Gestão Patrimonial

Tipos de Inventário: Físico, Rotativo, Cíclico, com RFID e Mais — Quando Usar Cada Um

Inventário não é tarefa única — é família de processos contábeis e operacionais com objetivos distintos. Conhecer cada tipo de inventário (físico, rotativo/cíclico, anual, ABC, contábil, MRO, hospitalar, intermitente, permanente, parcial) e a camada de tecnologia RFID permite à empresa escolher o método certo para cada classe de ativo ou estoque, reduzir custos de contagem e aumentar a acurácia dos saldos contábeis.

WJ
Andre Gonçalves, Sócio, VP Operações Brasil, Diretor Técnico e CFO
21 de Maio, 202615 min de leitura
Tipos de Inventário: Físico, Rotativo, Cíclico e com RFID [2026]

O termo "inventário" é genérico — refere-se ao processo de identificar, contar, valorar e registrar bens, estoques ou ativos de uma organização. Na prática, há diferentes tipos de inventário, cada um aplicável a contextos específicos. Confundir os tipos é a fonte mais comum de retrabalho em projetos de gestão patrimonial: empresas que adotam um inventário anual de toda a base quando precisariam de um rotativo por classes ABC gastam de 3 a 8 vezes mais e ainda assim entregam menor confiabilidade. Empresas que tratam o estoque de MRO como mercadoria comum esquecem que esses itens têm rotação muito menor e exigem método próprio.

Este guia organiza os 10 tipos de inventário mais aplicados no Brasil — do físico ao rotativo (também chamado de inventário cíclico), do anual ao permanente — descreve quando cada um se justifica, qual o benefício esperado e quais erros evitar, e mostra como a tecnologia RFID transforma o custo e a acurácia de qualquer um deles. A escolha não é binária — empresas maduras combinam tipos diferentes para diferentes classes de bens: rotativo + ABC para mercadoria de alto giro, anual para imobilizado, permanente para itens críticos hospitalares, MRO específico para almoxarifado industrial.

Por que classificar os tipos de inventário

A classificação dos tipos de inventário tem três funções operacionais. Primeiro, otimização de recursos: contagem física tem custo elevado (mão de obra, parada de operação, sistemas), e aplicar o método mais barato e suficiente para cada classe de bem evita desperdício. Segundo, confiabilidade do saldo contábil: classes de bens com alta criticidade (estoques de medicamentos, ativos fiscalmente relevantes, peças críticas de equipamentos) exigem inventários frequentes; classes de baixa criticidade podem ser inventariadas anualmente sem prejuízo. Terceiro, conformidade regulatória: setores como hospitalar, farmacêutico, óleo e gás e setor público têm exigências específicas de inventário regular.

A norma técnica brasileira de referência é a NBC TG 27 (alinhada ao CPC 27 — Ativo Imobilizado) para inventário de bens patrimoniais (imobilizado), o CPC 16 (R1) para inventário de estoques, e regulamentações específicas como a ANVISA RDC 31/2014 para estoques hospitalares e farmacêuticos.

Inventário Físico

O inventário físico é a contagem real, in loco, dos bens existentes na empresa. É o método base sobre o qual todos os outros se constroem. Consiste em identificar cada unidade, registrar localização, estado de conservação, número de série/placa, e comparar com o que está no sistema. Sua vantagem: é a única evidência inquestionável da existência real dos bens. Sua desvantagem: tem custo elevado e geralmente exige parada de operação.

  • Quando aplicar — fechamento anual obrigatório (CPC 27 par. 14 exige inspeção física com regularidade), aquisições/fusões/aquisições (due diligence), processos de auditoria externa, conciliação após inventário rotativo identificar muitas divergências.
  • Etapas — planejamento (cronograma, equipes, instruções), bloqueio de movimentações, contagem em duplas independentes, divergências reconciliadas, ajustes no sistema com aprovação.
  • Custos típicos — R$ 5 a R$ 15 por item inventariado em projetos profissionais (depende do volume, localização, complexidade técnica).
  • Erros comuns — fazer contagem sem dupla cega (mesmo contador faz e confirma, perdendo independência), não bloquear movimentações (gerando divergências falsas), confundir bens fisicamente parecidos sem leitura de etiqueta.

