a passo?
A metodologia em 7 etapas: (1) Planejamento — escopo, equipe, cronograma e tecnologia; (2) Extração do cadastro contábil — exportar o imobilizado do ERP como base de referência; (3) Levantamento físico — coletar em campo identificação, localização e estado de conservação de cada bem; (4) Conciliação — cruzar físico × contábil, identificando faltas, sobras e divergências; (5) Tratamento de divergências — investigar e regularizar ativos fantasmas, não localizados e incorporações pendentes; (6) Atualização do cadastro — corrigir o imobilizado no ERP; (7) Emissão de laudo — relatório técnico com metodologia e resultados para auditoria.
Quais métodos e tecnologias podem ser usados no inventário patrimonial?
A base é o plaqueamento — identificação física única de cada bem. Sobre ela, escolhe-se a tecnologia de leitura: manual/planilha (até ~500 ativos, precisão de 70–80%), QR Code ou código de barras (PMEs, 90–95%), RFID UHF passivo (grandes empresas, 99%+, lê até 200 tags/segundo a 3–5 m) e RFID ativo com IoT (ativos críticos, tempo real, 99,9%). O RFID reduz o tempo de contagem em até 90% frente ao processo manual e elimina erros de digitação.
O que é a conciliação contábil-física no inventário?
É o cruzamento dos bens encontrados em campo contra o cadastro do imobilizado registrado no ERP — a etapa que transforma uma simples contagem em inventário patrimonial com valor contábil. Ela gera quatro listas: faltas (na contabilidade, sem físico → candidatos a baixa), sobras (físicos sem registro → candidatos a incorporação), divergências de dados (localização, responsável, valor) e itens conformes. Cada divergência deve ser investigada antes de qualquer baixa, pois um ativo não localizado pode estar em manutenção, comodato ou trânsito.
Com que frequência devo realizar o inventário de ativos fixos?
A NBC TG 27 não define uma frequência mínima, mas os auditores recomendam inventário anual completo e inventários cíclicos trimestrais por setor. Empresas com grande volume de ativos se beneficiam de controle contínuo via RFID, que mantém o cadastro vivo entre as contagens e dispensa o grande esforço pontual de um único inventário anual.
Qual a diferença entre inventário físico e conciliação contábil?
O inventário físico é o levantamento em campo dos bens existentes — o que se vê e se conta. A conciliação contábil é o cruzamento desses dados com o cadastro do imobilizado no ERP, identificando divergências entre o físico e o contábil. O físico, sozinho, não corrige o balanço; é a conciliação que transforma a contagem em ajuste contábil defensável perante auditoria.
Devo terceirizar o inventário patrimonial ou fazer internamente?
Depende do porte e da exigência de independência. Para acervos pequenos e localizados (até ~500 itens, uma unidade), o inventário interno com plaqueta sequencial e planilha estruturada resolve. A partir de 500 itens, múltiplas unidades, necessidade de laudo independente para auditoria ou regularização de anos de inconsistências, a terceirização com tecnologia RFID se paga — pela velocidade, pelo conhecimento normativo (CPC 27 / NBC TG 27 / SPED) e pela qualidade da evidência, já que um laudo de terceiro é mais robusto perante o auditor.
O que fazer com ativos não localizados no inventário?
Ativos não localizados devem ser investigados antes de qualquer baixa: podem estar em manutenção, em comodato, transferidos para outra unidade ou em trânsito. Após a investigação, os não localizados confirmados devem ser baixados do imobilizado com documentação adequada (relatório, fotos e aprovação), reconhecendo a perda no resultado. Baixar sem investigar é erro comum que pode mascarar furtos ou transferências não registradas.
Como o inventário impacta o SPED Fiscal?
O inventário atualizado garante que o Bloco G do SPED Fiscal — controle de crédito de ICMS sobre o ativo permanente (CIAP), apropriado em 48 parcelas — reflita a realidade dos bens. Inconsistências entre o físico e o registrado podem gerar autuações por crédito indevido. Manter o imobilizado conciliado após cada inventário é, portanto, também uma medida de conformidade fiscal, não só contábil.
Qual a diferença entre NBC TG 27 e CPC 27?
São equivalentes: o CPC 27 é emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis e a NBC TG 27 é a norma do CFC (Conselho Federal de Contabilidade) baseada no mesmo texto, alinhado ao IAS 16 internacional. Ambas tratam do ativo imobilizado — reconhecimento, mensuração, depreciação e divulgação — e têm aplicação obrigatória no Brasil. O inventário patrimonial é o instrumento prático que dá efetividade a essas normas.
Existe planilha de inventário patrimonial em Excel grátis?
Sim, existem planilhas Excel gratuitas para inventário patrimonial — incluindo modelos do próprio CPCON disponíveis sob solicitação via contato (sem custo, sem cadastro). Toda planilha confiável precisa conter, no mínimo, os 12 campos exigidos pela NBC TG 27: plaqueta/ID único, descrição, conta contábil, localização hierárquica, centro de custo, responsável, estado de conservação, data de aquisição, valor de aquisição, depreciação acumulada, vida útil e foto. Planilhas sem esses campos podem ser rejeitadas em auditoria. A recomendação técnica é migrar de planilha para software dedicado quando o acervo ultrapassar 500 itens, pois o Excel não escala bem para controle físico + contábil simultâneo nem tem auditoria de mudanças.
Quais são os principais tipos de inventário patrimonial?
Os principais tipos: (1) Inicial — quando não há cadastro confiável de imobilizado, faz-se o levantamento completo do zero; (2) Anual / Geral — levantamento completo da empresa toda, normalmente exigido por auditoria externa próximo ao fechamento do exercício; (3) Cíclico (rotativo) — divide o acervo em setores e roda setor a setor ao longo do ano, mantendo atualização contínua (recomendado por Big Four); (4) Fusão / Aquisição — antes ou após operação societária, para apurar o valor patrimonial dos bens absorvidos (CPC 15); (5) Encerramento — em caso de cisão, dissolução ou liquidação, para apuração de haveres; (6) Setor público — anual obrigatório pela NBC TSP 17 e Lei 4.320/64 art. 94, com Termo de Responsabilidade individualizado por servidor.
Andre Gonçalves

Andre Gonçalves

Sócio, VP Operações Brasil, Diretor Técnico e CFO | Grupo CPCON

Contador Registrado CRC-SP

Sócio do Grupo CPCON, Vice-Presidente de Operações CPCON Brasil, Diretor Técnico e CFO. Contador registrado CRC-SP, responsável tecnicamente pelos serviços de inventário patrimonial, gestão de ativos, avaliação e conformidade contábil da CPCON em projetos no Brasil e exterior.

Nota de transparência: Este artigo reflete a experiência prática da equipe CPCON. Recomendamos validar decisões contábeis e fiscais com seu auditor ou contador responsável.

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