Depreciação: muito além de cálculo contábil — transformação em estratégia patrimonial
Imagine uma grande indústria em São Paulo que, ao ajustar os critérios de depreciação dos seus equipamentos — com base em laudos técnicos e na intensidade real de uso — conseguiu reduzir legalmente a base de cálculo de IRPJ e CSLL do regime Lucro Real, melhorando o caixa da empresa. Esse não é um caso isolado: em junho de 2025, uma reportagem destacou como a depreciação contábil correta pode gerar economia tributária e fortalecer o resultado financeiro.
Agora, pense no risco invisível dentro de muitas empresas: o controle patrimonial precário, muitas vezes sustentado em planilhas de Excel. Um caso recente mostrou que a falta de governança patrimonial levou a um erro de mil ativos em uma base de inventário, gerando descrédito, divergências fiscais e até prejuízos financeiros.
Esses exemplos deixam claro como a depreciação — contábil, fiscal e física — é muito mais que um número no balanço. É um elemento estratégico de gestão de ativos, controle patrimonial e performance financeira. E quando feita com precisão, apoiada por cálculos robustos, laudos técnicos, integração de sistemas e inventários confiáveis, a depreciação deixa de ser burocracia e passa a ser uma verdadeira alavanca de resultado.

O que é depreciação: definição contábil, fiscal e o impacto na gestão de ativos imobilizados
Na prática contábil, a depreciação é o processo que reconhece a perda de valor dos bens do ativo imobilizado — máquinas, veículos, móveis e imóveis utilizados na operação de uma empresa. Esse desgaste pode ocorrer pelo uso contínuo, por fatores naturais ou pela obsolescência tecnológica.
De acordo com o CPC 27 – Ativo Imobilizado, a depreciação deve ser registrada de forma sistemática, refletindo a redução da vida útil econômica de um bem. Já a Receita Federal, por meio do RIR/99, estabelece prazos e taxas fiscais padronizadas: 10 anos para máquinas, 5 anos para veículos e até 25 anos para imóveis.
Essa diferença gera dois conceitos complementares:
- Depreciação contábil: segue normas internacionais (IFRS) e reflete a realidade econômica da empresa.
- Depreciação fiscal: atende às regras do fisco e influencia diretamente no cálculo de tributos.
Um exemplo prático recente ajuda a entender a importância dessa distinção: em 2024, a Lei 14.871/2024 permitiu a depreciação acelerada para bens novos, antecipando deduções fiscais e incentivando investimentos produtivos. Para indústrias que operam em três turnos, isso significou multiplicar por dois o valor depreciado ao ano, reduzindo o imposto a pagar sem comprometer a transparência contábil.
Outro ponto essencial é diferenciar depreciação de conceitos próximos:
- Amortização: aplicável a ativos intangíveis, como patentes e softwares.
- Exaustão: usada para recursos naturais, como minérios e florestas.
Na gestão patrimonial, confundir esses conceitos pode distorcer resultados e comprometer decisões estratégicas. Além disso, embora a NBC TSP 17 determine que o valor residual e a vida útil dos ativos devem ser revisados ao menos ao final de cada exercício (cfc.org.br), na prática muitas empresas ainda negligenciam essa atualização. O resultado é um descompasso entre norma e realidade, que abre espaço para riscos fiscais, ajustes de auditoria e decisões equivocadas sobre o imobilizado.
Em resumo, entender o que é depreciação e aplicá-la corretamente vai além de atender à legislação: é alinhar contabilidade, fiscal e gestão de ativos para que os números reflitam a realidade da operação — e não apenas um cálculo burocrático.
Como calcular a depreciação: métodos, exemplos e aplicação na gestão de ativos imobilizados
A escolha do método de depreciação influencia diretamente no resultado contábil, no planejamento fiscal e até na tomada de decisão de investimentos. No Brasil, a legislação fiscal permite critérios padronizados, mas as normas contábeis recomendam que o cálculo reflita a forma como o ativo realmente perde sua capacidade de gerar benefícios econômicos.
Método linear (quotas constantes)
É o mais utilizado, por ser simples e previsível. Divide o valor depreciável igualmente ao longo da vida útil.