Inventário Contábil

O inventário contábil é o saldo registrado nos sistemas contábeis/ERP — quantidade, localização e valor de cada bem segundo os registros. Não é uma contagem propriamente dita, mas o extrato do sistema que serve como contraparte para qualquer inventário físico. A conciliação entre inventário físico e contábil é o ponto onde se identifica todas as inconsistências.

  • Para imobilizado, o inventário contábil é tipicamente extraído do módulo de Patrimônio (ou submódulo do ERP) com: nº do bem, descrição, localização contábil, conta contábil, data de aquisição, custo histórico, depreciação acumulada, valor líquido contábil.
  • Para estoques, é extraído do módulo de Estoque com: código SKU, quantidade em saldo, localização (depósito, ruas, prateleiras), custo médio ou outro método de custeio (PEPS, custo específico).
  • A confiabilidade do inventário contábil é função direta da disciplina de movimentações: empresas com fluxo robusto de baixas e transferências têm inventários contábeis próximos do real; empresas com baixas atrasadas têm inventários inflados (ativos fantasmas) ou subestimados (ativos não registrados).

Inventário ABC (Curva ABC ou Pareto)

O inventário ABC aplica a análise de Pareto: classifica os itens em três grupos pelo valor total (preço × quantidade) ou pela criticidade operacional. Itens A representam tipicamente 80% do valor e 20% dos itens; B representam 15% do valor e 30% dos itens; C representam 5% do valor e 50% dos itens. A lógica é simples: dedicar mais atenção e contagens mais frequentes aos itens A, menos aos itens C.

Classe% do valor total% do volume de itensFrequência de contagem
A (mais críticos/valiosos)~80%~20%Mensal ou bimestral
B (intermediários)~15%~30%Trimestral ou semestral
C (menos críticos)~5%~50%Anual

A curva ABC é especialmente eficaz em almoxarifados industriais, distribuidoras e centros logísticos. Em uma indústria farmacêutica, por exemplo, princípios ativos caros e controlados (A) são contados semanalmente; embalagens secundárias (B) mensalmente; etiquetas e adesivos (C) anualmente.

Inventário Rotativo ou Cíclico (Cycle Counting)

O inventário rotativo — também chamado de inventário cíclico, contagem cíclica ou cycle counting (os quatro nomes designam o mesmo método) — é a estratégia de contar pequenas porções do total continuamente ao longo do ano, em vez de fazer uma grande contagem anual. A meta é cobrir 100% dos itens em 12 meses (ou no ciclo definido), com contagens diárias, semanais ou mensais. Tipicamente combinado com classificação ABC: cada item A é contado várias vezes ao ano; cada item C, apenas uma vez.

  • Vantagens — sem parada de operação, identifica divergências cedo (corrigindo antes que escalem), reduz custo total (contagens menores em equipes regulares), aumenta acurácia do saldo dia a dia.
  • Desvantagens — requer disciplina contínua e sistema robusto de planejamento, depende de equipes treinadas e disponíveis durante o ano, pode falhar se há grande movimentação não registrada durante as contagens.
  • Métricas de sucesso — acurácia média de 95% no estoque (medida como itens conferidos vs sistema), redução de "stockouts" não esperados, baixa de inventário no fechamento próxima de zero.
  • Setores onde o rotativo é regra — grande varejo, distribuição farmacêutica, e-commerce com fulfillment próprio, indústria automotiva com peças, supermercados.

Inventário Anual

O inventário anual é a contagem física completa de toda a base de bens, realizada uma vez por ano, geralmente alinhada com o fechamento de exercício fiscal (dezembro no Brasil). É o método tradicional, ainda dominante em empresas de menor porte e em organizações que não adotaram inventário rotativo. Sua principal característica: parada total ou parcial da operação durante o período de contagem.

  • Quando aplicar — empresas com baixa rotação de estoque, organizações que não têm capacidade operacional para rotativo, exigência regulatória/legal específica (algumas modalidades de impostos), processos de fechamento que exigem o status patrimonial num dia específico.
  • Custos — concentrados em curto período, requer mobilização significativa de pessoal (próprio ou terceirizado), implica parada parcial de operações comerciais ou produtivas.
  • Alternativa ao parar a operação — inventário anual fora do horário comercial (noites, fins de semana, feriados), usando equipes terceirizadas com horímetro de RFID/coletor para acelerar.
  • Erro frequente — declarar o inventário anual como "fechado" sem reconciliar todas as divergências; sobra de ajustes não justificados é ressalva de auditor.

