Métodos de Valuation usados globalmente
Com rigor, premissas claras e testes de consistência
Valuation não é opinião: é método + evidência + governança para decisões, auditoria e transações
Por que existem diferentes métodos?
A escolha do método de avaliação depende de múltiplos fatores: finalidade da avaliação (M&A, impairment, PPA, fundos), maturidade do negócio (startup vs empresa consolidada), disponibilidade de dados (histórico, projeções, comparáveis), perfil de risco, estrutura de capital e exigências contábeis/regulatórias (IFRS, US GAAP, CVM).
Não existe “método único correto”. A prática profissional exige aplicar múltiplas abordagens, testar consistência entre elas e documentar premissas de forma auditável. O resultado final é uma faixa de valor defensável, não um número isolado.
Finalidade
M&A, PPA, Impairment, Fundos, RJ, Societário
Método(s) Principal(is)
DCF, Múltiplos, NAV, Relief-from-Royalty, etc.
Validações
Sensibilidade, Cenários, Reconciliação, Auditoria
Abordagem da Renda
Métodos baseados na capacidade de geração de valor futuro, descontados a valor presente
DCF – Discounted Cash Flow
FCFF e FCFE
O que é / Quando usar
Método mais utilizado globalmente. Projeta fluxos de caixa futuros (operacionais ou para o acionista) e desconta ao valor presente usando taxa que reflete risco. Ideal para empresas com histórico e projeções confiáveis.
Inputs Principais
- Projeções de receita, custos e EBITDA
- CAPEX e variação de capital de giro
- WACC (custo médio ponderado de capital)
- Taxa de crescimento perpétuo (g)
- Terminal Value (valor residual)
Saídas
- Enterprise Value (EV)
- Equity Value (valor do patrimônio)
- Análise de sensibilidade (WACC, g, margens)
- Múltiplos implícitos
Entregáveis
Modelo financeiro completo + memo de premissas + cenários (base, otimista, pessimista) + sensibilidade WACC/g
Renda Residual / EVA
Economic Value Added
O que é / Quando usar
Foca na criação de valor econômico acima do custo de capital. Útil quando há instabilidade de caixa ou quando se quer enfatizar retorno sobre capital investido. Muito usado em bancos e seguradoras.
Inputs Principais
- Lucro contábil ajustado (NOPAT)
- Capital investido (equity + dívida líquida)
- WACC ou custo de equity
- Projeção de ROE ou ROIC
- Valor contábil inicial
Saídas
- Valor presente dos EVAs futuros
- Equity Value
- Análise de criação de valor por período
- Comparação com DCF tradicional
Aplicação
Instituições financeiras, empresas com alto capital investido, análise de performance gerencial
Risk-adjusted / Probabilístico
Cenários e Árvore de Decisão
O que é / Quando usar
Incorpora múltiplos cenários com probabilidades distintas. Usado em situações de alta incerteza: startups, projetos greenfield, recuperação judicial, stress testing, análise de viabilidade.
Inputs Principais
- Cenários (otimista, base, pessimista)
- Probabilidades de ocorrência
- Fluxos de caixa por cenário
- Taxas de desconto ajustadas ao risco
- Árvore de decisão (se aplicável)
Saídas
- Valor esperado ponderado
- Distribuição de probabilidades
- Análise de downside/upside
- Stress testing e break-even
Contexto
Recuperação judicial, projetos de infraestrutura, venture capital, análise de viabilidade
Abordagem de Mercado
Métodos baseados em transações e múltiplos de empresas comparáveis
Trading Comps
Múltiplos de Comparáveis Listados
O que é / Quando usar
Compara a empresa-alvo com empresas similares de capital aberto. Aplica múltiplos de mercado (EV/EBITDA, EV/Revenue, P/E) aos indicadores da empresa avaliada. Rápido e baseado em dados públicos.
Múltiplos Principais
- EV/EBITDA (mais comum)
- EV/Revenue (empresas em crescimento)
- P/E (Price-to-Earnings)
- EV/EBIT
- P/B (Price-to-Book) para bancos
Critérios de Seleção
- Setor e modelo de negócio similar
- Tamanho (receita, EBITDA)
- Geografia e mercados
- Perfil de crescimento e margens
- Ajustes de liquidez e controle
Aplicação
M&A, Fairness Opinion, validação cruzada com DCF, marcação de fundos
Precedent Transactions
Transações Precedentes
O que é / Quando usar
Analisa transações de M&A recentes em empresas comparáveis. Captura prêmios de controle e sinergias. Mais relevante que Trading Comps para transações de controle.