- Exemplo: uma máquina de R$100 mil, com vida útil de 10 anos e valor residual de R$10 mil, terá depreciação anual de R$9 mil.
Esse método é o preferido pela Receita Federal, que define taxas fixas no RIR/99, como 20% ao ano para veículos e 10% para móveis e equipamentos.
Método da soma dos dígitos
Aloca parcelas maiores nos primeiros anos e menores nos finais, refletindo que o bem tende a perder valor mais rapidamente no início do uso.
- Exemplo: para um equipamento com vida útil de 5 anos, somam-se os dígitos 1+2+3+4+5=15. No primeiro ano, a depreciação é 5/15 do valor depreciável; no segundo, 4/15, e assim por diante.
Esse método pode ser vantajoso para empresas que precisam registrar custos mais altos no início da operação, equilibrando resultados em anos seguintes.
Método das unidades produzidas
Indicado para ativos cuja vida útil depende da produção e não apenas do tempo.
- Exemplo: uma máquina de R$100 mil com capacidade para 2 milhões de peças terá depreciação de R$0,05 por unidade produzida. Se fabricar 200 mil peças em um ano, a depreciação será de R$10 mil.
Esse critério é muito usado em indústrias, especialmente automotivas e de bens de consumo, onde a intensidade de uso impacta diretamente o desgaste.
Método das horas de uso
Semelhante ao anterior, mas calculado com base nas horas de operação do bem.
- Exemplo: um equipamento projetado para 20 mil horas de funcionamento. Se em um ano for utilizado por 2 mil horas, esse período representará 10% do valor depreciável.
Depreciação acelerada
A legislação permite aumentar a quota de depreciação em casos de uso intensivo. A Lei 14.871/2024 autorizou a depreciação acelerada para novos ativos adquiridos até o fim de 2025, permitindo aplicar coeficientes de:
- 1,5 para dois turnos de operação;
- 2,0 para três turnos de operação.
Na prática, uma empresa que opera 24 horas por dia pode dobrar o valor da depreciação anual de seus equipamentos, reduzindo a base de cálculo do imposto e incentivando a renovação do parque fabril.
Por que a escolha do método importa
Em abril de 2025, um estudo publicado pela RENAT – Rede Nacional de Advogados Tributaristas destacou que a depreciação, quando calculada de forma alinhada ao uso real dos ativos, pode ser uma vantagem estratégica para redução de carga tributária e melhoria de margens. Esse tipo de abordagem evita tanto lucros artificiais quanto prejuízos irreais, comprovando que a depreciação, quando tratada estrategicamente, é uma ferramenta de performance — e não apenas de conformidade fiscal.

Depreciação estratégica: como o cálculo correto fortalece a saúde financeira da empresa
Durante muito tempo, a depreciação foi vista apenas como uma obrigação contábil: um lançamento necessário para cumprir normas e ajustar o balanço. Mas esse olhar burocrático esconde o verdadeiro potencial da depreciação quando tratada de forma estratégica.
Em abril de 2025, um estudo da RENAT – Rede Nacional de Advogados Tributaristas mostrou que calcular a depreciação de forma alinhada ao uso real dos ativos pode reduzir a carga tributária e melhorar as margens operacionais. Essa prática evita tanto lucros artificiais quanto prejuízos irreais, transformando a depreciação em um instrumento de performance e não apenas de conformidade fiscal.
Outro ponto crítico está na governança do imobilizado. A manutenção de um inventário físico atualizado e a revisão periódica da vida útil dos ativos são essenciais para melhorar a qualidade dos relatórios financeiros e garantir previsibilidade no planejamento estratégico. Como destaca a RRK Soluções Patrimoniais, a falta dessas revisões gera distorções contábeis e aumenta a probabilidade de ajustes em auditoria.
A Marcela Malta, Diretora de Novos Negócios da CPCON, reforça essa visão com a experiência prática de quem já revisou centenas de bases de ativos:
“A diferença entre cumprir tabela e usar a depreciação como estratégia aparece no EBITDA, no caixa e na conversa com auditor e investidor. Depreciação correta é tradução econômica do desgaste do ativo. Se essa tradução está errada — vida útil desatualizada, bens inexistentes, classes trocadas — o texto financeiro sai errado.”
