Avaliação Patrimonial

Goodwill (Ágio): O Que É, Como Calcular, Impairment e Tratamento Contábil

Goodwill — em português, ágio por rentabilidade futura — é o valor que uma empresa paga acima do valor justo do patrimônio líquido de outra numa aquisição. Ele não nasce isolado: surge quando um negócio compra outro e desembolsa mais do que a soma dos ativos identificáveis menos os passivos, na expectativa de sinergias, marca, carteira de clientes e capacidade de gerar lucros futuros. Reconhecer, mensurar e testar o goodwill corretamente afeta o balanço, o resultado e o valuation de qualquer grupo que cresce por aquisições. Andre Gonçalves, sócio CPCON e contador registrado CRC-SP, explica o que é goodwill e ágio, a diferença entre ágio por rentabilidade futura e mais-valia de ativos, como ele é reconhecido em uma combinação de negócios (CPC 15 / IFRS 3), a mensuração via PPA, por que o goodwill não é amortizado mas sim testado por impairment (CPC 01), a distinção entre goodwill e intangível identificável e o tratamento fiscal do ágio no Brasil.

WJ
Andre Gonçalves, Sócio, VP Operações Brasil, Diretor Técnico e CFO
29 de Maio, 202617 min de leitura
Goodwill (Ágio): O Que É, Como Calcular e Tratamento Contábil (CPC 15)

Quando uma empresa compra outra por um valor maior do que vale o conjunto identificável dos seus bens e direitos, líquido das obrigações, surge uma diferença que precisa ser explicada e registrada: o goodwill — termo que a contabilidade brasileira traduz como ágio por expectativa de rentabilidade futura, também chamado de ágio por goodwill. Esse valor não corresponde a nenhuma máquina, terreno ou marca específica: representa aquilo que o comprador pagou pela capacidade do negócio adquirido de gerar lucros acima da média — sinergias, reputação, carteira de clientes fidelizada, equipe, posição de mercado. É um dos ativos mais sensíveis e mais discutidos do balanço, porque seu reconhecimento e sua manutenção dependem de julgamento, de avaliação técnica e de testes anuais. Este guia explica o que é goodwill (ágio), como ele é calculado em uma combinação de negócios, como é mensurado, por que não se amortiza e como é tratado fiscalmente no Brasil — conforme o CPC 04, o CPC 15 e o CPC 01.

Resposta rápida — o que é goodwill (ágio)? Goodwill, ou ágio por expectativa de rentabilidade futura, é a diferença positiva entre o valor pago por uma empresa (a contraprestação transferida na aquisição) e o valor justo do patrimônio líquido identificável adquirido (ativos identificáveis menos passivos assumidos, ambos mensurados a valor justo). Em fórmula: Goodwill = Preço de aquisição − Valor justo dos ativos líquidos identificáveis. Ele representa o que o comprador pagou pela capacidade do negócio de gerar lucros futuros acima do normal — sinergias, marca, clientela, equipe — que não podem ser reconhecidos separadamente como ativos. No Brasil, o goodwill só é reconhecido em uma combinação de negócios (CPC 15 / IFRS 3), não é amortizado, e é submetido anualmente ao teste de impairment (CPC 01 / IAS 36).

O que é goodwill e por que ele se chama "ágio"

O termo goodwill vem do inglês e, em tradução literal, significa "boa vontade" ou "boa reputação". Na contabilidade, ele designa o valor intangível associado à capacidade de um negócio gerar resultados superiores aos que seriam esperados apenas dos seus ativos identificáveis. No Brasil, o pronunciamento técnico CPC 15 (R1) — equivalente à IFRS 3 — adota a expressão ágio por expectativa de rentabilidade futura, mais conhecida pela sigla informal "ágio por goodwill". Os dois termos são, na prática, sinônimos no contexto de uma aquisição.