Inputs e Ajustes
- Transações comparáveis (setor, tamanho)
- Múltiplos pagos (EV/EBITDA, EV/Revenue)
- Timing da transação (mercado aquecido/frio)
- Prêmio de controle
- Sinergias declaradas ou estimadas
Saídas
- Faixa de múltiplos de transação
- Valor implícito com prêmio de controle
- Comparação com Trading Comps
- Análise de tendências de mercado
Limitações
Dados nem sempre públicos, difícil isolar sinergias, timing de mercado pode distorcer múltiplos
Abordagem de Ativos / Custo
Métodos baseados no valor patrimonial e de reposição dos ativos
Patrimonial Ajustado / NAV
Net Asset Value
O que é / Quando usar
Ajusta o patrimônio líquido contábil a valores de mercado. Usado em holdings, empresas patrimoniais, situações de reestruturação, empresas com ativos tangíveis significativos.
Ajustes Típicos
- Imóveis a valor de mercado
- Participações societárias (fair value)
- Estoques (valor realizável líquido)
- Ativos intangíveis não registrados
- Passivos contingentes e provisões
Saídas
- Patrimônio líquido ajustado
- Valor por ação ajustado
- Reconciliação contábil vs mercado
- Desconto de holding (se aplicável)
Aplicação
Holdings, empresas imobiliárias, reestruturações, validação de floor value
Valor de Liquidação
Ordenada vs Forçada
O que é / Quando usar
Estima o valor de venda dos ativos em cenário de descontinuidade. Liquidação ordenada: venda em prazo razoável. Liquidação forçada: venda urgente com descontos.
Inputs e Premissas
- Inventário completo de ativos
- Valor de mercado individual
- Descontos de liquidação (10-50%)
- Custos de venda e desmobilização
- Prazo de liquidação
Saídas
- Valor bruto de liquidação
- Valor líquido (após custos)
- Comparação ordenada vs forçada
- Análise de recuperação para credores
Contexto
Recuperação judicial, disputas societárias, garantias bancárias, análise de downside
Métodos para Intangíveis
Avaliação de marcas, patentes, tecnologia, clientes e outros ativos intangíveis (IFRS 3 / CPC 04)
Relief-from-Royalty
Marcas, Patentes, Licenças
O que é / Quando usar
Calcula o valor presente dos royalties que a empresa economiza por possuir o ativo intangível. Método preferido para marcas, patentes e licenças em PPAs.
Inputs Típicos
- Receita atribuível ao intangível
- Taxa de royalty de mercado (benchmarks)
- Projeção de receitas
- Taxa de desconto (WACC ajustado)
- Vida útil do intangível
Aplicação
PPA (IFRS 3), impairment de intangíveis, licenciamento, M&A
MPEEM
Multi-Period Excess Earnings Method
O que é / Quando usar
Isola o valor de um intangível específico (ex: base de clientes, tecnologia core) subtraindo retornos de outros ativos contributivos. Método complexo, mas muito usado em PPAs.
Inputs Típicos
- Fluxo de caixa atribuível ao intangível
- Contributory asset charges (CACs)
- Taxa de attrition (perda de clientes)
- WACC ajustado ao risco do ativo
- Vida útil econômica
Aplicação
PPA (customer relationships, technology), impairment de intangíveis específicos
With-or-Without
Análise Incremental
O que é / Quando usar
Compara o valor da empresa COM e SEM o intangível específico. A diferença é o valor do ativo. Usado para ativos estratégicos ou quando outros métodos não se aplicam.
Inputs Típicos
- DCF completo da empresa
- Cenário “com” o intangível
- Cenário “sem” o intangível
- Impactos em receita, margem, CAPEX
- Ajustes de risco e timing
Aplicação
Ativos estratégicos, tecnologia proprietária, reorganizações, disputas
Métodos para Opções e Flexibilidade
Avaliação de stock options, opções reais e valor da flexibilidade gerencial
Black-Scholes / Binomial
IFRS 2 / CPC 10 – Stock Options
O que é / Quando usar
Modelos de precificação de opções financeiras aplicados a planos de stock options. Black-Scholes para opções europeias simples; Binomial para opções com vesting, exercício antecipado e condições complexas.