Inventário MRO (Maintenance, Repair and Operations)

O inventário MRO refere-se aos itens de manutenção, reparo e operações — peças de reposição, ferramentas, EPIs, lubrificantes, materiais de limpeza, suprimentos administrativos. Diferencia-se do inventário de mercadoria/matéria-prima por características próprias: baixa rotação (alguns itens podem ficar anos no almoxarifado), alta criticidade (uma peça de R$ 200 pode parar uma linha de R$ 50.000/hora), e padrão de consumo difícil de prever.

O CPC 27 (par. 8) permite que peças de reposição críticas mantidas em estoque para equipamento específico sejam classificadas como ativo imobilizado quando se espera uso por mais de 12 meses. Itens MRO consumíveis são geralmente estoque (CPC 16), mas o tratamento muda conforme a expectativa de uso.

  • Particularidades — baixa rotação dificulta projeções, criticidade exige nível de serviço alto (95-99% disponibilidade), valor unitário variável (de R$ 5 a R$ 500.000+ por peça), classificação como imobilizado ou estoque depende do uso.
  • Inventário recomendado — anual completo + rotativo trimestral para itens A (peças críticas de equipamentos-chave), com auditoria contínua via cycle counting nos itens de maior valor.
  • Sistemas dedicados — CMMS (Computerized Maintenance Management System) integrado com WMS ou ERP é prática avançada — vincula consumo de peças a ordens de manutenção, gerando rastreabilidade completa.
  • Setores típicos — siderurgia, mineração, papel/celulose, óleo/gás, geração de energia, química/petroquímica, indústria automotiva.

Inventário Hospitalar

O inventário hospitalar abrange medicamentos, materiais médico-hospitalares (MMH), gases medicinais, equipamentos médicos (que são ativo imobilizado) e itens de uso clínico controlado. Sua característica diferenciadora é a regulamentação rigorosa: ANVISA RDC 31/2014, RDC 222/2018 e outras normas exigem rastreabilidade de lote, controle de validade, separação de medicamentos controlados (Portaria SVS/MS 344/98) e auditoria de consumo por paciente.

  • Frequência mínima — diária para medicamentos controlados (Tabelas A, B, C da Portaria 344/98), semanal para itens de uso intensivo (UTI), mensal para materiais clínicos gerais, trimestral para almoxarifado administrativo.
  • Tecnologia recomendada — RFID por item (rastreabilidade individual de doses), barcode 2D para lotes, integração HIS/EMR/farmácia para reconciliação automática de consumo vs prescrição.
  • Erro comum — confiar no consumo registrado nas prescrições sem inventário físico regular; perdas (vencimento, quebra, desvio) ficam invisíveis e geram glosa em auditoria de operadora ou fiscalização ANVISA.
  • Conformidade — relatórios de inventário hospitalar são exigidos em acreditações ONA, Joint Commission, e fiscalizações da Vigilância Sanitária estadual e federal.

Inventário Intermitente

O inventário intermitente é aquele realizado em intervalos planejados mas variáveis, geralmente em períodos específicos do exercício fiscal ou em datas-base relevantes (ex: final de cada trimestre fiscal). É um meio-termo entre o inventário anual completo e o rotativo contínuo. Diferentemente do rotativo, não cobre 100% dos itens em ciclo curto — cobre porções específicas em datas específicas.

  • Quando aplicar — empresas em transição do método anual para rotativo, organizações com sazonalidade pronunciada (varejo de moda, agronegócio), preparação para auditoria intermediária trimestral (ITR para companhias abertas).
  • Combinações típicas — intermitente trimestral para itens A + anual completo para B e C; ou intermitente nos itens críticos + permanente nos itens controlados.
  • Métrica — acurácia do inventário ao longo do ano, gap entre inventários e magnitude das divergências encontradas em cada ciclo.

Inventário Permanente

O inventário permanente é o registro em tempo real de todas as movimentações de bens — entradas, saídas, transferências, baixas — com saldo sempre atualizado no sistema. Diferentemente de outros tipos, não é uma contagem periódica, mas uma metodologia de gestão. Requer sistemas de WMS, ERP integrado com leitores RFID/coletores barcode e disciplina rigorosa de registro.