É fundamental entender que o goodwill não é um ativo isolado que possa ser comprado ou vendido por si só. Ele só existe atrelado a um negócio como um todo. Ninguém compra "goodwill" no mercado: ele emerge como uma diferença residual quando uma empresa adquire o controle de outra e paga mais do que o valor justo líquido do que está sendo adquirido. Por isso, na linguagem técnica, o goodwill é frequentemente descrito como um ativo "residual" — é o que sobra do preço de compra depois de alocar valor justo a tudo o que pode ser identificado.

O goodwill integra o grupo dos ativos intangíveis no balanço, mas tem um tratamento contábil próprio e distinto dos demais intangíveis (marcas, patentes, software). A diferença central, que detalharemos adiante, é que os intangíveis identificáveis com vida útil definida são amortizados, enquanto o goodwill — por ter vida útil indefinida — não é amortizado, e sim testado anualmente quanto à sua recuperabilidade.

Ágio por rentabilidade futura (goodwill) vs. mais-valia de ativos

Uma das confusões mais comuns no Brasil é tratar todo o "ágio" pago numa aquisição como goodwill. Na realidade, quando o preço pago supera o valor contábil do patrimônio líquido adquirido, essa diferença total se decompõe em duas naturezas distintas, que recebem tratamentos contábeis e fiscais diferentes:

ComponenteO que representaTratamento
Mais-valia de ativos líquidosA diferença entre o valor justo e o valor contábil dos ativos e passivos identificáveis (ex.: um imóvel registrado por R$ 1 mi que vale R$ 3 mi)Alocada aos respectivos ativos; depreciada/amortizada conforme a vida útil de cada um
Ágio por rentabilidade futura (goodwill)O excesso pago acima do valor justo de TODO o patrimônio líquido identificável — sinergias, marca, clientela, expectativa de lucrosReconhecido como goodwill; NÃO amortizado; testado por impairment anualmente
Deságio (ganho por compra vantajosa)Quando o valor justo dos ativos líquidos supera o preço pago (compra abaixo do valor justo)Reconhecido como ganho (receita) no resultado do período da aquisição

A distinção é decisiva porque a mais-valia é alocada a ativos concretos e consumida ao longo do tempo (uma máquina mais-valiada deprecia; uma marca identificável com vida útil definida amortiza), ao passo que o goodwill permanece no balanço até que um teste de impairment indique perda de valor. Identificar corretamente o que é mais-valia e o que é goodwill é exatamente o trabalho da alocação do preço de compra (o PPA, que veremos a seguir) — e exige avaliação técnica dos ativos a valor justo.

Reconhecimento do goodwill: a combinação de negócios (CPC 15 / IFRS 3)

O goodwill só pode ser reconhecido contabilmente em uma situação específica: uma combinação de negócios, regida pelo CPC 15 (R1) / IFRS 3. Combinação de negócios é a operação pela qual um adquirente obtém o controle de um ou mais negócios — tipicamente uma aquisição, fusão ou incorporação. Não basta comprar ativos avulsos: é preciso adquirir um conjunto integrado de atividades capaz de gerar retorno (um negócio). Operações de compra de ativos isolados não geram goodwill.

O CPC 15 estabelece o chamado "método de aquisição", que segue quatro passos:

  1. 1Identificar o adquirente: a entidade que obtém o controle do negócio adquirido.
  2. 2Determinar a data de aquisição: a data em que o controle é efetivamente transferido.
  3. 3Reconhecer e mensurar a valor justo os ativos identificáveis adquiridos, os passivos assumidos e eventual participação de não controladores.
  4. 4Reconhecer e mensurar o goodwill (ou o ganho por compra vantajosa, no caso de deságio) como a diferença residual.

A fórmula do goodwill no método de aquisição: Goodwill = (Contraprestação transferida + Participação de não controladores + Valor justo de participação anterior) − Valor justo dos ativos identificáveis líquidos adquiridos. Quando o resultado é positivo, há goodwill (ativo). Quando é negativo, há ganho por compra vantajosa (deságio), reconhecido como receita no resultado.