Inputs Principais
- Preço da ação (ou valor da empresa)
- Strike price (preço de exercício)
- Volatilidade histórica/implícita
- Taxa livre de risco
- Prazo até vencimento
- Dividendos esperados
Aplicação
Planos de stock options (IFRS 2 / CPC 10), warrants, earn-outs com opções
Real Options
Opções Reais
O que é / Quando usar
Captura o valor da flexibilidade gerencial: expandir, adiar, abandonar, mudar de uso. Usado em projetos de infraestrutura, energia, mineração, P&D, investimentos por fases.
Tipos de Opções Reais
- Opção de expansão (scale-up)
- Opção de adiamento (wait-and-see)
- Opção de abandono (exit)
- Opção de mudança de uso (switch)
- Opção de crescimento (growth)
Aplicação
Projetos de energia, mineração, infraestrutura, P&D, venture capital, investimentos por fases
Como Escolher o Método
Matriz prática por finalidade: método principal, métodos de suporte e nível de documentação
| Finalidade | Método Principal | Métodos de Suporte | Saídas | Nível de Evidência |
|---|---|---|---|---|
| M&A / Compra e Venda | DCF (FCFF) | Trading Comps, Precedent Transactions | EV, Equity Value, faixa de múltiplos | Alto (auditável) |
| Fairness Opinion | DCF + Trading Comps | Precedent Transactions, NAV | Faixa de valor justo, análise de prêmio | Muito Alto (laudo formal) |
| PPA / Pré-PPA | Relief-from-Royalty, MPEEM | DCF, With-or-Without | Fair value de intangíveis, goodwill | Muito Alto (IFRS 3) |
| Impairment (CPC 01 / IAS 36) | DCF (value in use) | Fair value less costs to sell | Recoverable amount, perda por impairment | Alto (auditável) |
| Fundos / Marcação (FIP) | DCF, Trading Comps | Precedent Transactions, NAV | Fair value periódico, NAV do fundo | Alto (CVM, auditoria) |
| Recuperação Judicial | DCF probabilístico | Liquidação ordenada/forçada, NAV | Valor de continuidade vs liquidação | Alto (judicial) |
| Intangíveis Específicos | Relief-from-Royalty, MPEEM | With-or-Without | Fair value do intangível | Alto (CPC 04, IFRS 3) |
| Stock Options (CPC 10) | Black-Scholes, Binomial | Monte Carlo (se complexo) | Fair value da opção, despesa contábil | Alto (IFRS 2) |
| Planejamento Estratégico | DCF, Real Options | Cenários, sensibilidade | Value creation, NPV de iniciativas | Médio (interno) |
Testes de Consistência e Governança
Valuation defensável exige validação cruzada, sensibilidade e documentação auditável
Análise de Sensibilidade
Testamos variações em WACC, crescimento perpétuo, margens, CAPEX e múltiplos para mapear faixa de valor
Cenários e Stress Testing
Modelamos cenários base, otimista e pessimista com probabilidades, além de stress extremo
Reconciliação de Múltiplos
Comparamos múltiplos implícitos do DCF com Trading Comps e Precedent Transactions
Documentação de Premissas
Todas as premissas são documentadas com fontes, justificativas e benchmarks de mercado
Versionamento e Trilha
Modelos versionados com histórico de alterações e trilha de auditoria completa
Comitê de Premissas
Revisão técnica por múltiplos profissionais seniores antes da entrega final
O que você recebe
Documentação completa, auditável e pronta para decisões estratégicas
Modelo Financeiro Completo
- Excel/Sheets com todas as projeções
- Outputs detalhados (EV, Equity Value)
- Fórmulas auditáveis e transparentes
- Sensibilidade e cenários integrados
Memorando de Premissas
- Justificativa de cada premissa
- Fontes e benchmarks de mercado
- Metodologia aplicada
- Limitações e disclaimers
Sumário Executivo
- 1-2 páginas para decisores
- Faixa de valor e recomendação
- Principais drivers e riscos
- Conclusões e próximos passos
Anexos e Fontes
- Dados de mercado e comparáveis
- Demonstrações financeiras
- Análise de sensibilidade detalhada
- Documentação de suporte
Sensitivities e Cenários
- Tabelas de sensibilidade (WACC, g)
- Cenários base, otimista, pessimista
- Análise de break-even
- Stress testing
Dossiê Auditável
- Documentação para auditoria
- Trilha de decisões e premissas
- Versionamento do modelo
- Pronto para conselho e reguladores
Perguntas Frequentes
DCF é sempre obrigatório?
Não. DCF é o método mais comum, mas não é obrigatório em todas as situações. Para holdings patrimoniais, pode-se usar NAV. Para intangíveis em PPA, Relief-from-Royalty ou MPEEM. Para liquidação, valor de ativos. A escolha depende da finalidade, maturidade do negócio e disponibilidade de dados.