Na prática, os benefícios são claros:
- EBITDA realista: evita tanto a supervalorização do lucro quanto prejuízos artificiais.
- Menos riscos fiscais: elimina divergências entre contabilidade e inventário físico.
- Auditoria mais fluida: cada ativo rastreado por item, nota e data, sem caixas-pretas.
- Capex e Opex assertivos: decisões de substituição de máquinas ou baixa de bens passam a ser baseadas em evidências, não em suposições.
Assim, a depreciação deixa de ser apenas uma despesa registrada no DRE e passa a atuar como uma verdadeira alavanca de performance empresarial.
Principais erros na depreciação de ativos e os riscos que ameaçam a gestão patrimonial
A depreciação, quando mal conduzida, pode se transformar em uma fonte de distorções financeiras e riscos fiscais. Muitas empresas ainda tratam o tema como mera obrigação contábil, sem revisar critérios ou atualizar a vida útil de seus ativos. O resultado são balanços que não refletem a realidade operacional e abrem espaço para questionamentos de auditores e do fisco.
1. Vida útil desatualizada
Um dos erros mais comuns é manter a vida útil padrão definida pelo fisco, sem considerar o uso real do ativo. A NBC TSP 17 determina que o valor residual e a vida útil devem ser revisados ao menos uma vez por exercício. Quando isso não ocorre, o risco é apresentar um ativo “eterno” no balanço, que continua em uso mesmo já 100% depreciado.
2. Inventário físico desatualizado
Sem inventário confiável, empresas registram bens inexistentes ou deixam de depreciar ativos que já não estão em operação. Um levantamento recente mostrou que falhas de controle patrimonial podem gerar erros de milhares de ativos em planilhas, distorcendo resultados e reduzindo credibilidade em auditorias.
3. Classificação incorreta de bens
Misturar categorias — por exemplo, registrar software como ativo imobilizado depreciável em vez de amortizável — leva a lançamentos incorretos e riscos fiscais. Além disso, bens que deveriam ser tratados por exaustão (como florestas ou recursos minerais) acabam sendo classificados como depreciáveis, gerando inconsistências.
4. Divergências entre contabilidade e fisco
Outro erro recorrente é ignorar que a depreciação contábil segue critérios diferentes da depreciação fiscal. O primeiro reflete a perda econômica real; o segundo, regras tributárias do RIR/99. Empresas que não conciliam essas diferenças acabam enfrentando ajustes e autuações.
5. Falta de integração com ERP e gestão patrimonial
Ainda é comum ver companhias que mantêm sua base de imobilizado em planilhas de Excel, sem integração com sistemas ERP. Isso aumenta o risco de inconsistências, falta de rastreabilidade e retrabalho. Casos como esse têm levado empresas a enfrentar descrédito perante investidores e auditorias.
Controle patrimonial estratégico: como a depreciação garante transparência e valor real dos ativos
A depreciação vai além de um cálculo contábil: ela é um dos pilares do controle patrimonial estratégico. Quando realizada com base em inventários físicos confiáveis e critérios técnicos bem documentados, ela permite que as empresas tenham uma visão precisa do valor real de seus ativos.
Em 2025, uma reportagem mostrou que o uso de inventários desatualizados em grandes companhias levou a ajustes milionários durante auditorias, justamente porque a depreciação registrada não refletia o estado real dos bens (Contábeis). Esse tipo de distorção compromete a credibilidade das demonstrações financeiras e pode até afetar a confiança de investidores e instituições financeiras.
Integração com sistemas de gestão
Quando o processo de depreciação é integrado ao ERP e aos sistemas de gestão de ativos, a empresa passa a ter rastreabilidade completa: cada máquina, equipamento ou veículo é vinculado ao seu histórico de uso, manutenção e valor residual. Esse nível de controle reduz riscos fiscais e torna as discussões com auditorias e conselhos de administração mais objetivas.
Conexão com laudos técnicos
Ferramentas como o laudo de vida útil e o teste de impairment são fundamentais para validar se a depreciação registrada corresponde à realidade. Esses documentos trazem base técnica para justificar ajustes, evitando que decisões sejam tomadas apenas com base em tabelas fiscais padronizadas.