Goodwill interno (gerado internamente) não pode ser reconhecido

Um ponto que gera muitas dúvidas: e o valor que a própria empresa construiu ao longo dos anos — sua marca consolidada, sua reputação, sua clientela fiel? Esse "goodwill gerado internamente" não pode ser reconhecido no balanço. O CPC 04 (R1) / IAS 38 é categórico ao proibir o reconhecimento de goodwill interno, pelo mesmo motivo que veda o reconhecimento de marcas e listas de clientes geradas internamente: não é um recurso identificável, controlado de forma separável, cujo custo possa ser mensurado de maneira confiável.

Em outras palavras: o goodwill só entra na contabilidade quando alguém o "compra" — ou seja, quando ele se materializa num preço pago numa combinação de negócios. A empresa pode ter um valor de mercado muito acima do seu patrimônio líquido contábil justamente por causa desse goodwill interno, mas ele permanece invisível no balanço até que uma aquisição o transforme em valor transacionado. Essa é uma das razões pelas quais o valor contábil de uma empresa difere tanto do seu valuation de mercado.

Mensuração e PPA: alocação do preço de compra (Purchase Price Allocation)

A mensuração do goodwill depende diretamente da correta avaliação de tudo o que foi adquirido. Esse processo técnico é o PPA — Purchase Price Allocation, ou alocação do preço de compra. O PPA consiste em distribuir o valor pago pela aquisição entre todos os ativos identificáveis e passivos assumidos, mensurados a valor justo na data da aquisição. O que não conseguir ser alocado a nenhum ativo ou passivo identificável é, por definição, o goodwill.

Um PPA bem executado é fundamental porque define quanto do preço vira goodwill (que não amortiza) e quanto vira ativos identificáveis (que depreciam ou amortizam, afetando o resultado dos próximos anos). As etapas típicas de um PPA são:

  1. 1Determinar a contraprestação total transferida (preço pago em caixa, ações, assunção de dívida e contraprestações contingentes a valor justo).
  2. 2Inventariar e avaliar a valor justo todos os ativos tangíveis identificáveis — imóveis, máquinas, equipamentos, estoques.
  3. 3Identificar e avaliar os ativos intangíveis identificáveis adquiridos — marcas, patentes, carteira de clientes, contratos, tecnologia, acordos de não concorrência.
  4. 4Mensurar a valor justo os passivos assumidos, incluindo passivos contingentes que atendam aos critérios de reconhecimento.
  5. 5Calcular o patrimônio líquido identificável a valor justo (ativos − passivos) e apurar o goodwill como diferença residual em relação à contraprestação.

O PPA é uma das aplicações mais exigentes da avaliação patrimonial, porque erra em duas frentes ao mesmo tempo quem o faz mal: superestimar o goodwill (deixando de identificar intangíveis que deveriam ser reconhecidos separadamente) ou subestimá-lo. Por isso o PPA costuma ser conduzido por avaliadores técnicos, com base em fluxo de caixa descontado, custo de reposição e abordagens de mercado, conforme o ativo. É um trabalho que conecta diretamente a avaliação de ativos à contabilidade da combinação de negócios.

Boas práticas na mensuração do goodwill via PPA

  • Mapear todos os intangíveis identificáveis antes de residualizar o goodwill: marcas, carteira de clientes, contratos, tecnologia e acordos de não concorrência frequentemente têm valor próprio e devem ser separados do goodwill.
  • Avaliar os ativos tangíveis a valor justo, e não pelo valor contábil do vendedor: imóveis e equipamentos costumam estar subavaliados nos livros, gerando mais-valia que não deve se confundir com goodwill.
  • Reconhecer passivos contingentes e contraprestações contingentes (earn-outs) a valor justo na data de aquisição, conforme o CPC 15.
  • Documentar as premissas de cada avaliação (taxas de desconto, projeções, vidas úteis) — auditores e a Receita Federal exigem laudo técnico fundamentado.
  • Definir, já no PPA, as unidades geradoras de caixa (UGCs) às quais o goodwill será alocado, porque é nelas que o impairment será testado nos anos seguintes.
  • Tratar o período de mensuração: o CPC 15 admite ajustes provisórios em até 12 meses da aquisição, quando informações novas sobre fatos existentes na data de aquisição surgem.