Qual a diferença entre Enterprise Value e Equity Value?
Enterprise Value (EV) é o valor da operação (equity + dívida líquida). Equity Value é o valor do patrimônio líquido (para os acionistas). DCF com FCFF gera EV; subtrai-se dívida líquida para chegar ao Equity Value. DCF com FCFE gera Equity Value diretamente.
Como definir o WACC?
WACC = (E/V × Re) + (D/V × Rd × (1-T)). Re (custo de equity) via CAPM: Rf + Beta × (Rm – Rf). Rd (custo de dívida) é a taxa de juros da dívida. Estrutura de capital (E/V, D/V) pode ser target ou atual. Premissas devem ser documentadas e benchmarkadas.
Múltiplos de mercado são confiáveis?
Sim, se bem aplicados. Exigem seleção criteriosa de comparáveis (setor, tamanho, geografia, crescimento). Ajustes de liquidez, controle e timing são essenciais. Múltiplos complementam DCF, mas não substituem análise fundamentalista.
O que é PPA e quando é necessário?
Purchase Price Allocation (PPA) é a alocação do preço de aquisição aos ativos e passivos identificáveis, conforme IFRS 3. Obrigatório em M&A quando há controle. Identifica intangíveis (marcas, clientes, tecnologia) e goodwill. Exige fair value de todos os ativos.
Valuation para fundos é diferente?
Sim. Fundos (FIP, private equity) exigem marcação periódica a fair value (CVM, IFRS 13). Usa-se DCF, múltiplos e, às vezes, transações recentes. Documentação deve ser auditável e consistente entre períodos. Comitê de avaliação é recomendado.
Como avaliar startups sem histórico?
Startups exigem abordagens adaptadas: DCF com cenários probabilísticos, Venture Capital Method, múltiplos de transações comparáveis (se houver), ou First Chicago Method (cenários ponderados). Premissas de crescimento, churn e burn rate são críticas. Risco elevado exige taxas de desconto maiores.
Valuation é opinião ou ciência?
Valuation é método + premissas + evidência. Não é opinião subjetiva, mas também não é ciência exata. Exige julgamento profissional fundamentado, benchmarks de mercado, testes de consistência e documentação auditável. O resultado é uma faixa de valor defensável, não um número único.
Termos Técnicos
Principais conceitos e siglas utilizados em valuation
DCF
Discounted Cash Flow – Fluxo de caixa descontado
WACC
Weighted Average Cost of Capital – Custo médio ponderado de capital
FCFF
Free Cash Flow to Firm – Fluxo de caixa livre para a firma
FCFE
Free Cash Flow to Equity – Fluxo de caixa livre para o acionista
EV
Enterprise Value – Valor da empresa (equity + dívida líquida)
NAV
Net Asset Value – Valor patrimonial líquido ajustado
PPA
Purchase Price Allocation – Alocação do preço de compra
CAPM
Capital Asset Pricing Model – Modelo de precificação de ativos
Beta
Medida de risco sistemático (volatilidade vs mercado)
Terminal Value
Valor residual (perpetuidade ou múltiplo de saída)
EBITDA
Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization
NOPAT
Net Operating Profit After Tax – Lucro operacional após impostos
ROIC
Return on Invested Capital – Retorno sobre capital investido
IRR
Internal Rate of Return – Taxa interna de retorno
NPV
Net Present Value – Valor presente líquido
Fair Value
Valor justo (preço de transação entre partes independentes)
Goodwill
Ágio por expectativa de rentabilidade futura (PPA)
Impairment
Perda por redução ao valor recuperável de ativos
Múltiplos
Razões de valor (EV/EBITDA, P/E, EV/Revenue, etc.)
Trading Comps
Comparáveis de empresas listadas em bolsa
Precedent Transactions
Transações precedentes de M&A
Relief-from-Royalty
Método de avaliação de intangíveis (marcas, patentes)
MPEEM
Multi-Period Excess Earnings Method (clientes, tecnologia)
CAC
Contributory Asset Charge – Retorno de ativos contributivos
Attrition
Taxa de perda (clientes, contratos, etc.)
Sensitivity
Análise de sensibilidade (variação de premissas)
Stress Testing
Teste de cenários extremos
Discount for Lack of Marketability
Desconto por falta de liquidez (DLOM)
Control Premium
Prêmio de controle em transações
Synergies
Sinergias (ganhos de receita/custo em M&A)