A borracha do pneu contém negro de fumo, material que interfere parcialmente em ondas UHF padrão. Tag RFID convencional fica com 30-40% de erro de leitura nesse substrato. A CPCON especificou tags ON-RUBBER customizadas (substrato dielétrico isolante + adesivo industrial) que atingiram 99,4% de leitura confiável — viabilizando o projeto que ficou inviável tecnicamente por anos com tecnologia genérica.
O desafio: inventário mensal pesado e acurácia baixa
O cliente é uma rede nacional de varejo de pneus com 312 lojas distribuídas em 18 estados, totalizando 561.600 unidades em estoque ativo (média de 1.800 pneus por loja). O ramo opera com margens apertadas e alta velocidade de giro — disponibilidade real correta na hora da venda é diferencial competitivo absoluto.
Antes do projeto, cada loja executava inventário mensal de pneus com código de barras impresso no flanco lateral. O processo durava 6 horas com equipe de 3 colaboradores (18 horas-homem por loja por ciclo). Os colaboradores precisavam ler manualmente cada código, frequentemente coberto por sujeira, riscos ou em pneus empilhados de difícil acesso. A acurácia média ficava em 87% — 13% de divergência entre o sistema e o físico, gerando ajustes contábeis mensais materiais. O impacto comercial era ainda mais grave: 8% das consultas de cliente terminavam em decepção ("o sistema mostrava disponível mas fisicamente não estava ali"), com perda direta de venda.

A solução técnica: tag ON-RUBBER customizada + coletor industrial
Etapa 1 — Desenvolvimento da tag RFID UHF ON-RUBBER
O desafio físico era específico de pneus: a borracha contém negro de fumo (carbon black) em concentrações altas, material condutor que interfere em ondas UHF padrão. Tags RFID convencionais (etiquetas adesivas comuns) apresentavam taxa de leitura confiável de apenas 60-70% no substrato pneu. A CPCON especificou junto a fornecedor parceiro (Confidex) uma tag UHF Gen2 ON-RUBBER com substrato dielétrico isolante de 2mm entre a antena e a borracha, mais adesivo industrial de alta aderência resistente a 80°C e a flexão repetida. A tag resiste a 8+ anos em condições normais de estoque (e à transferência ao consumidor final — permanece no pneu durante a vida útil para eventual identificação em recall de fabricante).
Etapa 2 — Aplicação na recepção da mercadoria
A tag é aplicada na lateral interna do flanco do pneu durante a recepção da mercadoria no centro de distribuição (não na fábrica). Cada tag é programada com EPC único contendo SKU, lote, data de fabricação e centro de origem. A programação acontece em portal RFID na doca do CD com leitura confirmatória — qualquer tag mal aplicada ou com leitura abaixo de RSSI -70 dBm é rejeitada na origem.
Etapa 3 — Coletor industrial Zebra MC3300xR
Cada loja recebeu coletor RFID UHF industrial Zebra MC3300xR (alcance 8 metros, velocidade 700 leituras/segundo, Android 11, WiFi 6, bateria 8h de uso intenso). O coletor está conectado em tempo real via WiFi com o ERP da loja (Microsoft Dynamics 365), mostrando ao operador divergências instantâneas durante a contagem (pneus no sistema mas não lidos, pneus lidos mas não no sistema).
Etapa 4 — Processo de inventário redesenhado
O processo foi reformulado: em vez de 3 colaboradores 6 horas cada (18 h-h), agora 1 colaborador equipado com coletor RFID executa o inventário em 3 horas (3 h-h). A leitura é massiva — em uma única passada pelo corredor, todas as tags na área de cobertura são identificadas simultaneamente. O operador recebe feedback em tempo real e pode focar em divergências reais (não em digitação manual).
Resultados quantitativos — comparativo visual
Indicadores antes vs depois RFID (por loja, ciclo padrão)
Indicadores consolidados após 12 meses de operação
Impacto consolidado na rede (312 lojas)
Os ganhos consolidados na rede completa superaram os benefícios projetados individuais por loja. Em horas-homem evitadas, a economia operacional anual ultrapassou R$ 6,1 milhões. O ganho indireto foi ainda maior: aumento de 4,2% nas vendas pela disponibilidade real correta em tela do vendedor (clientes deixaram de desistir por "estoque incorreto"). A precisão de 99,4% eliminou as discussões mensais entre operações e contabilidade sobre divergências, liberando o tempo da equipe de controladoria para análises de maior valor agregado.
O sistema também passou a alimentar o e-commerce da rede com disponibilidade real-time por loja. Clientes online passaram a confiar nos prazos de retirada exibidos no site (sem necessidade de reservar+confirmar manualmente como antes). As vendas online cresceram 23% no ano subsequente ao projeto — não atribuíveis ao RFID isoladamente, mas viabilizadas pela confiabilidade que o RFID trouxe ao processo.
Componentes técnicos consolidados
- Tags RFID UHF ON-RUBBER Confidex (ou equivalente) com substrato dielétrico — R$ 0,80/unidade em volume.
- Coletor Zebra MC3300xR — R$ 18.000 com bateria estendida + base de carregamento.
- Portal RFID na doca do CD — leitura confirmatória da programação (4 antenas Times-7 + 1 leitor FXR90).
- Middleware CPCON — integração com ERP Microsoft Dynamics 365 via API REST.
- WiFi 6 (802.11ax) — necessária para velocidade de sincronização real-time com ERP.
- Dashboard analítico — relatórios de acurácia por loja, ranking de SKUs com maior divergência, predição de stockout.
Inventário com RFID em rede de varejo
A CPCON dimensiona e executa projetos RFID para varejo multi-unidade. Tags customizadas conforme o produto, integração nativa com Microsoft Dynamics, SAP, Oracle e ERPs custom, ROI documentado.
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Perguntas Frequentes
Por que tags comuns não funcionam em pneus?
A tag fica visível no pneu? Atrapalha a estética?
A tag permanece no pneu depois da venda? Por quê?
Quanto custou o projeto consolidado na rede de 312 lojas?
Funciona com pneus empilhados? Como?
Quanto tempo para implantar em uma rede multi-unidade?
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Ler artigoWendell Jeveaux
CEO | Grupo CPCON
Com 30 anos de história à frente do Grupo CPCON, Wendell Jeveaux lidera projetos de gestão de ativos, RFID e consultoria patrimonial para grandes empresas no Brasil, México e EUA. Responsável por mais de 4.500 projetos realizados em diversas indústrias.
Nota de transparência: Este artigo reflete a experiência prática da equipe CPCON. Recomendamos validar decisões contábeis e fiscais com seu auditor ou contador responsável.
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