Goodwill não amortiza: o teste de impairment (CPC 01 / IAS 36)

Esta é a regra que mais distingue o goodwill dos demais ativos: o goodwill não é amortizado. Até 2008, no padrão contábil brasileiro anterior à convergência às normas internacionais, o ágio era amortizado linearmente (tipicamente em até dez anos). Com a adoção das IFRS, essa prática foi abolida. Hoje, por ter vida útil indefinida, o goodwill permanece registrado pelo valor de reconhecimento e é submetido, no mínimo anualmente, ao teste de recuperabilidade (impairment) previsto no CPC 01 (R1) / IAS 36 — e sempre que houver indício de perda de valor.

O teste de impairment do goodwill funciona, em linhas gerais, assim:

  • O goodwill é alocado às unidades geradoras de caixa (UGCs) que se beneficiam das sinergias da aquisição — o impairment não é testado isoladamente no goodwill, mas na UGC como um todo.
  • Compara-se o valor contábil da UGC (incluindo o goodwill alocado) com o seu valor recuperável (o maior entre o valor justo líquido de despesas de venda e o valor em uso, calculado por fluxo de caixa descontado).
  • Se o valor recuperável for menor que o valor contábil, reconhece-se uma perda por impairment, debitada primeiro contra o goodwill alocado àquela UGC.
  • A perda por impairment do goodwill é reconhecida no resultado do período e é definitiva: ao contrário de outros ativos, a reversão de impairment de goodwill é proibida pelo CPC 01 / IAS 36.

Por que o goodwill não amortiza, mas testa impairment? A lógica é que o goodwill representa benefícios econômicos sem prazo determinado para se esgotar — sinergias e reputação não "vencem" em dez anos como uma máquina se desgasta. Amortizá-lo por um prazo arbitrário seria fictício. Em vez disso, a norma exige que a empresa verifique, todo ano, se o valor pago ainda se sustenta. Quando o negócio adquirido não entrega o desempenho esperado, o impairment força o reconhecimento da perda — e, por isso, baixas (write-offs) de goodwill são notícias relevantes que sinalizam ao mercado que uma aquisição não correspondeu às expectativas.

Goodwill vs. ativo intangível identificável: a diferença essencial

Goodwill e ativo intangível identificável são frequentemente confundidos, mas a distinção é central para a contabilidade de uma aquisição. Um intangível identificável (uma marca, uma patente, uma carteira de clientes, um contrato) atende ao critério de identificabilidade: pode ser separado e vendido, licenciado ou transferido individualmente, OU resulta de direitos contratuais/legais. O goodwill, ao contrário, não é separável nem decorre de direito legal — é o resíduo que não se consegue atribuir a nenhum ativo identificável.

CritérioGoodwill (ágio por rentabilidade)Intangível identificável
IdentificabilidadeNão separável; não decorre de direito legalSeparável OU decorre de direito contratual/legal
ExemplosSinergias, expectativa de lucros, reputação geralMarca, patente, software, carteira de clientes, licença
Como surgeApenas como resíduo numa combinação de negóciosAdquirido, desenvolvido ou identificado no PPA
Vida útilIndefinida (sempre)Definida (amortiza) ou indefinida (testa impairment)
AmortizaçãoNunca amortizaAmortiza se vida útil definida
ImpairmentTeste anual obrigatório; reversão proibidaTeste quando há indício; reversão permitida (exceto goodwill)
Reconhecimento internoProibido (goodwill gerado internamente não entra)Restrito (só desenvolvimento que atende ao CPC 04)

A consequência prática: quanto mais intangíveis identificáveis a avaliação consegue reconhecer separadamente no PPA, menor o goodwill residual. Isso não é um detalhe técnico — afeta o resultado dos anos seguintes, porque intangíveis de vida definida amortizam (reduzindo o lucro gradualmente), enquanto o goodwill só impacta o resultado se e quando sofrer impairment.

Tratamento fiscal do ágio (goodwill) no Brasil

No Brasil, o tratamento fiscal do ágio segue um caminho próprio, dissociado da contabilidade societária, e foi profundamente alterado pela Lei nº 12.973/2014, que regulamentou os efeitos tributários após a adoção das IFRS. O ponto-chave é que a amortização do ágio contábil foi extinta para fins societários, mas a legislação fiscal prevê, sob condições específicas, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio por rentabilidade futura.