É a base para todos os outros tipos: rotativo, ABC, anual e intermitente dependem de um sistema que faça inventário permanente; sem ele, contagens físicas comparam-se a saldos desatualizados e geram divergências falsas. O CPC 16 (R1) prevê o sistema de inventário permanente como método de mensuração de estoque (alternativa ao sistema periódico, hoje quase obsoleto em empresas profissionais).

Inventário Parcial (ou Pontual)

O inventário parcial é a contagem de uma fração específica do estoque ou base patrimonial, sem cobrir tudo. Pode ser por classe de produto, por localização (depósito específico, filial), por categoria contábil (apenas máquinas, apenas veículos), ou por evento específico (suspeita de furto em uma área, troca de gestor, fechamento de filial).

  • Quando aplicar — investigação de divergência localizada, fechamento de unidade ou filial, troca de responsável por área operacional, evento crítico (incêndio, alagamento, furto), preparação para venda ou alienação de classe específica.
  • Não substitui — o inventário parcial NÃO substitui o anual completo, salvo se cobertura agregada ao longo do ano via rotativo atingir 100% dos itens.
  • Documentação — relatório técnico assinado, fotos, descrição da metodologia e equipe envolvida — necessário para que tenha validade contábil e jurídica.

Inventário com RFID: a tecnologia que muda o custo de todos os tipos

O inventário com RFID não é exatamente um tipo à parte — é uma camada de tecnologia que transforma a economia de qualquer um dos tipos anteriores. Em vez de localizar e ler item a item (visual ou código de barras, um por vez, com linha de visada), as etiquetas RFID respondem por radiofrequência: um operador com leitor portátil captura centenas de etiquetas por segundo, sem abrir caixas e sem apontar para cada item. Na prática, a contagem física de um almoxarifado ou de uma loja que tomava dias passa a tomar horas — e o inventário rotativo/cíclico, que dependia de equipes dedicadas, vira rotina rápida de operação.

  • Velocidade — leitura em massa por radiofrequência, sem linha de visada: reduções de 80–95% no tempo de contagem em relação ao código de barras são típicas em projetos bem implantados.
  • Acurácia — a leitura automática elimina erro de digitação e item pulado; operações com RFID sustentam acurácia de estoque acima de 99%, contra 65–95% típicos de controles manuais.
  • Frequência viável — contagens que eram trimestrais ou anuais podem virar semanais ou diárias, porque o custo marginal de cada contagem despenca; o inventário rotativo com RFID atinge cobertura total em ciclos muito curtos.
  • Rastreabilidade individual — cada etiqueta tem identidade única (EPC): além de contar, o inventário localiza o item, detecta trocas de local e alimenta a conciliação físico-contábil automaticamente.

Casos B2B documentados ilustram o salto: no varejo óptico, a Luxottica reduziu drasticamente o tempo de inventário de loja com RFID; no varejo de pneus, a contagem cíclica passou a rodar com leitores móveis em poucas horas por unidade; e em distribuição, coletores RFID integrados ao ERP eliminaram a parada de operação no fechamento. O racional de investimento é simples: a etiqueta passiva custa centavos de dólar e o ganho vem da mão de obra economizada, da redução de perdas e da confiabilidade do saldo. Para entender a arquitetura (etiquetas, leitores, antenas, middleware) e solicitar um piloto, veja o serviço de RFID da CPCON.

Regra prática: RFID compensa quando (volume de itens × frequência desejada de contagem × custo de mão de obra) supera o investimento em etiquetas e leitores — o que ocorre tipicamente a partir de alguns milhares de itens com giro relevante, ou em ativos críticos onde a perda de um único item é cara. Para bases pequenas e estáticas, código de barras com inventário anual bem executado segue sendo o melhor custo-benefício.

Como escolher o tipo de inventário certo

A decisão pelo tipo de inventário deve considerar quatro variáveis: criticidade do bem para a operação, volume total da base, capacidade operacional e regulamentação aplicável. O fluxograma abaixo orienta a escolha.