Eficiência na gestão de ativos
Empresas que adotam a depreciação como parte de um programa de controle patrimonial relatam benefícios claros:
- Mais previsibilidade nos investimentos em capex, substituindo ativos no momento certo.
- Redução de riscos fiscais, com evidências técnicas para justificar critérios de depreciação.
- Transparência nas demonstrações contábeis, fortalecendo a relação com investidores e auditores.
Como resume a RRK Soluções Patrimoniais, revisar periodicamente a vida útil dos ativos e integrar essa prática à gestão patrimonial é essencial para assegurar que os números refletem a operação real da empresa.
Conclusão: depreciação como alavanca de performance e governança
Ao longo deste conteúdo, vimos que depreciação não é apenas um lançamento contábil: quando baseada em inventário físico confiável, revisão de vida útil, laudos técnicos e integração com o ERP, ela se torna um mecanismo de gestão patrimonial estratégica. Na prática, isso significa DRE mais fiel à operação, EBITDA realista, menor risco fiscal, auditorias mais fluídas e previsibilidade de capex/opex. Em um cenário de pressão por eficiência, tratar a depreciação com rigor técnico é o que separa o “cumprir tabela” da performance empresarial.
No Grupo CPCON, unimos tecnologia (como RFID), método e experiência para transformar a depreciação em valor — conectando CPC 27, critérios fiscais e realidade operacional dos seus ativos imobilizados.
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FAQ
O que é depreciação e por que ela é importante para as empresas?
A depreciação é o reconhecimento contábil da perda de valor dos ativos imobilizados ao longo do tempo. Ela garante que os relatórios financeiros reflitam a realidade da operação, ajudando na transparência, no planejamento de investimentos e na conformidade fiscal.
Qual a diferença entre depreciação contábil e depreciação fiscal?
A depreciação contábil segue normas como o CPC 27 e busca refletir a vida útil econômica real do ativo. Já a depreciação fiscal obedece ao RIR/99, com taxas fixas definidas pelo fisco, impactando diretamente o cálculo de tributos.
Quais ativos podem ou não ser depreciados?
Podem ser depreciados bens físicos utilizados na operação da empresa, como máquinas, equipamentos e veículos. Não são depreciáveis terrenos, obras de arte, antiguidades e outros ativos que não sofrem desgaste ou perda de utilidade com o tempo.
Quais são os principais métodos de cálculo da depreciação?
Os mais utilizados são: linear, soma dos dígitos, unidades produzidas e horas de uso. Em situações de uso intensivo, a lei permite a depreciação acelerada, como previsto na Lei 14.871/2024.
Como a CPCON pode ajudar na gestão da depreciação?
O Grupo CPCON une inventário físico com tecnologia RFID, laudos técnicos (vida útil, avaliação e impairment) e integração com sistemas ERP. Isso garante que a depreciação seja aplicada de forma estratégica, fortalecendo a governança e a saúde financeira da empresa.
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O Grupo CPCON é referência mundial em gestão de ativos, controle de bens patrimoniais e tecnologia RFID. Com 29 anos de experiência, já apoiamos grandes empresas como Nestlé, Pfizer, Scania, BASF, Coca-Cola Andina, Vale, Vivo, Petrobras e Caixa em projetos de alta complexidade.
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A depreciação é o processo contábil que registra a perda de valor dos ativos imobilizados ao longo do tempo, seja por uso, fatores naturais ou obsolescência. Mais do que uma exigência legal, quando aplicada de forma estratégica, ela fortalece a gestão patrimonial, melhora o EBITDA, reduz riscos fiscais e aumenta a previsibilidade de investimentos (capex/opex). O artigo aborda a diferença entre depreciação contábil e fiscal (CPC 27 e RIR/99), explica os principais métodos (linear, soma dos dígitos, unidades produzidas, horas de uso e acelerada), destaca erros comuns como vida útil desatualizada e inventário inconsistente, e mostra a importância da integração com ERP e laudos técnicos. Inclui ainda o depoimento da Diretora de Novos Negócios da CPCON, Marcela Malta, reforçando como a depreciação pode ser usada como alavanca de performance empresarial. A CPCON se posiciona como parceira estratégica global, oferecendo inventário físico com RFID, laudos de vida útil e impairment, e integração de sistemas para transformar a depreciação em vantagem competitiva.