Em termos gerais, sob a Lei 12.973/2014:

  • O ágio por rentabilidade futura (goodwill) pago numa aquisição pode, mediante evento de incorporação, fusão ou cisão que una investidora e investida, ser amortizado fiscalmente à razão de até 1/60 ao mês (cinco anos), reduzindo a base de IRPJ e CSLL — desde que cumpridos os requisitos legais.
  • O aproveitamento fiscal exige laudo de avaliação que demonstre o fundamento econômico do ágio (a rentabilidade futura projetada), elaborado por perito independente e protocolado/registrado nos prazos da lei.
  • Operações entre partes dependentes (ágio interno) têm o aproveitamento fiscal vedado, justamente para coibir planejamentos artificiais.
  • A mais-valia de ativos (distinta do goodwill) tem tratamento fiscal próprio, acompanhando a realização do respectivo ativo (depreciação, amortização ou baixa).
  • A divergência entre o tratamento contábil (sem amortização) e o fiscal (com amortização condicionada) gera controles no e-Lalur/e-Lacs e diferenças temporárias que demandam acompanhamento.

Erros comuns no tratamento do goodwill e do ágio

  • Confundir todo o ágio com goodwill: parte do excesso pago é mais-valia de ativos identificáveis e deve ser alocada a eles, não ao goodwill.
  • Amortizar o goodwill contábil: desde a convergência às IFRS, o goodwill não amortiza no balanço societário — apenas sofre impairment.
  • Reconhecer goodwill gerado internamente: marca, reputação e clientela construídas pela própria empresa não podem ser ativadas como goodwill.
  • Pular o PPA ou fazê-lo sem avaliação técnica: residualizar o goodwill sem identificar os intangíveis e mensurar ativos a valor justo distorce o balanço e o resultado futuro.
  • Não testar impairment anualmente: o teste do goodwill é obrigatório no mínimo uma vez por ano, independentemente de haver indício de perda.
  • Tentar reverter impairment de goodwill: a reversão é expressamente proibida pelo CPC 01 / IAS 36.
  • Aproveitar ágio fiscal sem laudo de fundamento econômico ou em operação entre partes dependentes: gera autuação e glosa pela Receita Federal.

Goodwill, valuation e avaliação patrimonial: a conexão com a CPCON

Todo o tratamento do goodwill — do reconhecimento ao impairment — repousa sobre um pilar técnico: a avaliação de ativos a valor justo. Não há como apurar goodwill confiável sem inventariar e avaliar os ativos tangíveis e intangíveis adquiridos; não há como sustentar o aproveitamento fiscal do ágio sem um laudo de fundamento econômico; e não há como rodar o teste de impairment sem mensurar o valor recuperável das unidades geradoras de caixa. É exatamente nesse ponto que a avaliação patrimonial e o valuation deixam de ser teoria e se tornam o trabalho que viabiliza a contabilidade da operação.

A CPCON atua nas três frentes que o goodwill exige. No PPA de uma combinação de negócios, identifica e avalia os ativos tangíveis e os intangíveis (incluindo marcas) a valor justo, separando o que é mais-valia do que é goodwill residual. No suporte fiscal, produz o laudo de fundamento econômico do ágio por rentabilidade futura exigido pela Lei 12.973/2014. E no teste anual de impairment, mensura o valor recuperável dos ativos e das UGCs. Tudo a partir de um controle patrimonial confiável — porque a avaliação só é tão boa quanto o cadastro de ativos sobre o qual ela se apoia.

Goodwill confiável começa numa avaliação técnica de ativos

A CPCON realiza alocação de preço de compra (PPA), avaliação de ativos tangíveis e intangíveis a valor justo, laudos de fundamento econômico do ágio e suporte ao teste de impairment — com laudos técnicos aceitos por auditorias Big Four. Fale com nossos especialistas para apurar, sustentar e auditar o goodwill da sua operação.