Roteiro para escolher tipo de inventário

  1. 1Há regulamentação setorial que exige frequência mínima? (Hospitalar, farmacêutico, óleo e gás, setor público) — Se sim, adote o tipo regulamentado primeiro.
  2. 2A base de bens é grande (>10.000 itens) e a operação não pode parar? — Adote inventário permanente + rotativo + ABC. Anual fica como reconciliação de fechamento.
  3. 3Base pequena (<2.000 itens) ou operação sazonal? — Inventário anual completo pode ser suficiente; intermitente trimestral nos itens A.
  4. 4Há classe específica de alta criticidade? (Medicamentos controlados, peças críticas, ativos de altíssimo valor) — Aplique inventário permanente OU rotativo mensal específico para essa classe.
  5. 5A acurácia atual do saldo contábil é baixa (<90%)? — Faça inventário físico completo para reset, depois adote rotativo para manter.
  6. 6Há recurso operacional para contagens contínuas? — Sim → rotativo. Não → anual + intermitente trimestral em itens A.

Tabela comparativa: tipo de inventário × quando usar × custo × acurácia

TipoQuando aplicarFrequênciaCustoAcurácia típica do saldo
FísicoValidação inicial, fechamento anual, auditoriaAnual + sob demandaAlto95–99% no momento da contagem
ContábilSempre (saldo do sistema)Contínuo (atualização)Embutido no ERP70–95% (depende da disciplina de baixas)
ABCEstoques diversos, almoxarifado MROCombina com rotativoMédio95%+ nos itens A; menor nos C
Rotativo / cíclicoEmpresas com alta movimentação, operação contínuaDiário/semanalMédio (espalhado)95–98% sustentada o ano todo
AnualEmpresas pequenas, fechamento de exercícioAnualAlto, concentrado~95% no fechamento; decai entre contagens
MROAlmoxarifados industriais, peças de reposiçãoTrimestral para A + anualMédio85–95% (baixa rotação dificulta)
HospitalarHospitais, clínicas, farmáciasDiário (controlados) + mensalAlto + regulamentado98%+ (exigência regulatória)
IntermitenteEmpresas em transição para rotativoTrimestral/semestralMédio90–95%
PermanenteEmpresas com sistema integrado de WMS/ERPTempo realEmbutido no sistema95–99% com leitura automatizada
ParcialEventos pontuais, troca de gestorSob demandaBaixo (escopo limitado)Alta, restrita ao escopo coberto
Com RFID (camada tecnológica)Bases grandes, alto giro, ativos críticos — acelera qualquer tipo acimaViabiliza diária/semanalInvestimento inicial; custo por contagem baixo99%+ com leitura em massa