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Perguntas Frequentes

O que é goodwill?
Goodwill, ou ágio por expectativa de rentabilidade futura, é a diferença positiva entre o valor pago por uma empresa numa aquisição e o valor justo do patrimônio líquido identificável adquirido (ativos identificáveis menos passivos assumidos, ambos a valor justo). Ele representa o que o comprador pagou pela capacidade do negócio de gerar lucros futuros acima do normal — sinergias, marca, carteira de clientes, reputação e equipe — que não podem ser reconhecidos separadamente como ativos. É um ativo intangível de natureza residual, reconhecido apenas em combinações de negócios.
Goodwill e ágio são a mesma coisa?
No contexto de uma aquisição, sim: o que a literatura internacional chama de goodwill, a contabilidade brasileira (CPC 15 / IFRS 3) chama de ágio por expectativa de rentabilidade futura, ou "ágio por goodwill". É importante notar, porém, que o termo "ágio" em sentido amplo pode designar todo o excesso pago acima do valor contábil — que se decompõe em mais-valia de ativos identificáveis (alocada aos ativos) e ágio por rentabilidade futura (o goodwill propriamente dito). Tecnicamente, goodwill é apenas a parcela de rentabilidade futura, não todo o ágio.
Como se calcula o goodwill?
O goodwill é calculado como diferença residual no método de aquisição do CPC 15: Goodwill = (contraprestação transferida + participação de não controladores + valor justo de eventual participação anterior) − valor justo dos ativos identificáveis líquidos adquiridos (ativos a valor justo menos passivos assumidos). Em termos simples: pega-se o preço pago pela empresa e subtrai-se o valor justo de tudo o que pôde ser identificado e mensurado (ativos menos passivos). O que sobra é o goodwill. Se o resultado for negativo, há deságio (ganho por compra vantajosa).
Qual a diferença entre ágio por rentabilidade futura e mais-valia de ativos?
Quando o preço pago supera o valor contábil do patrimônio líquido adquirido, a diferença se decompõe em duas naturezas. A mais-valia de ativos é a diferença entre o valor justo e o valor contábil dos ativos e passivos identificáveis (por exemplo, um imóvel registrado por R$ 1 milhão que vale R$ 3 milhões); ela é alocada aos respectivos ativos e depreciada ou amortizada conforme cada um. O ágio por rentabilidade futura (goodwill) é o excesso pago acima do valor justo de todo o patrimônio líquido identificável — sinergias, marca e expectativa de lucros — e não é amortizado, apenas testado por impairment.
O goodwill é amortizado?
Não. Desde a convergência da contabilidade brasileira às normas internacionais (IFRS), o goodwill não é amortizado, por ter vida útil indefinida. Antes de 2008, o ágio era amortizado linearmente (em geral em até dez anos), prática hoje abolida no padrão societário. Em vez de amortizar, a empresa submete o goodwill, no mínimo anualmente, ao teste de recuperabilidade (impairment) do CPC 01 / IAS 36. Atenção: a regra fiscal é diferente da contábil — sob a Lei 12.973/2014, o ágio pode, em condições específicas, ser amortizado fiscalmente em cinco anos.
O que é o teste de impairment do goodwill?
É a verificação anual obrigatória de que o goodwill registrado ainda se sustenta economicamente, prevista no CPC 01 / IAS 36. O goodwill é alocado às unidades geradoras de caixa (UGCs) que se beneficiam das sinergias da aquisição, e compara-se o valor contábil de cada UGC (incluindo o goodwill) com o seu valor recuperável — o maior entre o valor justo líquido de despesas de venda e o valor em uso (fluxo de caixa descontado). Se o valor recuperável for menor, reconhece-se uma perda por impairment no resultado, debitada primeiro contra o goodwill. Essa perda é definitiva: a reversão de impairment de goodwill é proibida.
O que é PPA (Purchase Price Allocation)?
PPA, ou alocação do preço de compra, é o processo técnico de distribuir o valor pago por uma aquisição entre todos os ativos identificáveis e passivos assumidos, mensurados a valor justo na data da aquisição. O que não puder ser alocado a nenhum ativo ou passivo identificável é, por definição, o goodwill. O PPA é decisivo porque define quanto do preço vira goodwill (que não amortiza) e quanto vira ativos identificáveis (que depreciam ou amortizam). Costuma ser conduzido por avaliadores técnicos usando fluxo de caixa descontado, custo de reposição e abordagens de mercado.
O goodwill gerado internamente pode ser reconhecido no balanço?
Não. O CPC 04 (R1) / IAS 38 proíbe expressamente o reconhecimento de goodwill gerado internamente — a marca, a reputação e a clientela que a própria empresa construiu ao longo dos anos não podem ser ativadas. O motivo é o mesmo que veda o reconhecimento de marcas e listas de clientes geradas internamente: não são recursos identificáveis e separáveis cujo custo possa ser mensurado de forma confiável. O goodwill só entra na contabilidade quando se materializa num preço pago numa combinação de negócios.
Qual a diferença entre goodwill e ativo intangível identificável?
Um ativo intangível identificável (marca, patente, software, carteira de clientes, contrato) é separável — pode ser vendido, licenciado ou transferido individualmente — ou decorre de direito contratual/legal, e pode ter vida útil definida (amortiza) ou indefinida. O goodwill não é separável nem decorre de direito legal: é o resíduo que não se consegue atribuir a nenhum ativo identificável, tem sempre vida útil indefinida, nunca amortiza e é testado por impairment. Quanto mais intangíveis identificáveis a avaliação reconhece separadamente no PPA, menor o goodwill residual.
O goodwill pode ser baixado (write-off)?
Sim, por meio do impairment. Quando o teste anual de recuperabilidade indica que o valor recuperável da unidade geradora de caixa caiu abaixo do seu valor contábil, reconhece-se uma perda por impairment, debitada primeiro contra o goodwill alocado àquela UGC — podendo zerá-lo. Essa baixa impacta o resultado do período e é definitiva, pois a reversão de impairment de goodwill é proibida pelo CPC 01 / IAS 36. Baixas relevantes de goodwill costumam sinalizar ao mercado que uma aquisição não correspondeu às expectativas de rentabilidade.
Como é o tratamento fiscal do ágio (goodwill) no Brasil?
No Brasil, o tratamento fiscal do ágio é dissociado do contábil e foi disciplinado pela Lei 12.973/2014. Embora o goodwill não amortize na contabilidade societária, o ágio por rentabilidade futura pode, mediante evento de incorporação, fusão ou cisão que una investidora e investida, ser amortizado fiscalmente à razão de até 1/60 ao mês (cinco anos), reduzindo a base de IRPJ e CSLL — desde que haja laudo de fundamento econômico elaborado por perito independente e cumpridos os requisitos legais. O aproveitamento é vedado em operações entre partes dependentes (ágio interno).
Em que situação o goodwill é reconhecido?
O goodwill só é reconhecido em uma combinação de negócios, regida pelo CPC 15 (R1) / IFRS 3 — ou seja, quando um adquirente obtém o controle de um negócio (um conjunto integrado de atividades capaz de gerar retorno), tipicamente em aquisições, fusões e incorporações. A compra de ativos isolados, sem que configurem um negócio, não gera goodwill. Fora de uma combinação de negócios, e no caso de goodwill gerado internamente, não há reconhecimento contábil.
Andre Gonçalves

Andre Gonçalves

Sócio, VP Operações Brasil, Diretor Técnico e CFO | Grupo CPCON

Contador Registrado CRC-SP

Sócio do Grupo CPCON, Vice-Presidente de Operações CPCON Brasil, Diretor Técnico e CFO. Contador registrado CRC-SP, responsável tecnicamente pelos serviços de gestão patrimonial, avaliação de ativos, alocação de preço de compra (PPA) e conformidade contábil da CPCON em projetos no Brasil e exterior.

Nota de transparência: Este artigo reflete a experiência prática da equipe CPCON. Recomendamos validar decisões contábeis e fiscais com seu auditor ou contador responsável.

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