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Perguntas Frequentes

Quais são os principais tipos de inventário?
Os 10 principais tipos de inventário são: (1) Físico — contagem real in loco; (2) Contábil — saldo do sistema/ERP; (3) ABC (Pareto) — classifica itens por valor/criticidade (A/B/C); (4) Rotativo (cycle counting) — contagens diárias/semanais cobrindo 100% em 12 meses; (5) Anual — contagem completa uma vez ao ano; (6) MRO — para almoxarifados industriais (peças, ferramentas, EPIs); (7) Hospitalar — regulamentado pela ANVISA; (8) Intermitente — em intervalos planejados (trimestral/semestral); (9) Permanente — registro tempo real de todas as movimentações; (10) Parcial — fração específica do estoque. Cada tipo tem aplicação ideal por setor, criticidade do bem e capacidade operacional. Empresas maduras combinam vários tipos para diferentes classes.
Qual a diferença entre inventário rotativo e inventário anual?
Inventário anual concentra toda a contagem em um curto período (geralmente alinhado ao fechamento de exercício), exigindo parada total ou parcial da operação. Inventário rotativo (cycle counting) distribui as contagens ao longo do ano, com pequenos volumes diários/semanais, sem parada de operação. A meta do rotativo é cobrir 100% dos itens em 12 meses, geralmente combinado com classificação ABC (itens A são contados várias vezes, itens C apenas uma). Vantagens do rotativo: zero parada, identificação cedo de divergências, custo total menor distribuído. Vantagens do anual: simplicidade operacional, saldo num dia específico. Empresas grandes e com operação contínua tendem ao rotativo + ABC; empresas menores ou sazonais ainda usam anual.
O que é a curva ABC no inventário?
A curva ABC aplica o princípio de Pareto ao inventário: classifica os itens em três grupos pelo valor total acumulado ou pela criticidade. Itens A representam tipicamente 80% do valor total mas apenas 20% dos itens (são poucos itens, mas caros/críticos). Itens B representam 15% do valor com 30% dos itens. Itens C representam apenas 5% do valor com 50% dos itens (muitos itens, baratos/menos críticos). A lógica operacional é dedicar mais atenção (contagens mais frequentes, controle mais rigoroso) aos itens A. Aplicação típica: A contados mensalmente, B trimestralmente, C anualmente. Muito eficaz em almoxarifados industriais, distribuidoras farmacêuticas, centros logísticos. Empresas com classificação ABC bem feita reduzem custo de inventário em 40-60% mantendo ou aumentando a acurácia.
Quando devo aplicar inventário MRO?
O inventário MRO (Maintenance, Repair and Operations) é aplicável a almoxarifados que armazenam peças de reposição, ferramentas, EPIs, lubrificantes e materiais auxiliares de operação. Diferencia-se do inventário de mercadoria/matéria-prima porque os itens MRO têm baixa rotação (alguns ficam anos em estoque), alta criticidade (peça de R$ 200 pode parar linha de R$ 50.000/hora) e padrão de consumo difícil de prever. Setores típicos: siderurgia, mineração, papel/celulose, óleo e gás, geração de energia, química/petroquímica, automotivo. Método recomendado: inventário anual completo + rotativo trimestral para itens A (peças críticas), integrado a um CMMS (sistema de gestão de manutenção) para rastrear consumo por ordem de serviço.
O que é inventário permanente?
Inventário permanente é a metodologia de gestão que mantém o saldo do sistema sempre atualizado em tempo real — toda entrada, saída, transferência ou baixa é registrada imediatamente, e o saldo reflete o estado atual a qualquer momento. Não é uma contagem periódica, mas uma forma de gerenciar. Requer sistemas integrados (ERP, WMS), disciplina de movimentação e tecnologia de leitura rápida (barcode, RFID, coletores). É a base sobre a qual os outros tipos de inventário operam: rotativo, ABC, anual e intermitente comparam contagens físicas com o saldo do permanente. Sem inventário permanente confiável, qualquer contagem gera divergências falsas. O CPC 16 (R1) reconhece o sistema de inventário permanente como método padrão de mensuração de estoque, em contraposição ao sistema periódico (hoje quase obsoleto em empresas profissionais).
O que é inventário cíclico?
Inventário cíclico é outro nome para o inventário rotativo (cycle counting): a estratégia de contar pequenas porções do estoque ou da base patrimonial continuamente ao longo do ano, em ciclos diários, semanais ou mensais, em vez de concentrar tudo numa contagem anual. A meta é cobrir 100% dos itens dentro do ciclo definido (geralmente 12 meses), com os itens mais críticos ou valiosos (classe A) contados várias vezes. Vantagens: não para a operação, detecta divergências cedo, distribui o custo e sustenta acurácia de 95–98% o ano inteiro. Os termos inventário cíclico, rotativo, contagem cíclica e cycle counting designam exatamente o mesmo método.
Vale a pena usar RFID no inventário?
Depende do volume, do giro e da criticidade dos itens. RFID permite ler centenas de etiquetas por segundo sem linha de visada, o que reduz o tempo de contagem em 80–95% versus código de barras e sustenta acurácia de estoque acima de 99% — contra 65–95% de controles manuais. A conta fecha quando o custo de mão de obra das contagens atuais (multiplicado pela frequência desejada) supera o investimento em etiquetas passivas (centavos de dólar por item) e leitores. Em bases grandes com giro relevante (varejo, indústria, hospitais, distribuição) o payback costuma ser rápido; em bases pequenas e estáticas, código de barras com inventário anual bem executado segue competitivo. O ideal é validar com um piloto em uma unidade ou categoria antes do rollout.
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Andre Gonçalves

Andre Gonçalves

Sócio, VP Operações Brasil, Diretor Técnico e CFO | Grupo CPCON

Contador Registrado CRC-SP

Sócio do Grupo CPCON, Vice-Presidente de Operações CPCON Brasil, Diretor Técnico e CFO. Contador registrado CRC-SP, responsável tecnicamente pelos serviços de gestão patrimonial, avaliação de ativos, depreciação e conformidade contábil da CPCON em projetos no Brasil e exterior.

Nota de transparência: Este artigo reflete a experiência prática da equipe CPCON. Recomendamos validar decisões contábeis e fiscais com seu auditor ou contador responsável.

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